MPLA leva caso Higino Carneiro à PGR por suspeita de falsificação
O Comité Central do MPLA confirmou que Higino Carneiro não poderá disputar a liderança do partido e decidiu comunicar o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR). Em Luanda, na quarta-feira, 21 de Outubro, o órgão invocou fortes indícios de falsificação de documentos e mandou instaurar-lhe um processo disciplinar.

A deliberação saiu da XI Reunião Ordinária do Comité Central, realizada na quarta-feira, 21 de Outubro, no Centro de Conferências de Belas, em Luanda, sob a orientação do presidente do partido, João Lourenço. O comunicado final foi lido pelo porta-voz do MPLA, Esteves Hilário.
Com esta decisão, o general fica fora do boletim de voto do IX Congresso Ordinário, marcado para 9 e 10 de Dezembro, onde será escolhida a liderança do partido no poder.
As fichas que derrubaram a candidatura
Higino Carneiro entregou a candidatura a 25 de Junho. A 21 de Julho, a subcomissão de candidaturas, dirigida por Job Capapinha, anulou-a por "graves irregularidades", segundo a agência Lusa.
O mandatário declarou ter entregado 19.158 fichas de subscrição. A subcomissão diz ter contado apenas 14.493. Dessas, considerou válidas 2.561 (17,6%), não válidas 9.659 (66,6%) e falsas 2.273 (15,6%).
Entre os problemas apontados na altura constavam assinaturas de pessoas não inscritas nos Comités de Acção do Partido, cartões já descontinuados com datas de emissão recentes, listas em que uma só pessoa assinou por várias e bilhetes de identidade falsos.
O recurso e a votação em Belas
O militante, que é membro do Comité Central, contestou a anulação. Na reclamação, defendeu que o prazo para validar as candidaturas ao congresso só termina a 25 de Outubro.
Na terça-feira, 20 de Outubro, o Bureau Político deu aval ao parecer que a Comissão de Disciplina, Ética e Auditoria emitiu sobre esse recurso e remeteu-o ao Comité Central. Segundo a Lusa, o teor da decisão já circulava nas redes sociais nessa noite.
O processo disciplinar, de acordo com o comunicado, tem por base a violação "de forma voluntária e consciente" dos deveres éticos e morais previstos nos estatutos e no código de ética do MPLA.
Uma fonte do partido citada pela Lusa contou que Higino Carneiro esteve na reunião e interveio duas vezes em sua defesa. Na votação, a maioria apoiou a decisão, houve abstenções e o único voto contra terá sido o do próprio visado.
O Novo Jornal assinala que, ao contrário do habitual, os trabalhos não abriram com um discurso de João Lourenço transmitido em directo. O jornal considera o actual líder praticamente garantido como candidato único à própria sucessão.
As suspeitas de falsificação são, para já, uma acusação do partido. Cabe agora à PGR avaliar os factos que lhe forem comunicados.
Fonte: Jornal Económico (com Lusa)
encontraste algum erro nesta notícia?
