TCUL tenta lançar Expresso mas falta de autocarros trava plano
A Empresa de Transportes Colectivos Urbanos de Luanda (TCUL) estreou esta semana um novo serviço de autocarros Expresso para ligar pontos estratégicos da capital. A iniciativa promete viagens mais rápidas, com menos paragens e horários mais rígidos. No entanto, a falta de veículos disponíveis já limita a eficácia do projecto, obrigando muitos passageiros a esperar mais de uma hora nas paragens.

Desde segunda-feira, a TCUL colocou em circulação autocarros com rotas mais directas entre bairros como Sambizanga, Cazenga e o centro da cidade. A ideia é reduzir o tempo de viagem e atrair mais utilizadores para o transporte público. Mas a medida esbarra numa realidade conhecida: a frota de autocarros da empresa enfrenta graves problemas de manutenção, com muitos veículos parados por falta de peças ou reparações em atraso.
Os passageiros já começam a sentir na pele as consequências. Em vez de viagens mais rápidas, muitos continuam a enfrentar esperas prolongadas nas paragens, mesmo nas rotas que deviam beneficiar do novo serviço. "Ainda esperamos mais de uma hora por um autocarro", contou um morador do bairro de Sambizanga, um dos mais afectados pela falta de transportes.
A TCUL garante que está a trabalhar para resolver a situação, mas a demora na reposição de veículos em circulação já põe em causa a credibilidade do projecto. Sem autocarros suficientes, os horários anunciados tornam-se difíceis de cumprir, e a promessa de mobilidade mais eficiente perde força antes mesmo de ganhar tração.
Este não é um problema isolado de Luanda. Em várias cidades africanas, os sistemas de transporte público enfrentam desafios semelhantes: frota envelhecida, falta de investimento em manutenção e dificuldade em atrair passageiros para alternativas ao transporte informal. Em muitos casos, os planos de modernização acabam por naufragar antes de serem implementados na totalidade.
A capital angolana, com mais de oito milhões de habitantes, depende em grande medida do transporte colectivo. A maioria dos trabalhadores, estudantes e comerciantes desloca-se diariamente em autocarros, minibuses ou candongueiros, muitas vezes em condições precárias. A introdução de serviços como o Expresso surge como uma tentativa de melhorar a qualidade do transporte, mas esbarra na falta de infraestruturas e recursos.
Os moradores dos musseques, onde a densidade populacional é maior, são os que mais sofrem com a falta de alternativas. Muitos dependem de percursos longos e demorados, com várias transbordas, para chegar aos seus destinos. A TCUL já admitiu que o novo serviço não resolve todos os problemas, mas espera que, com o tempo, a situação melhore.
Enquanto isso, os utilizadores continuam a procurar soluções. Alguns optam por pagar mais por transporte informal, outros enfrentam longas caminhadas até às paragens. A frustração cresce, e a confiança na capacidade da empresa de resolver o problema diminui.
A falta de autocarros disponíveis não é um fenómeno recente. Há anos que a TCUL enfrenta dificuldades para manter a frota em condições operacionais. A empresa já anunciou planos de renovação, mas a burocracia e a falta de verbas atrasam os projectos. Enquanto não houver um investimento significativo, a situação tende a piorar, especialmente com o crescimento constante da população.
O novo serviço Expresso poderia ser um passo importante para modernizar o transporte em Luanda, mas sem veículos suficientes, o projecto corre o risco de se tornar mais um exemplo de promessas não cumpridas. A TCUL tem agora a oportunidade de demonstrar que consegue efectivamente melhorar a mobilidade na cidade, mas o tempo urge.
Para os passageiros, a espera continua. E a paciência, como se sabe, não é infinita.
Fonte: Correio da Kianda
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