SADC aposta em industrialização e infraestruturas para crescer região
A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) escolheu dois caminhos para tirar a região do marasmo económico: apostar forte na industrialização e construir infraestruturas robustas. A decisão saiu de uma reunião de ministros realizada na sexta-feira, 14, em Durban, África do Sul. Agora, os governos da região têm até ao final do ano para apresentar planos concretos que transformem estas prioridades em realidade.

A SADC não está a brincar quando fala em mudar o rumo da economia da África Austral. Os ministros da organização reuniram-se para discutir como reduzir a dependência de exportações de matérias-primas, um problema que afeta quase todos os países da região. A solução passa por criar indústrias locais que processem os recursos antes de os venderem para fora. Assim, em vez de exportar minério de ferro ou petróleo em bruto, os países poderiam vender aço ou gasolina refinada, que valem muito mais no mercado internacional. Além disso, a instalação de fábricas traria empregos qualificados, algo que a região precisa urgentemente para combater o desemprego jovem, um dos maiores desafios actuais.
Mas não basta ter fábricas se não houver como escoar a produção. Por isso, as infraestruturas ganharam o mesmo destaque na agenda. Estradas que liguem cidades dentro de cada país, portos que facilitem a exportação e redes eléctricas estáveis são essenciais para que as indústrias funcionem. Sem estas condições, mesmo as melhores fábricas vão ter dificuldade em competir. A SADC já identificou três áreas críticas: transportes, energia e telecomunicações. Obras nestes sectores não só facilitam o comércio interno como também atraem investidores estrangeiros, que procuram locais com boas ligações e serviços confiáveis.
A necessidade de agir depressa não é exagero. Vários países da região enfrentam dificuldades económicas há anos, com crescimento lento e dívidas públicas a aumentar. A organização acredita que a cooperação entre os Estados pode ajudar a superar estas barreiras. Um exemplo claro é quando dois ou mais países partilham um projecto, como uma estrada que atravesse fronteiras ou uma barragem que abasteça várias nações. Estes acordos reduzem custos e aceleram o desenvolvimento. A SADC já tem casos de sucesso nestas parcerias, embora ainda sejam poucos.
Os ministros não ficaram só pela teoria. Comprometeram-se a apresentar até ao final do ano planos detalhados para pôr em prática as directrizes aprovadas. Mas não será um processo simples. Criar políticas que facilitem a instalação de indústrias exige mudanças em leis e regulamentos, algo que nem sempre é fácil de negociar entre governos. Além disso, a transferência de tecnologia entre países precisa de ser coordenada para não beneficiar apenas alguns Estados. A SADC já sabe que vai precisar de um grupo de trabalho dedicado a monitorizar os progressos e ajustar as estratégias sempre que necessário.
O caminho escolhido pela SADC não é novo. Outros blocos económicos africanos já tentaram estratégias semelhantes no passado, com resultados variados. Alguns países conseguiram diversificar a sua economia, enquanto outros ficaram pela metade. O que diferencia a África Austral é a escala dos recursos naturais e a dimensão do mercado interno. Se conseguir unir forças, a região tem potencial para se tornar num pólo industrial e comercial forte. Mas o tempo urge: a concorrência de outras regiões africanas, como a África Ocidental, é cada vez maior.
Para os cidadãos comuns, estas mudanças podem demorar a fazer-se sentir. As infraestruturas demoram anos a construir, e as fábricas não nascem de um dia para o outro. No entanto, os primeiros sinais de progresso já devem aparecer em sectores como a energia e os transportes, onde projectos-piloto podem ser lançados rapidamente. A esperança é que, em cinco ou dez anos, a região consiga reduzir a dependência de importações e criar uma economia mais equilibrada.
A SADC não está sozinha nesta missão. Organizações como a União Africana e o Banco Africano de Desenvolvimento já manifestaram apoio a iniciativas semelhantes noutras partes do continente. A diferença é que, na África Austral, a vontade política parece estar mais alinhada. Os governos parecem compreender que, sem acção coordenada, cada país vai continuar a lutar sozinho contra os mesmos problemas.
O próximo passo é transformar as palavras em acção. Os planos que os ministros prometem apresentar até ao final do ano serão o primeiro teste. Se forem ambiciosos e realistas, a região pode dar um salto significativo. Se forem vagos ou mal executados, o risco é que tudo fique pelo papel. A SADC já mostrou que sabe identificar os problemas; agora, terá de provar que consegue resolvê-los.
Fonte: Correio da Kianda
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