Quinta-feira, 10 de setembro de 2026Notícias de Angola e o mundo!
  1. Início
  2. Sociedade
  3. Luanda regista mais de 500 casos de anemia falciforme

Elevo os meus olhos para os montes, de onde me vem o socorro. O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Salmos 121:1-2

Sociedade
Por Redacção Angola No Ar

Luanda regista mais de 500 casos de anemia falciforme

Luanda já identificou mais de 500 pessoas com anemia falciforme, uma doença hereditária que afeta os glóbulos vermelhos. As autoridades de saúde alertam para as consequências graves da doença, que provoca dores intensas e anemia crónica. O tema foi discutido durante o II Simpósio Internacional sobre Anemia Falciforme, organizado pelo Hospital Geral de Luanda.

Campanha de consciencialização sobre anemia falciforme em Luanda, com tubos de ensaio e material médico em destaque
Partilhar:WhatsAppFacebook
4 visualizações

A anemia falciforme é uma doença que transforma os glóbulos vermelhos em formas rígidas e alongadas, semelhantes a foices. Esta alteração impede que o sangue circule normalmente, reduzindo a capacidade dos glóbulos vermelhos de transportar oxigénio pelo corpo. Como consequência, os doentes sofrem de dores agudas, fadiga constante e anemia grave, que pode levar a complicações sérias se não for tratada a tempo.

Em Angola, a doença afeta sobretudo crianças e jovens, sendo considerada um problema de saúde pública devido à sua alta prevalência. A falta de programas de rastreio neonatal e de acesso a cuidados médicos especializados agrava ainda mais a situação. Sem diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, a doença pode causar danos irreversíveis nos órgãos e reduzir significativamente a esperança de vida dos doentes.

No Hospital Geral de Luanda, os serviços de saúde já registaram mais de 500 casos da doença. A instituição tem sido um ponto de referência no diagnóstico e tratamento, mas enfrenta desafios como a escassez de medicamentos e a necessidade de formar mais profissionais especializados. Durante o II Simpósio Internacional sobre Anemia Falciforme, especialistas de várias partes do mundo partilharam experiências sobre como melhorar o atendimento aos doentes.

O director provincial da Saúde, Manuel Varela, destacou a importância de reforçar os programas de prevenção e diagnóstico precoce. Segundo ele, a doença não tem cura, mas um acompanhamento médico regular pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos doentes. A discussão no simpósio incluiu também a necessidade de aumentar a formação de profissionais de saúde para lidar com este desafio.

Em países onde a doença é mais comum, como os Estados Unidos e alguns países da Europa, já existem programas de rastreio neonatal obrigatórios. Estes programas permitem identificar recém-nascidos com risco de desenvolver anemia falciforme e iniciar o tratamento precocemente. Em África, onde a doença é especialmente prevalente, países como a Nigéria e a República Democrática do Congo já implementaram medidas semelhantes para reduzir o impacto da doença.

A anemia falciforme é mais frequente em populações com origem na África subsariana, devido à sua ligação genética. Em Angola, onde a maioria da população tem ascendência africana, a doença representa um desafio significativo para o sistema de saúde. A falta de acesso a cuidados médicos de qualidade em muitas regiões do país agrava ainda mais a situação, deixando muitos doentes sem o tratamento necessário.

Os sintomas da doença variam de pessoa para pessoa, mas incluem dores ósseas intensas, infecções frequentes e atraso no crescimento em crianças. Em casos graves, a doença pode levar a complicações como AVC, danos nos pulmões e problemas renais. O tratamento inclui medicamentos para aliviar a dor, transfusões de sangue e, em alguns casos, transplantes de medula óssea.

Apesar dos avanços no tratamento, a doença continua a ser uma das principais causas de morte em crianças com anemia falciforme em países onde o acesso a cuidados médicos é limitado. Em Angola, a situação é ainda mais preocupante devido à falta de recursos e à baixa cobertura dos programas de saúde pública. As autoridades prometem reforçar os esforços para melhorar o diagnóstico e o tratamento, mas reconhecem que ainda há um longo caminho a percorrer.

A discussão no simpósio também abordou a importância da educação da população sobre a doença. Muitos casos poderiam ser evitados ou tratados precocemente se as famílias estivessem mais informadas sobre os sinais e sintomas. A prevenção passa também por campanhas de sensibilização, especialmente em comunidades onde a doença é mais comum.

Os próximos passos incluem a expansão dos programas de rastreio neonatal e a formação de mais profissionais de saúde. As autoridades de saúde também pretendem aumentar a disponibilidade de medicamentos e melhorar a infraestrutura dos hospitais para lidar com a doença. A longo prazo, o objectivo é reduzir o número de casos e melhorar a qualidade de vida dos doentes.

Enquanto isso, as famílias afectadas pela doença continuam a enfrentar desafios diários. O apoio psicológico e social é fundamental para ajudar os doentes e suas famílias a lidar com a doença. Organizações não governamentais e grupos de apoio já estão a trabalhar para fornecer este tipo de assistência, mas o apoio do Estado é essencial para garantir que todos os doentes tenham acesso ao tratamento necessário.

Fonte: Correio da Kianda

encontraste algum erro nesta notícia?

Usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar a tua experiência e apresentar anúncios. Ao clicar em "Aceitar", concordas com o uso de cookies descrito na nossa Política de Privacidade.