Português percorre Angola de lés a lés em viagem de 2.000 km
Um viajante de Portugal escolheu as estradas angolanas para uma aventura de duas semanas, percorrendo cerca de dois mil quilómetros entre Luanda e Benguela. A viagem, feita inteiramente por terra, mostrou a diversidade de paisagens e culturas do país, desde a costa atlântica até às regiões interiores.

A decisão de Tony Neves de explorar Angola sem usar aviões ou barcos chamou a atenção de quem acompanha viagens por estrada. Em vez de optar por voos domésticos, o viajante português preferiu a Estrada Nacional 206, uma via que liga várias províncias do território angolano. A escolha não foi aleatória: a estrada oferece uma das rotas mais completas para quem quer conhecer o país de norte a sul, passando por zonas costeiras, planícies e áreas de maior altitude.
A aventura começou no Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, a 40 quilómetros de Luanda. De lá, Neves seguiu rumo a Benguela, uma cidade a 550 quilómetros da capital, onde o mar e as florestas se revezam ao longo do percurso. A estrada serpenteia pela costa, oferecendo vistas do Oceano Atlântico à esquerda, enquanto à direita se estendem florestas densas e pequenas povoações. Em cada quilómetro, a paisagem muda, revelando a riqueza natural de Angola.
Ao longo do caminho, o viajante passou por cidades como Porto Amboim e Sumbe, esta última a 330 quilómetros de Luanda. Estas paragens são pontos de passagem obrigatórios para quem percorre a costa angolana, não só pela sua beleza, mas também pela importância económica e cultural. Em Sumbe, por exemplo, os mercados locais mostram a vitalidade do comércio regional, enquanto as praias atraem visitantes em busca de tranquilidade.
A chegada a Lobito, a 500 quilómetros da capital, marcou o fim da primeira fase da viagem. A cidade, conhecida pelo seu porto e pela ponte sobre a baía, é um dos principais centros económicos da província de Benguela. Aqui, Neves pôde observar a mistura de influências históricas e modernas que caracterizam Angola, desde a arquitectura colonial até aos empreendimentos recentes.
A experiência de percorrer Angola por estrada não é exclusiva de estrangeiros. Muitos angolanos também optam por viagens terrestres para explorar o país, seja por lazer ou por necessidade. As estradas nacionais, embora nem sempre em perfeitas condições, oferecem uma alternativa aos voos, permitindo uma imersão maior na realidade local. Em anos recentes, tem havido um esforço para melhorar a qualidade das vias, embora ainda haja desafios como a manutenção e a segurança.
Para quem vive em Angola, a viagem por terra é uma forma de redescobrir o território. As estradas ligam não só cidades, mas também comunidades rurais, onde a vida quotidiana continua a depender de actividades como a agricultura e o comércio informal. Em muitas províncias, os candongueiros e os zungueiros são os principais meios de transporte e de ligação entre as pessoas.
A diversidade de Angola é um dos seus maiores atractivos. Do litoral ao interior, o país oferece paisagens que vão desde as dunas do Namibe até às florestas do Uíge. A Estrada Nacional 206 é apenas uma das muitas vias que permitem explorar esta variedade, mas é uma das mais completas para quem quer ter uma visão geral do território.
Viagens como a de Neves servem também como incentivo para que mais pessoas descubram Angola por conta própria. Em tempos em que as viagens internacionais são cada vez mais comuns, explorar o próprio país pode ser uma experiência enriquecedora. Além disso, o turismo interno pode contribuir para a economia local, especialmente em regiões menos visitadas.
Embora a aventura de Neves tenha sido curta, ela deixou claro que Angola tem muito a oferecer a quem se dispõe a percorrer as suas estradas. A viagem mostrou que, para além das praias e das cidades, há um país inteiro a ser descoberto, com pessoas, culturas e histórias que muitas vezes passam despercebidas.
A escolha de viajar por terra em vez de avião é uma tendência que se observa em várias partes do mundo. Em África, por exemplo, muitos viajantes preferem as estradas para explorar países como a Namíbia ou a África do Sul, onde as viagens terrestres oferecem uma experiência mais autêntica. Em Angola, esta opção ganha ainda mais relevância devido à extensão do território e à diversidade de paisagens.
Para o futuro, espera-se que as infraestruturas rodoviárias continuem a melhorar, facilitando ainda mais as viagens por terra. Enquanto isso não acontece, aventureiros como Neves mostram que é possível explorar Angola de uma forma única, sem depender de meios de transporte rápidos, mas sim aproveitando cada quilómetro da estrada.
Fonte: Google News (Angola)
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