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Por Redacção Angola No Ar

Roças de São Tomé entram para lista de património da UNESCO

Duas das mais importantes plantações históricas de São Tomé e Príncipe foram reconhecidas pela UNESCO como património mundial. A decisão foi tomada durante uma reunião do Comité do Património Mundial, realizada na Coreia do Sul. As Roças de Agostinho Neto e São João dos Angolares agora integram a lista de locais que preservam a memória e a identidade cultural de África.

Ruínas de uma plantação colonial em São Tomé e Príncipe, com vegetação a crescer sobre estruturas abandonadas.
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O anúncio da UNESCO coloca São Tomé e Príncipe no mapa dos países africanos que protegem o seu legado histórico. As Roças de Agostinho Neto e São João dos Angolares, juntamente com outras quatro plantações — Monte Café, Água Izé, Diogo Vaz, Sundy e Belo Monte — agora fazem parte de um conjunto de sítios que contam a história do arquipélago. Estes locais não são apenas recordações de um passado agrícola, mas também testemunhos de um sistema que moldou a economia e a sociedade da região durante séculos.

Durante o período colonial português, estas roças funcionavam como verdadeiras cidades autossuficientes. Além das plantações de café e cacau, que transformaram São Tomé e Príncipe num dos maiores produtores mundiais da época, os complexos incluíam infraestruturas residenciais, industriais e sociais. Casas de colonos, armazéns, engenhos e até igrejas faziam parte do cenário, criando um modelo de exploração que se espalhou por várias colónias africanas.

Por trás da beleza arquitectónica e do valor económico destas estruturas está uma história de exploração. Milhares de trabalhadores foram trazidos para as ilhas, muitas vezes em condições desumanas, para sustentar a produção agrícola. A mão-de-obra escrava e, mais tarde, os trabalhadores contratados sob acordos duvidosos deixaram marcas profundas na sociedade são-tomense. A independência do país, em 1975, não apagou essas memórias, mas abriu caminho para que as novas gerações olhassem para o passado com olhos críticos.

O reconhecimento da UNESCO chega num momento em que muitos países africanos revisitam a sua história colonial. Outros territórios, como Cabo Verde e Moçambique, também já identificaram locais semelhantes para integrar listas de preservação. Em Angola, por exemplo, há discussões sobre como proteger estruturas que contam a história da exploração portuguesa na região. A inclusão nestas listas não é apenas um selo de qualidade, mas também um compromisso com a conservação e a educação.

Para São Tomé e Príncipe, este título representa uma oportunidade. O país, com pouco mais de 200 mil habitantes, enfrenta desafios económicos e sociais, mas o turismo cultural pode ser uma via de desenvolvimento. As roças, agora protegidas, podem atrair visitantes interessados em conhecer a história do cacau e do café, dois produtos que já foram sinónimos de riqueza para a colónia. No entanto, a preservação destes locais exige investimento e planeamento cuidadoso.

A decisão da UNESCO também levanta questões sobre como equilibrar a memória do passado com as necessidades do presente. Muitos destes complexos estão em ruínas ou necessitam de restauro, enquanto outros foram adaptados para novos usos, como hotéis ou centros culturais. Em São Tomé, já há iniciativas que tentam reabilitar algumas destas estruturas, mas o processo é lento e enfrenta limitações financeiras.

A comunidade internacional tem um papel importante neste processo. Organizações como a UNESCO oferecem apoio técnico e financeiro para a preservação de patrimónios, mas cabe aos governos locais garantir que os recursos sejam bem aplicados. Em África, há casos em que a falta de manutenção levou à degradação de sítios históricos, mesmo após o reconhecimento internacional. Por isso, o desafio agora é transformar este título em acção concreta.

Para os são-tomenses, a inclusão das roças na lista da UNESCO é mais do que um reconhecimento internacional. É uma forma de reafirmar a identidade nacional e de mostrar ao mundo que o país tem muito a oferecer além das suas praias. A história destas plantações é complexa, mas faz parte daquilo que define São Tomé e Príncipe hoje. O desafio será garantir que esta herança seja preservada para as futuras gerações, sem esquecer as lições que ela traz.

Enquanto isso, o Comité do Património Mundial continua a avaliar novos candidatos em todo o mundo. A decisão sobre São Tomé e Príncipe pode inspirar outros países a apresentar os seus próprios sítios históricos para análise. Afinal, a preservação do património não é apenas uma questão de orgulho nacional, mas também de partilha de conhecimento e de respeito pela história colectiva da humanidade.

Fonte: Africanews

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