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Por Redacção Angola No Ar

Luanda reforça vacinação infantil com brigadas móveis

O Governo Provincial de Luanda e o UNICEF uniram forças para combater a baixa cobertura vacinal na província. A iniciativa surge após um diagnóstico revelar que milhares de crianças ainda não recebem as vacinas essenciais nos postos de saúde. A estratégia passa por levar os serviços até às famílias, especialmente nas zonas mais afastadas.

Centro de saúde em Luanda com fila de pais e crianças à espera de vacinação, unidade móvel de vacinação estacionada ao lado
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A imunização infantil em Luanda enfrenta obstáculos há vários anos. Muitos pais não conseguem levar os filhos aos postos de saúde nos dias marcados para as vacinas, seja por falta de informação ou pela distância dos centros. Em bairros onde o transporte público é raro e as estradas estão degradadas, a situação torna-se ainda mais difícil. Agora, o Executivo local e a agência da ONU decidiram agir em conjunto para inverter este cenário.

A colaboração entre as duas entidades já levou à análise de soluções práticas para facilitar o acesso das famílias aos serviços de vacinação. Entre as medidas em estudo estão a ampliação dos horários dos postos de saúde e a criação de brigadas móveis que se desloquem aos bairros. O objetivo é chegar a zonas onde o transporte público é escasso e as estradas estão em más condições. A ideia é simples: se os pais não conseguem ir até aos centros, os centros devem ir até aos pais.

O UNICEF já apoiou campanhas semelhantes em outras províncias angolanas. A organização destaca que a imunização é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças graves em crianças. Em Luanda, o foco está em vacinas contra sarampo, pólio e tuberculose, doenças que ainda representam riscos para a saúde infantil. A proteção oferecida por estas vacinas evita não só sofrimento para as famílias, como também reduz a pressão sobre o sistema de saúde pública.

Esta não é a primeira vez que o Governo Provincial e o UNICEF trabalham lado a lado. Em anos anteriores, as partes já colaboraram para melhorar a distribuição de medicamentos essenciais. Agora, a prioridade é garantir que nenhuma criança fique sem a proteção que as vacinas oferecem. As autoridades prometem apresentar um plano concreto nos próximos meses, mas o trabalho já começou.

A baixa cobertura vacinal não afeta apenas Luanda. Em várias províncias angolanas, o problema repete-se, embora com diferentes graus de gravidade. A falta de informação sobre a importância das vacinas, a distância aos centros de saúde e a dificuldade em deslocar-se são factores comuns em todo o país. Em zonas rurais, por exemplo, a situação pode ser ainda mais complicada devido à ausência de transportes regulares. Nestes casos, soluções como brigadas móveis ou postos de saúde temporários já demonstraram resultados positivos em experiências anteriores.

A imunização infantil é uma prioridade global. Segundo organizações internacionais, milhões de crianças em África ainda não recebem as vacinas básicas, o que deixa milhões vulneráveis a doenças evitáveis. Em países vizinhos, campanhas semelhantes já foram implementadas com sucesso, mostrando que é possível aumentar a cobertura vacinal mesmo em contextos desafiantes. A chave está em adaptar as soluções às realidades locais, envolvendo as comunidades e garantindo que os serviços cheguem a quem mais precisa.

Para as famílias, os benefícios são imediatos. Crianças vacinadas têm menos probabilidade de contrair doenças graves, o que significa menos idas ao hospital, menos despesas médicas e, acima de tudo, menos sofrimento. Além disso, a imunização contribui para a saúde pública como um todo, reduzindo a circulação de doenças contagiosas. Em Luanda, onde a densidade populacional é alta, este tipo de acção preventiva é ainda mais importante.

As autoridades provinciais garantem que o plano será apresentado em breve, mas já há sinais de que a estratégia está a ser posta em prática. Brigadas móveis estão a ser treinadas e equipadas para percorrer os bairros, levando não só vacinas, mas também informação sobre a importância da imunização. A ideia é que, com o tempo, a população passe a ver as vacinas como uma prioridade, não como uma opção.

Ainda assim, o caminho não será fácil. Mudar hábitos enraizados demora tempo, e a confiança da população nos serviços de saúde pública nem sempre é alta. Por isso, a comunicação clara e constante será fundamental. As autoridades e parceiros terão de trabalhar de perto com as comunidades, ouvindo as suas preocupações e adaptando as soluções às suas necessidades.

O sucesso desta iniciativa poderá servir de exemplo para outras províncias e até para outros países da região. Se Luanda conseguir aumentar a cobertura vacinal, outras províncias angolanas poderão seguir o mesmo caminho. A longo prazo, o objectivo é que Angola consiga proteger todas as crianças, independentemente de onde vivem ou das dificuldades que enfrentam.

Enquanto isso, as brigadas móveis já começaram a circular em alguns bairros. As primeiras semanas serão cruciais para avaliar o impacto da medida e fazer os ajustes necessários. Se tudo correr como esperado, em breve mais crianças em Luanda estarão protegidas contra doenças que, há décadas, já deveriam estar controladas.

Fonte: Correio da Kianda

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