Portugal em alerta por risco de apagão após falhas em Angola e Cuba
Duas falhas graves em sistemas energéticos de Angola e Cuba reacenderam o receio de um novo apagão em Portugal. A instabilidade em redes elétricas e tecnológicas noutros países põe em causa a segurança da energia portuguesa, que já enfrentou um corte em 2025. Especialistas questionam se o sistema nacional está preparado para lidar com uma crise semelhante.

A sombra de um apagão voltou a pairar sobre Portugal depois de dois incidentes recentes que deixaram milhões de pessoas sem luz em Angola e Cuba. Em Luanda, um ataque informático a uma operadora móvel bloqueou transferências bancárias, pagamentos e até o pagamento de salários, mostrando como uma falha tecnológica pode paralisar um país inteiro. Do outro lado do Atlântico, em Havana, uma crise energética prolongou-se por mais de um dia e meio, deixando grande parte da ilha sem eletricidade e expondo a fragilidade das infraestruturas locais. Estes episódios servem de alerta para a Europa, onde a estabilidade da rede elétrica depende de factores que vão muito além da simples produção de energia.
Em Portugal, a memória do apagão de abril de 2025 ainda está bem viva. Na altura, o país ficou às escuras durante várias horas devido a problemas na estabilidade da rede elétrica ibérica. A recuperação foi lenta porque o sistema português contava apenas com duas centrais capazes de reiniciar a rede sem ajuda externa, conhecidas como Blackstart. Desde então, o cenário mudou, mas os especialistas mantêm-se atentos. A dependência de energias renováveis e a integração com redes europeias trouxeram novos desafios, mesmo com melhorias na capacidade de resposta.
Os cortes em Cuba e Angola não foram acidentes isolados. Em Havana, mesmo depois de uma reposição parcial da energia, mais de metade da cidade continuou sem luz durante horas. A situação agravou-se pela crise económica, pela escassez de combustível e pelo envelhecimento das centrais termoelétricas, que não conseguem responder às necessidades da população. Já em Angola, o problema não esteve na falta de produção, mas sim na dependência excessiva de sistemas tecnológicos críticos, que foram alvo de um ataque informático. Estes casos mostram como uma crise pode surgir de origens completamente distintas, mas com consequências semelhantes: a paralisação de serviços essenciais.
A questão que se impõe é se Portugal está preparado para enfrentar uma situação semelhante. Desde 2025, o país aumentou a sua capacidade de resposta, mas os especialistas alertam que a dependência de redes interligadas e a crescente integração com sistemas europeus também trazem riscos. A energia renovável, embora seja uma aposta estratégica, depende de factores imprevisíveis, como o clima, e pode sobrecarregar a rede em momentos de maior procura. Além disso, a estabilidade da rede elétrica não depende apenas de factores técnicos, mas também de políticas energéticas consistentes e de investimentos contínuos em infraestruturas.
Historicamente, apagões em grande escala não são fenómenos raros no mundo. Outros países já enfrentaram crises semelhantes, muitas vezes devido a falhas técnicas, desastres naturais ou problemas de gestão. Em alguns casos, a recuperação foi rápida, enquanto noutros, as consequências duraram semanas ou até meses. A lição que se tira destes episódios é que a prevenção é sempre melhor do que a reação. Países que investiram em sistemas de backup, em redes mais resilientes e em planos de contingência conseguiram minimizar os impactos de crises energéticas.
Em Portugal, a discussão sobre a segurança da rede elétrica ganhou novo fôlego com os recentes incidentes. As autoridades garantem que o sistema está mais robusto, mas reconhecem que os desafios são cada vez maiores. A transição energética, embora necessária, exige um equilíbrio delicado entre a redução da dependência de combustíveis fósseis e a manutenção da estabilidade da rede. A integração com redes europeias, por exemplo, pode trazer benefícios em termos de partilha de recursos, mas também aumenta a exposição a riscos externos.
Os consumidores também têm um papel a desempenhar nesta equação. A adoção de medidas de eficiência energética, como a utilização de eletrodomésticos mais eficientes e a redução do consumo em horas de ponta, pode ajudar a aliviar a pressão sobre a rede. Além disso, a diversificação das fontes de energia, com maior investimento em armazenamento e em redes inteligentes, pode tornar o sistema mais resiliente a futuras crises.
No entanto, mesmo com todas estas precauções, a incerteza persiste. A pergunta que se coloca não é se Portugal pode enfrentar outro apagão, mas sim quando e como o sistema reagirá. A experiência de outros países mostra que a preparação é fundamental, mas nem sempre suficiente. A única certeza é que a estabilidade da rede elétrica depende de um conjunto complexo de factores, desde a gestão técnica até às políticas públicas, passando pela cooperação internacional.
Enquanto isso, os recentes incidentes em Angola e Cuba servem como um lembrete de que a energia, embora muitas vezes dada como garantida, é um recurso frágil. A sua disponibilidade depende de sistemas interligados, de infraestruturas bem mantidas e de uma gestão atenta aos sinais de alerta. Em Portugal, a lição é clara: a prevenção e a inovação devem andar de mãos dadas para garantir que a luz não se apague quando menos se espera.
Fonte: Google News (Angola)
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