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Por Redacção Angola No Ar

Acidente em Cabo Ledo deixa sete feridos graves no Pedalé

Três dezenas de pessoas ficaram feridas num choque violento entre dois veículos na estrada EN-100, em Cabo Ledo, província do Icolo e Bengo, no domingo de manhã. Sete dos feridos, incluindo crianças, lutam agora pela vida no Hospital Pedalé, em Luanda, após a colisão frontal que parou a circulação na principal via de acesso à costa atlântica.

Cena de acidente rodoviário em estrada rural angolana com veículos danificados e equipas de emergência a prestar socorro
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O acidente ocorreu por volta das dez horas, quando dois veículos se cruzaram na contramão na EN-100, uma estrada que liga a capital angolana ao litoral. Segundo o Ministério da Saúde, o balanço inicial aponta para 30 feridos, entre adultos e crianças, todos transportados para o Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha Pedalé. Os sete casos mais graves foram encaminhados para a Unidade de Cuidados Intensivos, onde recebem tratamento especializado. Os restantes feridos apresentam lesões menos graves, mas continuam sob observação médica.

As autoridades policiais da região abriram inquérito para investigar as causas do acidente. Testemunhas locais referem que o mau estado da estrada — com buracos frequentes e falta de sinalização — e a condução a alta velocidade podem ter contribuído para o choque. A EN-100 é uma via crítica para o turismo e o transporte de mercadorias, mas a sua manutenção deficiente é um problema recorrente na província.

Este episódio não é um caso isolado. Em Angola, os acidentes de viação têm vindo a aumentar nos últimos anos, muitas vezes associados à falta de fiscalização e à deterioração das estradas. O Hospital Pedalé, referência em Luanda, tem recebido um número crescente de vítimas de colisões, atropelamentos e capotamentos, sobretudo nos meses de maior movimento turístico.

A população local, habituada a conviver com estradas esburacadas e sinalização ausente, tem vindo a exigir mais investimento na recuperação das vias. Em várias províncias, associações de condutores e moradores já organizaram protestos para chamar a atenção para os riscos da má conservação das estradas.

Especialistas em segurança rodoviária apontam que, em muitos países africanos, a falta de manutenção das infraestruturas é um dos principais factores de acidentes. Medidas como a redução de limites de velocidade, a instalação de radares e a realização de campanhas de sensibilização têm sido adoptadas noutros territórios para reduzir o número de vítimas. Em Angola, no entanto, a implementação dessas soluções ainda enfrenta desafios, desde a escassez de recursos até à burocracia nos processos de licitação.

O caso de Cabo Ledo reflecte um problema mais alargado: a discrepância entre a importância económica das estradas e a atenção que lhes é dada. A EN-100, por exemplo, é uma das principais artérias para o escoamento de produtos agrícolas e pesqueiros, além de ser uma rota turística muito procurada. Mesmo assim, a sua condição actual coloca em risco tanto os moradores como os visitantes.

Nos últimos meses, o Governo angolano anunciou planos para reabilitar várias estradas nacionais, incluindo troços da EN-100. No entanto, a execução desses projectos tem sido lenta, e muitos condutores continuam a circular em vias que não cumprem os padrões mínimos de segurança.

A sociedade civil tem vindo a pressionar por acções concretas. Em fóruns públicos e nas redes sociais, cidadãos pedem não só a recuperação das estradas, mas também uma fiscalização mais rigorosa do trânsito. A polícia rodoviária, por sua vez, alega falta de meios para cobrir toda a extensão das vias, o que limita a capacidade de prevenir acidentes.

Enquanto isso, as famílias das vítimas do acidente em Cabo Ledo aguardam por notícias sobre a evolução dos feridos. A situação realça a urgência de abordar a segurança rodoviária como uma prioridade nacional, não apenas como um problema local. A recuperação das estradas e a aplicação de leis mais duras para os infractores poderiam evitar novas tragédias como esta.

Ainda não há informações sobre quando o inquérito policial será concluído ou que medidas serão tomadas para evitar casos semelhantes no futuro. O que se sabe é que, sem mudanças estruturais, o cenário tende a piorar, sobretudo com o aumento do número de veículos nas estradas angolanas.

A população, cansada de promessas não cumpridas, continua a exigir acção. Enquanto isso, o Hospital Pedalé mantém-se em alerta, preparado para receber mais vítimas sempre que a estrada falha.

A estrada EN-100 é apenas um exemplo de um problema que se repete por todo o país. A falta de manutenção das vias rodoviárias não é apenas uma questão de infraestrutura — é uma questão de vida ou morte para milhares de angolanos todos os anos.

Fonte: Correio da Kianda

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