Memorial às vítimas dos conflitos políticos abre em Luanda
O Presidente da República, João Lourenço, inaugurou na quarta-feira, 14 de Outubro, o Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, na zona da Praia do Bispo, em Luanda, perto da Nova Marginal. O Governo apresenta a obra como símbolo de perdão e reconciliação, enquanto a oposição critica a ausência dos antigos líderes dos movimentos de libertação.

O monumento homenageia os angolanos que perderam a vida nos conflitos políticos ocorridos entre 11 de Novembro de 1975, data da independência, e 4 de Abril de 2002, dia em que foi assinado o acordo que pôs fim à guerra civil.
A cerimónia decorreu um dia antes de o Chefe de Estado discursar na Assembleia Nacional sobre o Estado da Nação.
Nove pisos em forma de abraço
A estrutura principal, baptizada "Aliança Eterna", tem 35 metros de altura e nove pisos. É formada por dois blocos que se encaixam como dois braços, numa alusão ao perdão mútuo e às várias etnias atingidas pelas guerras, segundo a descrição publicada pelo Novo Jornal.
Fazem ainda parte do complexo a Mulembeira da Reconciliação e o Hall de Memória. Há espaço para acervo digital, sala de convenções e exposições, loja de recordações e edifício técnico, além de estacionamento para 106 viaturas e de uma praça ajardinada para os visitantes.
O que disse o Presidente
No Livro de Honra, João Lourenço deixou escrito: "Hoje encerramos um capítulo da nossa história e, com ele, solidificamos o princípio que nos norteia: Um só Povo, Uma só Nação".
Para o Presidente, a obra fecha um percurso de cura, perdão e pacificação e deve ajudar os angolanos a conhecer o passado para não repetirem os mesmos erros. Na mensagem da inauguração, afirmou que o memorial é "o compromisso vivo de que todos importam".
O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, coordena a comissão encarregada do processo, conhecida como CIVICOP. Descreveu o espaço como símbolo de perdão e de cura colectiva e recordou a emoção dos momentos em que as ossadas eram devolvidas aos familiares, quando, contou, membros da comissão não conseguiram conter as lágrimas.
Oposição lamenta ausência de Neto, Roberto e Savimbi
Partidos da oposição consideram uma "pena" que o memorial deixe de fora os rostos e o legado de três antigos líderes: Agostinho Neto, do MPLA, Holden Roberto, da FNLA, e Jonas Savimbi, da UNITA. Na sua leitura, só haverá reconciliação plena quando os três tiverem tratamento igual nas instituições e nos monumentos do país.
Ernesto Mulato, dirigente da UNITA, lembrou que o seu partido saiu da CIVICOP. Alega que a comissão foi "desvirtuada" da sua missão pelo Presidente e passou a servir de instrumento de propaganda do partido no poder.
Ngola Kabango saudou a iniciativa, mas defendeu a inclusão de figuras que lutaram pela independência. O presidente do PRS, Benedito Daniel, considerou que afastar personalidades da luta de libertação equivale a apagar parte da história.
Fonte: Novo Jornal
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