Preços de bens alimentares sobem 10,1% nos mercados informais
Os bens alimentares essenciais encareceram 10,1% em média nas praças e mercados de rua, contra 4,1% nos supermercados, entre Janeiro e Setembro de 2026. Os dados constam de um levantamento do semanário Expansão, publicado a 9 de Outubro, que aponta a falta de carapau durante a veda como principal causa.

O peixe carapau foi o produto que mais pesou na subida. Sem ele, o aumento nos mercados informais ficaria pelos 1,4%, de acordo com as contas do semanário.
Carapau e óleo puxam o cabaz informal
Nos mercados informais, o conjunto de 22 produtos acompanhado pelo Expansão custava 124.892 Kz em Janeiro. Em Setembro, a mesma lista já exigia 137.478 Kz, ou seja, mais 12.586 Kz.
Nas praças do Asa Branca e do Catinton, a caixa de 20 quilos de carapau encareceu 23% e a caixa de 12 litros de óleo alimentar Tio Lucas subiu 17,1%.
Houve, porém, produtos a ficar mais baratos. A fuba de milho recuou 30%, para uma média de 496 Kz. O açúcar branco desceu 25%, a cenoura 25,7% e a batata-doce 18,2%.
Leite e batata rena sobem nos supermercados
Nas grandes superfícies consultadas (Candando, Max e Kero), a subida média de 4,1% foi puxada pelo leite líquido Mimosa, que ficou 42% mais caro (mais 650 Kz). Seguem-se a batata rena, com mais 38,9% (467 Kz), e a carne seca de 500 gramas, com mais 14,5% (945 Kz).
Em sentido inverso, o quilo de banana de mesa ficou 16,8% mais barato (menos 102 Kz). O quilo de carapau baixou 11,3% (menos 700 Kz), diferença que o jornal atribui ao tamanho do peixe à venda.
Veda pesou no orçamento das famílias
A escassez de carapau resultou do período de veda, a proibição anual de pesca que vigorou de 1 de Julho a 31 de Agosto para proteger a reprodução da espécie.
O carapau está entre as proteínas do mar mais consumidas em Angola, sobretudo nos agregados de menor rendimento. Para conseguir comprá-lo, cada vez mais famílias recorrem à partilha de compras, a popular "sócia".
"Parece que trabalhamos só para comer", desabafou uma consumidora ouvida pelo jornal.
Inflação abranda, mas o bolso não sente
Os números do Expansão contrastam com a tendência oficial. Segundo o semanário, a taxa de inflação homóloga calculada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) está a abrandar há 25 meses seguidos, o que quer dizer que os preços continuam a subir, só que mais devagar.
De acordo com o INE, a taxa fixou-se em 8,43% em Setembro, contra 18,16% no mesmo mês de 2025. A classe "Alimentação e bebidas não alcoólicas" registou uma variação homóloga de 9,54% e foi a que mais contribuiu para a subida geral dos preços.
Fonte: Expansão
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