Governo acusa França de incitar motim no Níger e Paris nega
O governo do Níger acusou formalmente a França de incitar o recente motim no Níger, ocorrido no final de Agosto na capital Niamey. A declaração foi transmitida pela televisão estatal na sexta-feira, mas Paris já rejeitou categoricamente qualquer envolvimento no incidente.

A acusação surgiu após um ataque contra uma base militar estratégica na capital niameiana, a 29 de Agosto. Durante a acção militar, disparos foram registados perto do palácio presidencial, gerando momentos de grande tensão na cidade. A insurreição acabou por ser neutralizada pelas forças armadas locais com o apoio de paramilitares russos.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país africano, o confronto provocou a morte de três membros da guarda presidencial. Contudo, relatos da imprensa internacional apontam para pelo menos cinco vítimas mortais, incluindo civis que se encontravam nas proximidades durante os tiroteios.
Após uma reunião do Conselho de Ministros, as autoridades de Niamey afirmaram ter reunido provas substanciais sobre uma alegada rede de cúmplices dirigida pelas autoridades francesas. Diante destas conclusões, o executivo do país declarou que reserva o direito de levar o caso perante instâncias judiciais internacionais.
Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, desmentiu categoricamente as alegações em declarações à rádio RFI. O chefe da diplomacia gaulesa classificou as acusações como "puras fantasias" e afirmou que se trata de uma tentativa recorrente de responsabilizar injustamente o seu país por episódios internos.
As relações entre Niamey e a antiga potência colonial deterioraram-se fortemente desde o golpe de Estado de 2023, que colocou o general Abdourahamane Tiani no poder. À semelhança do Burkina Faso e do Mali, o Níger afastou-se das alianças ocidentais e tem vindo a reforçar a cooperação de segurança e diplomática com a Rússia.
Fonte: Africanews
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