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Elevo os meus olhos para os montes, de onde me vem o socorro. O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Salmos 121:1-2

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Por Redacção Angola No Ar

Passagens aéreas em Luanda: proteção ignorada põe peões em risco

Todos os dias, centenas de pessoas arriscam a vida ao atravessar as movimentadas artérias de Luanda por baixo das passagens aéreas, em vez de usarem as estruturas criadas para garantir a sua segurança. A prática, comum em vários pontos da capital, expõe os peões a perigos constantes e contribui para o aumento dos acidentes de trânsito na cidade.

Vista aérea de uma rua movimentada de Luanda com uma passarela pedonal ao fundo, onde carros e peões atravessam perigosamente por baixo, ignorando a estrutura segura.
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A passagem aérea da Rotunda do Palácio de Ferro, na baixa de Luanda, foi construída com um propósito claro: evitar que os peões se exponham ao trânsito intenso que caracteriza as principais vias da cidade. No entanto, a estrutura, que deveria ser uma solução prática, acaba por ser ignorada diariamente por centenas de pessoas. Homens, mulheres, crianças e idosos preferem enfrentar os riscos do trânsito em vez de subir os degraus das passagens aéreas, uma decisão que coloca em causa a sua própria segurança.

O fenómeno não é exclusivo desta zona. Em locais como o Morro da Luz ou a Avenida 4 de Fevereiro, a situação repete-se com frequência. Muitos justificam a escolha pela pressa, argumentando que atravessar directamente entre os veículos é mais rápido do que subir as passagens. "É mais rápido e não tenho tempo a perder", confessa um trabalhador que faz o percurso diário entre a Maianga e o centro da cidade. A justificação, embora compreensível, não anula o perigo: condutores são obrigados a travar bruscamente para evitar atropelamentos, o que pode desencadear colisões ou outros acidentes.

As autoridades de trânsito alertam que esta prática não só põe em risco a vida dos peões, como também prejudica o fluxo do trânsito. "Os condutores são obrigados a travar bruscamente, o que pode causar acidentes", explica um agente da Polícia Nacional que supervisiona a zona. A fiscalização, no entanto, nem sempre é suficiente para inibir o comportamento. A falta de campanhas de sensibilização contínuas e a ausência de fiscalização efectiva agravam o problema, deixando os peões à mercê de uma escolha que pode ser fatal.

Os hospitais da capital continuam a receber vítimas de atropelamentos, muitas vezes com consequências graves. "A cada semana, registamos casos de peões que são atropelados ao atravessar fora das passagens", revela um médico do Hospital Josina Machel. As lesões variam desde fraturas até traumatismos cranianos, e os casos mais graves exigem longos períodos de recuperação ou deixam sequelas permanentes. Para as famílias das vítimas, o impacto vai além do físico: o susto, as despesas médicas e a incerteza sobre o futuro tornam-se uma carga adicional.

Especialistas em segurança rodoviária defendem que a solução passa pela educação e pela fiscalização. "É preciso mostrar aos cidadãos que as passagens aéreas existem para os proteger", sublinha um engenheiro de trânsito. A falta de informação sobre os riscos e a ausência de alternativas práticas levam muitos a ignorar as estruturas. Em cidades onde este problema foi abordado com campanhas de sensibilização e fiscalização rigorosa, os resultados foram positivos: a redução do número de acidentes e a mudança de comportamento dos peões.

Em Luanda, a situação é agravada pela falta de manutenção das passagens aéreas e pela ausência de alternativas viáveis para os peões. Muitas estruturas estão mal iluminadas, sujas ou até mesmo danificadas, o que desincentiva o seu uso. Além disso, a cultura de pressa e a falta de paciência para subir degraus contribuem para a normalização do comportamento de risco. A solução não passa apenas por punir quem ignora as passagens, mas também por criar condições que tornem o seu uso mais atractivo e seguro.

Outros países africanos já tomaram medidas semelhantes no passado, com resultados positivos. Em cidades como Nairobi e Joanesburgo, campanhas de sensibilização e a instalação de passagens aéreas melhor iluminadas e mais acessíveis levaram a uma redução significativa no número de atropelamentos. A chave, segundo especialistas, está em envolver a comunidade e torná-la parte da solução, em vez de apenas impor regras.

Enquanto isso, o risco mantém-se. A vida dos peões de Luanda continua a depender de uma escolha que pode ser fatal, tomada diariamente por milhares de pessoas que, muitas vezes, não têm outra opção senão enfrentar o trânsito. A mudança exige um esforço conjunto: das autoridades, que devem investir em fiscalização e manutenção; dos cidadãos, que precisam de ser conscientizados sobre os riscos; e da sociedade civil, que pode pressionar por soluções mais seguras e acessíveis. Até lá, as passagens aéreas continuarão a ser um recurso subutilizado, e os peões continuarão a arriscar a vida em nome da pressa.

Fonte: Correio da Kianda

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