Acumulação de lixo em Icolo e Bengo pode causar crise sanitária
A província de Icolo e Bengo enfrenta uma situação crítica com a acumulação de lixo nos municípios do Sequele e Calumbo. A falta de limpeza adequada põe em risco a saúde pública, especialmente com a aproximação da época das chuvas. O governador Auzílio Jacob já alertou a empresa responsável pelo serviço, que recebe mais de 600 milhões de kwanzas por mês.

Nos últimos dois anos, desde que Icolo e Bengo se tornou província, a produção de resíduos aumentou significativamente. A região, que antes fazia parte de Luanda, tem áreas densamente povoadas onde o lixo se acumula diariamente. Nos municípios do Sequele e Calumbo, a situação atingiu níveis preocupantes: montanhas de detritos bloqueiam ruas secundárias, enquanto apenas as vias principais permanecem transitáveis. A falta de recolha regular transformou o problema numa crise ambiental e sanitária iminente.
O governador Auzílio Jacob reuniu-se recentemente com a empresa contratada para a limpeza urbana. Durante a reunião, o governante deixou claro que o governo paga mais de 600 milhões de kwanzas mensais pelo serviço, um valor que considera suficiente para garantir condições mínimas de higiene. No entanto, a empresa alega dificuldades operacionais, apontando falta de recursos como principal obstáculo para cumprir o contrato. O governador avisou que, se não houver melhorias até dezembro, o acordo será rescindido.
A empresa, que venceu recentemente um concurso público para prestar este serviço, enfrenta críticas por não ter conseguido evitar o agravamento da situação. Enquanto isso, o governo estuda alternativas para resolver o problema a curto prazo. Uma das opções em análise é a contratação de cooperativas locais para complementar o trabalho da empresa principal, uma estratégia já adotada em outras regiões com resultados positivos.
Com o fim da época seca em poucas semanas, a chegada das chuvas deve piorar ainda mais o cenário. A água pode espalhar os resíduos acumulados, contaminando solos e fontes de água potável. Especialistas em saúde pública alertam que o risco de surtos de doenças como cólera e diarreia aguda aumenta significativamente nestas condições. A situação é semelhante a casos já registados em outras províncias angolanas, onde a falta de gestão adequada de resíduos levou a crises sanitárias graves.
Em Angola, a gestão de resíduos sólidos é um desafio constante, especialmente nas áreas urbanas e periurbanas. A falta de infraestruturas adequadas e a crescente produção de lixo tornam o problema recorrente em várias províncias. Em Luanda, por exemplo, a acumulação de lixo em bairros como Sambizanga e Cazenga já provocou protestos da população, que exige soluções urgentes. A situação em Icolo e Bengo reflete um padrão que se repete em todo o país: contratos públicos para limpeza urbana nem sempre são cumpridos, enquanto a população sofre as consequências.
A empresa responsável pela limpeza em Icolo e Bengo alega que a falta de meios impede um trabalho mais eficiente. No entanto, o governo provincial já demonstrou disposição para intervir diretamente. Além da possível contratação de cooperativas, estão a ser avaliadas outras medidas, como a fiscalização mais rigorosa e a aplicação de multas em caso de incumprimento. A intenção é garantir que, até ao final do ano, a situação esteja controlada.
A população local já começa a sentir os efeitos da falta de limpeza. Moradores relatam que o mau cheiro e a presença de vetores como moscas e ratos se tornaram constantes, afetando a qualidade de vida. Em bairros mais afastados, o lixo acumulado atrai animais e pode até servir de abrigo para criminosos, agravando problemas de segurança. A situação é tão grave que algumas famílias já começaram a queimar os resíduos em suas próprias casas, uma prática perigosa que pode piorar a poluição do ar.
Para especialistas em gestão ambiental, a crise em Icolo e Bengo é um exemplo de como a falta de planeamento pode agravar problemas simples. Em outros países africanos, soluções como a reciclagem comunitária e a compostagem já foram implementadas com sucesso, reduzindo a quantidade de lixo enviado para aterros. Em Angola, no entanto, a ausência de políticas públicas consistentes deixa as províncias vulneráveis a este tipo de situações.
O governo provincial garante que não vai permitir que a crise se agrave. Além das medidas já anunciadas, estão a ser estudadas parcerias com organizações não governamentais para campanhas de sensibilização sobre o lixo. A ideia é envolver a população na separação de resíduos e no descarte correto, uma prática ainda pouco comum no país.
Enquanto isso, a empresa contratada tem até dezembro para apresentar melhorias. Se não o fizer, o contrato será rescindido, e o governo terá de encontrar rapidamente uma nova solução. A população de Icolo e Bengo espera que as autoridades consigam resolver o problema antes que as chuvas cheguem, evitando uma crise sanitária que poderia ter consequências graves para milhares de famílias.
A situação em Icolo e Bengo serve como alerta para todo o país. A gestão de resíduos é um desafio que exige investimento, fiscalização e participação da comunidade. Sem estas condições, problemas como este podem se repetir em outras províncias, colocando em risco a saúde e o bem-estar de milhões de angolanos.
Fonte: OPaís
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