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As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. Lamentações 3:22-23

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Por Redacção Angola No Ar

Benguela acelera obras contra cheias do rio Cavaco

O governador de Benguela, Manuel Nunes Júnior, reuniu a Comissão Provincial de Proteção Civil para agilizar a construção de diques ao longo do rio Cavaco. O objectivo é proteger as comunidades que já sofreram com o transbordo das águas, que deixou várias famílias desalojadas e causou prejuízos em zonas agrícolas.

Máquinas a trabalhar na construção de diques de proteção contra cheias em Benguela, Angola.
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A província de Benguela enfrenta um problema recorrente: as cheias que afectam a população e a economia local. Nas últimas semanas, o transbordo do rio Cavaco obrigou dezenas de famílias a abandonar as suas casas, enquanto as plantações sofreram danos significativos. Para evitar que a situação se repita, as autoridades provinciais decidiram acelerar a construção de diques de contenção ao longo do curso de água. A decisão foi tomada durante a 66.ª reunião ordinária da Comissão Provincial de Proteção Civil, liderada pelo governador Manuel Nunes Júnior.

A urgência das obras justifica-se pela frequência com que as cheias assolam a região. Em anos anteriores, o fenómeno já tinha deixado comunidades em situação vulnerável, obrigando as famílias a procurar abrigos temporários ou a reconstruir as suas vidas. As zonas agrícolas, que dependem das margens do rio para irrigação, são as mais afectadas, pois os estragos nas culturas comprometem a segurança alimentar de muitas famílias. A construção dos diques surge como uma solução estrutural, capaz de reduzir os impactos das cheias e proteger tanto as habitações como as terras cultiváveis.

Durante a reunião, foi destacada a necessidade de envolver todas as entidades locais no processo. O governador sublinhou que a coordenação entre o governo provincial, as autarquias e as comunidades é essencial para garantir que as obras sejam concluídas a tempo. A prioridade é proteger as zonas mais expostas, onde o risco de inundações é maior. Além disso, foi referido que os recursos necessários já estão assegurados, o que deve acelerar a execução dos trabalhos.

A vulnerabilidade de Benguela às cheias não é um caso isolado. Em várias regiões de Angola, os rios transbordam com frequência durante a estação das chuvas, causando prejuízos materiais e humanos. Em províncias como Huíla ou Cuanza Sul, casos semelhantes já obrigaram as autoridades a adoptar medidas de contenção, como a construção de barragens ou a limpeza de leitos de rios. No entanto, a solução nem sempre é simples, pois depende de factores como a disponibilidade de recursos, a colaboração entre diferentes níveis de governo e a participação activa das comunidades.

Os desafios são ainda maiores quando se considera que muitos dos afectados pelas cheias vivem em condições precárias, sem acesso a infra-estruturas básicas. A reconstrução após uma inundação pode demorar meses, e muitas famílias ficam dependentes de apoios governamentais ou de organizações humanitárias. Em Benguela, a acção rápida das autoridades é vista como um passo importante para minimizar esses impactos, mas a eficácia a longo prazo dependerá de um planeamento contínuo e da manutenção das infra-estruturas.

As obras nos diques já começaram, mas o ritmo actual pode não ser suficiente para proteger todas as zonas em risco antes da próxima estação chuvosa. Por isso, a Comissão Provincial de Proteção Civil já está a avaliar a possibilidade de contratar mais mão-de-obra ou de recorrer a tecnologias que permitam acelerar os trabalhos. A ideia é garantir que, quando as chuvas regressarem, as comunidades estejam mais preparadas.

A situação em Benguela reflecte um problema maior em Angola, onde as infra-estruturas de contenção de cheias são muitas vezes insuficientes. Embora existam planos para melhorar a resiliência das comunidades, a sua implementação nem sempre acompanha a velocidade com que os fenómenos naturais ocorrem. A construção de diques é uma medida comum em várias partes do mundo, mas a sua eficácia depende de factores como a manutenção regular e a adaptação às mudanças climáticas.

Enquanto as obras avançam, as famílias afectadas pela última cheia continuam a viver em abrigos temporários ou em casas danificadas. A reconstrução das suas vidas depende não só da conclusão dos diques, mas também de políticas públicas que garantam apoios a longo prazo. Para muitas destas pessoas, a segurança da próxima estação chuvosa pode significar a diferença entre a estabilidade e a perda total dos seus bens.

As autoridades garantem que os recursos estão assegurados, mas a pressão para concluir as obras a tempo é grande. A Comissão Provincial de Proteção Civil já está a monitorizar o progresso diariamente, com o objectivo de evitar que a história se repita. A pergunta que fica no ar é: até que ponto estas medidas serão suficientes para proteger Benguela das cheias no futuro?

Fonte: OPaís

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