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O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei? Salmos 27:1

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Por Redacção Angola No Ar

Baixa literacia digital alimenta golpes online em Angola

A falta de preparação técnica dos angolanos para usar a internet abre espaço para que burlões explorem a confiança das pessoas e das empresas. Em Luanda, uma rede criminosa foi desmantelada recentemente após enganar funcionários com identidades falsas de executivos. Especialistas alertam que só a polícia não chega: é preciso ensinar a população a identificar os sinais destes golpes.

Cena de um cibercafé em Angola com pessoas a usar computadores, simbolizando a vulnerabilidade digital e o risco de fraudes financeiras online
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A internet chegou a Angola para ficar, mas nem todos os cidadãos estão preparados para navegar com segurança no mundo digital. Enquanto o acesso à rede cresce, a capacidade de reconhecer ameaças online mantém-se baixa. Este desequilíbrio permite que redes criminosas explorem falhas humanas em vez de tecnológicas, usando métodos cada vez mais sofisticados para roubar dinheiro e dados sensíveis.

Na semana passada, a Polícia Nacional desmantelou uma organização que atuava em Luanda. Os suspeitos usavam identidades falsas de executivos para contactar funcionários de empresas locais e pedir transferências urgentes. A estratégia não era nova: aproveitava a pressão do dia a dia para que as vítimas não tivessem tempo de verificar a veracidade dos pedidos. A operação policial mostrou como os criminosos adaptam técnicas antigas ao ambiente digital, onde a distância física facilita a impunidade.

O caso não é isolado. Em Portugal, um magistrado especializado em cibercrime explicou recentemente que grupos organizados exploram a confiança em hierarquias para enganar funcionários e obter informações ou pagamentos indevidos. A táctica passa por imitar vozes de chefes, assinaturas de e-mails ou até documentos oficiais, tornando os pedidos difíceis de recusar. Esta realidade não é exclusiva de um país: outros territórios africanos já enfrentaram situações semelhantes, com perdas financeiras significativas para empresas e particulares.

O problema tem duas faces. Por um lado, a polícia tenta desmantelar redes criminosas antes que causem mais danos. Por outro, a população precisa de ferramentas para se proteger. Especialistas sublinham que a solução passa por campanhas de sensibilização, não apenas por acções repressivas. Ensinar a reconhecer mensagens suspeitas, verificar origens de contactos e confirmar pedidos urgentes pode reduzir drasticamente o sucesso destes golpes.

A transformação digital em Angola avança a ritmo acelerado, mas a literacia tecnológica não acompanha na mesma proporção. Muitos angolanos ainda dependem de conhecimentos básicos para usar smartphones e computadores, o que os torna alvos fáceis para burlões que exploram a falta de informação. A situação é mais grave em zonas rurais, onde o acesso à internet é recente e a confiança em instituições ainda é alta — o que facilita a manipulação.

As empresas também são vítimas frequentes. Funcionários pressionados por prazos ou com pouca formação técnica podem cair em armadilhas sem perceber. Um simples e-mail com um pedido de pagamento urgente, assinado por um suposto director, pode passar despercebido até ser tarde demais. Para evitar prejuízos, algumas organizações já implementam protocolos de verificação, como contactar directamente os responsáveis antes de efectuar transferências. Mas nem todas têm recursos para adoptar estas medidas.

O impacto destes golpes vai além das perdas financeiras. A confiança nas instituições e nas próprias tecnologias fica abalada. Quando uma pessoa é enganada uma vez, pode hesitar em usar serviços bancários online ou fazer compras pela internet, limitando o desenvolvimento do comércio digital. Em países onde estes crimes proliferaram, as vítimas demoram anos a recuperar a tranquilidade para usar plataformas digitais com segurança.

O Governo angolano já reconheceu a necessidade de combater este fenómeno. Em comunicados recentes, a Polícia Nacional apelou à população para reportar casos suspeitos e evitar partilhar dados pessoais ou financeiros sem confirmação. No entanto, especialistas defendem que as acções policiais devem ser complementadas com educação cívica. Campanhas em escolas, mercados e empresas podem ensinar desde crianças até adultos a identificar sinais de fraude.

A solução não é simples. Enquanto a polícia persegue redes criminosas, a sociedade precisa de se preparar para um mundo onde a internet faz cada vez mais parte do quotidiano. A tecnologia avança, mas a capacidade de usar esses recursos com segurança depende de cada cidadão. Sem investimento em literacia digital, os golpes online continuarão a crescer, prejudicando não só as vítimas directas, mas também a economia como um todo.

O exemplo de Luanda mostra que o problema já está a ser combatido, mas a batalha está longe de terminar. Enquanto houver quem não consiga distinguir um e-mail legítimo de uma armadilha, os criminosos terão sempre uma porta aberta para agir. A única forma de fechar essa porta é através da informação — e é aí que Angola precisa de agir com urgência.

Fonte: Expansão

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