Juventude exige políticas para emprego e formação em Luanda
Centenas de jovens reuniram-se em Luanda para marcar o Dia Internacional da Juventude, a 12 de Agosto, e exigir acções concretas contra o desemprego e a falta de formação profissional. Os líderes das organizações juvenis criticaram a ausência de políticas públicas que respondam às necessidades do mercado de trabalho angolano.

A 12 de Agosto, o Dia Internacional da Juventude serviu como palco para uma mobilização que vai muito além das comemorações habituais. Em Luanda, centenas de jovens, vindos de várias províncias, deixaram claro que o tempo das promessas já passou. As principais reivindicações centraram-se em dois pilares: emprego e formação profissional, dois desafios que afectam directamente o futuro de mais de metade da população angolana.
Os participantes não se limitaram a participar em palestras ou workshops. Exigiram acções práticas e imediatas, especialmente porque muitos enfrentam barreiras que não são apenas económicas. A falta de experiência profissional é um dos principais obstáculos para quem tenta ingressar no mercado de trabalho. Sem oportunidades de estágio ou emprego temporário, muitos jovens vêem-se obrigados a aceitar trabalhos informais ou a prolongar a dependência familiar.
A formação profissional surge como uma solução óbvia, mas ainda pouco acessível. Muitos jovens não têm acesso a cursos técnicos ou profissionalizantes que estejam alinhados com as necessidades do mercado. As instituições de ensino, tanto públicas como privadas, nem sempre oferecem programas que preparem os alunos para as exigências das empresas. Este desfasamento entre a oferta educacional e as necessidades do mercado de trabalho agrava ainda mais a crise de emprego.
Durante o evento, os organizadores apelaram ao Governo para criar programas específicos que facilitem a transição dos jovens para o mercado laboral. A proposta inclui parcerias com empresas para estágios remunerados e cursos técnicos adaptados às realidades regionais. A ideia é simples: aproximar os jovens das empresas e vice-versa, criando um ciclo virtuoso de qualificação e emprego.
A população angolana é maioritariamente jovem, com mais de metade dos cidadãos com menos de 25 anos. Este facto representa tanto uma oportunidade como um desafio. Por um lado, uma juventude qualificada e empregada pode impulsionar o desenvolvimento económico do país. Por outro, um desemprego elevado entre os jovens pode gerar instabilidade social e aumentar a pobreza.
Os participantes do evento deixaram claro que as políticas públicas precisam de ser mais inclusivas. Não basta criar vagas de emprego; é necessário garantir que os jovens tenham as competências necessárias para ocupar essas vagas. A formação profissional deve ser vista como um investimento, não como um gasto.
As reivindicações não ficaram apenas no papel. Os jovens exigiram que as instituições públicas e privadas assumam compromissos concretos. Entre as propostas apresentadas estão a contratação de estagiários e a abertura de vagas para formação profissional. A mensagem é clara: as palavras já não são suficientes. É hora de agir.
Em anos anteriores, outros países africanos já tomaram medidas semelhantes para combater o desemprego juvenil. Alguns optaram por criar programas de empreendedorismo, enquanto outros investiram em parcerias público-privadas para formação técnica. Em Angola, a abordagem ainda parece estar a dar os primeiros passos.
A falta de oportunidades para os jovens não é um problema exclusivo de Angola. Em muitos países, a transição da escola para o trabalho é marcada por incertezas e dificuldades. No entanto, a solução passa sempre por políticas públicas que incentivem a qualificação e a empregabilidade.
Os organizadores do evento em Luanda destacaram que a juventude angolana não quer apenas ser ouvida — quer ser incluída. Isso significa criar condições para que os jovens possam contribuir activamente para o desenvolvimento do país, seja como empregados, empreendedores ou líderes.
A formação profissional e o emprego são temas que transcendem a esfera económica. Eles afectam directamente a coesão social e a estabilidade política. Um jovem desempregado ou sem qualificações enfrenta não só dificuldades económicas, mas também um sentimento de exclusão que pode levar a comportamentos de risco.
O Governo angolano já reconheceu a importância de investir na juventude. No entanto, a implementação de políticas efectivas ainda enfrenta desafios, como a burocracia e a falta de recursos. A pressão dos jovens é um sinal de que o tempo de discussões genéricas já passou.
Os próximos passos dependem da vontade política e da capacidade de resposta das instituições. Os jovens exigem não só programas de formação, mas também oportunidades de emprego digno. Sem isso, o ciclo de promessas vazias corre o risco de se repetir.
A mensagem deixada em Luanda é um alerta para todos os actores envolvidos: a juventude angolana não pode esperar mais. As soluções existem, mas é necessário vontade política e acção concreta para as implementar. O futuro de Angola depende, em grande parte, da capacidade de transformar este apelo em realidade.
Fonte: Correio da Kianda
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