Queimados do Cuanza-Sul melhoram após acidente na EN-100
Quatro vítimas de queimaduras graves, internadas no Hospital de Queimados do Kilamba, em Luanda, já mostram sinais de estabilização após acidente na Estrada Nacional 100, no Cuanza-Sul. A directora da unidade, Yanessa de Almeida, confirmou a evolução positiva dos pacientes, embora ainda dependam de cuidados intensivos.

O acidente na EN-100, que deixou quatro pessoas com queimaduras de terceiro grau, ocorreu na semana passada e obrigou a uma transferência de emergência para a capital angolana. Os feridos foram encaminhados para o Hospital de Queimados do Kilamba, a única unidade especializada no tratamento de queimaduras em Angola, onde receberam atendimento imediato. Segundo a directora-geral da unidade, Yanessa de Almeida, os pacientes mantêm-se clinicamente estáveis, mas os casos continuam a ser acompanhados de perto pela equipa médica.
A unidade do Kilamba é referência nacional no tratamento de queimaduras, com equipamentos modernos e uma equipa multidisciplinar treinada para lidar com emergências complexas. O hospital já recebeu casos semelhantes no passado, destacando-se pela sua capacidade de resposta em situações críticas. No entanto, o acidente na EN-100 volta a colocar em evidência os desafios enfrentados pelas vítimas de queimaduras em Angola, onde o acesso a cuidados especializados ainda é limitado fora da capital.
Embora as autoridades não tenham avançado com detalhes sobre as causas do acidente ou o estado actual das vítimas, a Polícia de Trânsito continua a investigar o ocorrido para determinar responsabilidades. Enquanto isso, as famílias dos feridos aguardam actualizações diárias sobre o estado de saúde dos seus entes queridos, que permanecem internados em estado grave.
A recuperação de pacientes com queimaduras graves é um processo longo e exigente, que envolve não só tratamentos médicos intensivos, mas também apoio psicológico e reabilitação física. Em Angola, a falta de centros especializados fora de Luanda obriga muitas famílias a deslocarem-se para a capital, o que agrava o impacto económico e emocional do acidente. Casos semelhantes já aconteceram antes noutras províncias, mas a concentração de recursos no Kilamba mantém-se como a principal opção para quem precisa de cuidados especializados.
A EN-100, uma das principais vias de ligação entre províncias, é conhecida por ter condições precárias em vários troços, especialmente em zonas de elevado tráfego. Acidentes rodoviários graves são frequentes nestas estradas, muitas vezes agravados pela falta de sinalização adequada e pela manutenção deficiente. A situação reflecte um problema mais amplo no país, onde a segurança rodoviária ainda enfrenta desafios significativos.
Outros países africanos já adoptaram medidas para melhorar a resposta a acidentes rodoviários, como a criação de unidades móveis de emergência e a implementação de programas de prevenção. Em Angola, a necessidade de investimento em infra-estruturas e em formação de pessoal médico especializado continua a ser uma prioridade, especialmente em províncias onde o acesso a cuidados de saúde é limitado.
Enquanto as investigações prosseguem, as famílias das vítimas aguardam com ansiedade por notícias mais concretas sobre o estado de saúde dos seus familiares. A recuperação de queimaduras graves depende não só da qualidade dos cuidados médicos, mas também de factores como o tempo de chegada ao hospital e a gravidade das lesões. Neste caso, a rápida intervenção no Kilamba pode ter feito a diferença na estabilização dos pacientes.
O acidente na EN-100 serve como um alerta para a importância de melhorar as condições das estradas angolanas e de reforçar a capacidade de resposta em situações de emergência. Enquanto as autoridades não avançam com soluções concretas, as vítimas e as suas famílias continuam a depender de um sistema de saúde que, apesar dos seus esforços, ainda enfrenta limitações significativas.
Fonte: Correio da Kianda
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