BNA prevê reservas internacionais acima de 16,5 mil milhões USD
O Banco Nacional de Angola (BNA) conta terminar 2026 com reservas internacionais líquidas superiores a 16,5 mil milhões de dólares, o equivalente a cerca de oito meses de importações. A estimativa foi apresentada pelo governador Manuel Tiago Dias ao FMI, em Banguecoque, na Tailândia.

A projecção foi partilhada numa reunião com o Departamento Africano do FMI, durante as Reuniões Anuais do Fundo e do Banco Mundial, que decorreram entre 12 e 18 de Outubro na capital tailandesa.
O valor fica acima dos 16,2 mil milhões de dólares anunciados pelo Presidente da República, João Lourenço, no Discurso sobre o Estado da Nação, a 15 de Outubro. Nessa ocasião, o Chefe de Estado indicou que esse montante já cobria oito meses de compras ao exterior.
O que sustenta a previsão do banco central
Segundo o governador, as contas externas beneficiaram de três factores: a estabilidade do kwanza ao longo de 2025, mais moeda estrangeira disponível no mercado e uma política monetária mantida restritiva para controlar a liquidez em kwanzas.
Até Dezembro, o BNA conta com dois reforços. O primeiro depende de o petróleo continuar a ser vendido acima do preço de referência inscrito no Orçamento Geral do Estado, o que gera excedentes. O segundo são desembolsos em dinheiro previstos no programa acordado com o Fundo.
Manuel Tiago Dias reafirmou que a instituição vai prosseguir as reformas do mercado cambial e defendeu uma taxa de câmbio mais flexível, para que a economia absorva melhor choques vindos de fora.
Porque contam as reservas para Angola
As reservas internacionais são uma almofada em divisas que permite ao país pagar importações e honrar compromissos externos. Num país em que o petróleo é a principal exportação, protegem sobretudo contra uma queda brusca do preço do crude.
Um nível mais alto de reservas deverá também apoiar a estabilidade macroeconómica e o abrandamento dos preços. A inflação, que era de 27,5% em 2024, fechou 2025 nos 15,7%. Em Banguecoque, a delegação angolana afirmou que o indicador já desceu para um único dígito.
A delegação angolana em Banguecoque tem como chefe Luís Epalanga, secretário de Estado para o Planeamento, e conta também com Ottoniel dos Santos, secretário de Estado das Finanças e Tesouro.
Fonte: Correio da Kianda
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