Casamansa reage a adiamento de ponte em Ziguinchor
A notícia de que a construção da segunda ponte de Tobor, em Ziguinchor, foi adiada mais uma vez provocou revolta na população da Casamansa. O colectivo 'L'HEURE EST GRAVE', que acompanha o projecto há anos, acusa as autoridades de desrespeito e falta de transparência. A obra, prometida há meses, continua a ser adiada sem explicações claras.

Na região da Casamansa, no Senegal, a promessa de uma nova ponte sobre o rio Casamansa há muito que alimenta esperanças de desenvolvimento. Há mais de cinco anos, o colectivo 'L'HEURE EST GRAVE' tem vindo a pressionar o governo para que a obra avance, argumentando que a ligação entre Ziguinchor e as comunidades ribeirinhas é essencial para o comércio local e a mobilidade da população. No entanto, a decisão de adiar a cerimónia de lançamento da construção, prevista para julho do próximo ano, voltou a gerar desconfiança.
O grupo de activistas recorda que, em abril passado, o ministro das Infra-estruturas anunciou a colocação da primeira pedra para julho de 2026. A escolha da data, contudo, já levantava dúvidas entre os moradores, uma vez que coincide com o período das chuvas na região. Historicamente, as enchentes na Casamansa dificultam a circulação de pessoas e mercadorias, tornando ainda mais urgente a conclusão de infra-estruturas que facilitem a ligação entre as margens do rio.
A confirmação do adiamento, comunicada pela AGEROUTE Sénégal, foi recebida com frustração. Para muitos, este não é o primeiro compromisso não cumprido. A obra, que prometia reduzir os tempos de viagem e melhorar as condições de transporte de produtos agrícolas e pescado, tem sido adiada repetidamente. A falta de transparência nas decisões e a ausência de um cronograma claro alimentam a desconfiança em relação às intenções das autoridades.
A situação actual da única ponte existente, a ponte Émile Badiane, agrava ainda mais a preocupação dos habitantes. Este ano, dois acidentes fatais ocorreram no local, além de inúmeros incidentes com danos materiais. A estrutura, que já não responde às necessidades da população, representa um risco constante para quem a utiliza diariamente. Muitos moradores evitam atravessá-la, especialmente durante a época das chuvas, quando o rio inunda as suas margens e torna a travessia ainda mais perigosa.
O colectivo 'L'HEURE EST GRAVE' não se limita a criticar o adiamento. Exige que as autoridades priorizem a segurança dos utentes e avancem com a construção da nova ponte o mais rapidamente possível. A mobilização do grupo mantém-se forte, com acções de sensibilização junto das comunidades e apelos às instituições para que assumam as suas responsabilidades. Para os activistas, a obra não é apenas uma questão de infra-estrutura, mas sim um símbolo de respeito pelo povo da Casamansa.
A história das obras públicas em África mostra que projectos desta natureza, quando não são acompanhados de transparência e planeamento rigoroso, acabam por se arrastar por anos sem conclusão. Casos semelhantes já aconteceram em outros países do continente, onde promessas de modernização foram adiadas repetidamente, deixando as populações a viver com infra-estruturas obsoletas e inseguras. A Casamansa não quer ser mais um exemplo de projectos que nascem com grande alarido e morrem na obscuridade.
Para as comunidades ribeirinhas, a nova ponte representaria um avanço significativo. Actualmente, a dependência da ponte existente limita o desenvolvimento económico da região. Agricultores e pescadores enfrentam dificuldades para escoar os seus produtos, e os estudantes têm de percorrer longas distâncias para chegar às escolas. Uma ligação segura e eficiente poderia dinamizar a economia local, facilitando o acesso a mercados e serviços essenciais.
As autoridades senegalesas argumentam, por vezes, que os atrasos se devem a questões técnicas ou financeiras. No entanto, para os activistas, estas justificativas não são suficientes. A falta de comunicação clara e a ausência de um plano de contingência para lidar com os atrasos são vistas como sinais de desinteresse pelas necessidades da população. A região, que já enfrenta desafios sociais e económicos, não pode continuar a ser negligenciada.
Enquanto o adiamento não é revertido, a população da Casamansa mantém-se mobilizada. O colectivo 'L'HEURE EST GRAVE' continua a organizar acções de protesto e a pressionar as autoridades para que assumam compromissos concretos. A esperança de uma nova ponte, que há anos alimenta sonhos de progresso, não pode ser mais uma vez adiada. Para os habitantes, a obra não é apenas uma questão de infra-estrutura — é uma questão de dignidade e respeito.
Fonte: Kéwoulo
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