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As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. Lamentações 3:22-23

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Por Redacção Angola No Ar

Mali recorre a drones de fabrico iraniano em nova fase do conflito

Pela primeira vez, as forças armadas do Mali e os seus aliados russos utilizaram drones Shahed-136 em operações de ataque no norte do país durante os primeiros dias de julho. Dois incidentes foram confirmados por meios independentes, marcando um ponto de viragem na estratégia militar local.

Drone sobrevoando paisagem desértica no Sahel, representando o uso de veículos aéreos não tripulados no conflito no Mali.
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O uso destes veículos aéreos não tripulados de longo alcance surge num momento em que o governo de transição maliano reforça a sua parceria militar com Moscovo. Desde 2021, a cooperação entre as duas nações tem incluído a chegada de instrutores e equipamento avançado, uma aliança que tem vindo a moldar o cenário de segurança no país. Os drones Shahed-136, originalmente criados pelo Irão, destacam-se pela capacidade de atingir alvos a grandes distâncias com precisão, uma característica que pode alterar a dinâmica dos confrontos no norte do Mali.

A região do Sahel, onde se insere o Mali, enfrenta há anos uma onda de violência ligada a grupos armados, incluindo facções tuaregues e organizações extremistas islâmicas. A chegada destes drones surge como uma resposta às dificuldades enfrentadas pelas forças governamentais em conter a insurgência, que se estende por vastas áreas do território. Até agora, os confrontos tinham sido marcados por emboscadas, ataques com armas ligeiras e explosivos improvisados, mas a utilização de tecnologia de longo alcance introduz uma nova variável no conflito.

Especialistas em segurança regional sublinham que a introdução de drones de fabrico estrangeiro não é exclusiva do Mali. Outros países africanos já recorreram a equipamentos semelhantes em conflitos recentes, embora com resultados variados. Em alguns casos, a utilização de drones ajudou a reduzir a pressão sobre forças governamentais, enquanto noutros levou a um aumento da violência contra civis. A eficácia desta estratégia depende, em grande medida, da capacidade das forças locais para operar e manter o equipamento, bem como da resposta dos grupos armados.

A comunidade internacional tem vindo a acompanhar com atenção a escalada militar no Mali. Organizações de direitos humanos alertam para o risco de vítimas civis em ataques com drones, uma vez que a precisão destes equipamentos nem sempre é garantida. Além disso, a utilização de tecnologia estrangeira levanta questões sobre a dependência militar do país e as implicações políticas de uma parceria com Moscovo. A Rússia, que já tem presença militar em vários países africanos, vê no Mali uma oportunidade para expandir a sua influência na região.

O norte do Mali, uma área vastamente desértica e pouco povoada, tem sido palco de confrontos intermitentes desde 2012, quando grupos armados tomaram o controlo de várias cidades. Embora o exército maliano tenha recuperado algumas zonas com o apoio de forças estrangeiras, a instabilidade persiste. A utilização de drones pode permitir um controlo mais eficaz do território, mas também aumenta o risco de danos colaterais, especialmente em áreas onde a presença de civis é frequente.

A chegada dos Shahed-136 não é a primeira vez que o Mali recorre a tecnologia estrangeira para reforçar as suas capacidades militares. Nos últimos anos, o país tem dependido de equipamentos e apoio de vários parceiros, incluindo nações europeias e países do Golfo. No entanto, a parceria com a Rússia tem sido particularmente controversa, devido às sanções internacionais impostas a Moscovo e às preocupações sobre a transparência dos acordos.

A utilização de drones de longo alcance levanta ainda questões sobre a capacidade do Mali para manter e operar este tipo de equipamento a longo prazo. A manutenção de veículos aéreos não tripulados requer infraestruturas específicas e pessoal treinado, algo que nem sempre está disponível em países com recursos limitados. Além disso, a dependência de tecnologia estrangeira pode criar vulnerabilidades estratégicas, especialmente em tempos de crise.

A comunidade internacional tem vindo a pressionar o governo de transição maliano para que garanta que as operações militares respeitam os direitos humanos e o direito internacional humanitário. A utilização de drones em zonas povoadas levanta preocupações sobre a possibilidade de ataques indiscriminados, que poderiam resultar em vítimas civis. Até agora, não há registo de incidentes graves envolvendo drones no Mali, mas a situação continua a ser monitorizada de perto.

Os próximos meses serão decisivos para avaliar o impacto real da utilização dos Shahed-136 no conflito. Se a estratégia se revelar eficaz, poderá inspirar outras nações africanas a seguir o mesmo caminho. No entanto, se os resultados forem mistos ou negativos, poderá levar a um reavaliação da dependência militar do país e das parcerias internacionais. Por enquanto, o Mali continua a apostar numa abordagem militar para resolver a crise, enquanto a população local aguarda por uma solução que traga segurança e estabilidade duradouras.

Fonte: The Africa Report

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