Falta de professores deixa 2 mil crianças sem escola em Ombadja
Mais de duas mil crianças em idade escolar do município de Ombadja, na província do Cunene, continuam sem lugar na escola por falta de professores. O director municipal da Educação, João Luís, estima que são precisos mais de 400 novos docentes, sobretudo no ensino primário, segundo o jornal OPaís, que publicou o caso na terça-feira, 13 de Outubro.

Neste ano lectivo, as escolas de Ombadja receberam 32 mil matrículas, do ensino primário ao II ciclo do ensino secundário. Para dar resposta a todos esses alunos, o município dispõe de 900 trabalhadores no sector, número que junta professores e pessoal administrativo.
Para o director municipal, esse efectivo está longe de chegar. “Há uma pressão demográfica muito grande, por isso é fundamental que se contratem mais professores”, afirmou João Luís, apontando o primário como o nível onde a carência mais pesa.
Aulas debaixo de árvores
A falta de docentes não é o único problema. Ombadja tem 32 escolas, uma rede que o jornal descreve como ainda insuficiente para as necessidades do sector.
Faltam também salas: cerca de 100 salas de aula do município funcionam ao ar livre, debaixo de árvores. As autoridades administrativas do município entendem que estas condições prejudicam o ensino e a aprendizagem.
Os responsáveis locais alertam ainda que o número de crianças sem escola põe em causa o esforço do Governo para reduzir o analfabetismo.
Um retrato que se repete no Cunene
Ombadja fica a cerca de 99 quilómetros de Ondjiva, a capital do Cunene, província do sul de Angola que faz fronteira com a Namíbia.
As dificuldades descritas pelo director municipal não são novas na região. Segundo o Anuário Estatístico da Educação 2022/2023, citado pela agência Lusa em Fevereiro de 2025, o Cunene era a província com mais alunos do ensino primário a ter aulas fora da sala, com uma taxa de 38,3%.
Na mesma lista, a Huíla, também no sul do país, surgia em segundo lugar, com 23,2%. A nível nacional, 10,9% das turmas do ensino primário tinham aulas ao ar livre.
Fonte: OPaís
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