Livro infantil ensina ética e compliance às crianças angolanas
A jurista Nádia Feijó lançou o livro infantil "Compliance na Raiz", uma obra que introduz conceitos de integridade e responsabilidade às crianças angolanas. A iniciativa surge da preocupação com a falta de formação cívica desde a infância, um problema que afeta o desenvolvimento económico do país.

A obra "Compliance na Raiz" marca a estreia de Nádia Feijó na literatura infantil, mas não é apenas um livro: é um convite para repensar como Angola educa as suas gerações mais novas. A autora, especialista em compliance, defende que a raiz dos problemas económicos e sociais do país pode estar na falta de valores éticos desde a infância. Em vez de corrigir erros em adultos — um processo caro e muitas vezes ineficaz —, a solução passa por moldar desde cedo cidadãos conscientes e responsáveis.
O livro aborda temas como honestidade, respeito e cidadania de forma acessível às crianças, usando uma linguagem adaptada aos mais novos. A ideia não é apenas transmitir regras, mas sim construir uma base sólida de integridade que acompanhe os angolanos ao longo da vida. Para Feijó, a educação ética na infância é tão importante quanto a alfabetização ou a matemática, pois sem ela, os restantes esforços de desenvolvimento podem ficar comprometidos.
A autora explica que o seu trabalho diário em compliance a levou a observar um padrão preocupante: Angola gasta milhões em auditorias e processos de correção de irregularidades, mas os resultados nem sempre são duradouros. Muitas vezes, os problemas repetem-se porque as pessoas não internalizaram os valores necessários para agir corretamente. É como tentar consertar uma árvore que cresceu torta: o esforço é grande, mas o resultado nem sempre é o desejado.
Este tipo de abordagem não é exclusivo de Angola. Em vários países, já se percebeu que a prevenção é mais eficaz do que a correção. Programas de educação ética em escolas, desde cedo, têm mostrado resultados positivos em nações com realidades semelhantes. A diferença está em como esses valores são transmitidos: enquanto alguns países optam por palestras formais, outros apostam em ferramentas lúdicas, como livros infantis, que facilitam a aprendizagem.
A obra de Feijó insere-se numa tendência crescente de valorização da ética desde a infância. Em Angola, a educação cívica ainda enfrenta desafios, como a falta de materiais didáticos adaptados ou a sobrecarga de conteúdos nas escolas. No entanto, iniciativas como esta mostram que é possível inovar mesmo com recursos limitados. O livro não substitui o papel da escola ou da família, mas oferece uma ferramenta adicional para reforçar valores essenciais.
Para os pais e educadores, a obra surge como um apoio concreto. Em um país onde a corrupção e a falta de transparência ainda são problemas recorrentes, formar cidadãos íntegros desde cedo pode fazer a diferença no futuro. A integridade não é um conceito abstrato: ela se reflete em atos simples, como devolver um troco a mais, respeitar filas ou cumprir prazos. Pequenos gestos que, quando multiplicados por milhões, podem transformar a sociedade.
A autora espera que o livro chegue não só às crianças, mas também aos adultos que as acompanham. Afinal, a educação ética é um esforço coletivo. Se as crianças aprenderem desde cedo a importância da responsabilidade, é provável que, no futuro, o país tenha menos casos de inconformidades e mais ambientes de negócios transparentes.
O lançamento do livro é apenas o primeiro passo. A próxima fase será acompanhar como a obra é recebida e se ela consegue, de facto, inspirar mudanças. Por enquanto, o foco está em disseminar a ideia de que a ética não é um assunto para adultos, mas sim uma semente que deve ser plantada desde cedo. E, em Angola, onde o futuro económico depende cada vez mais da confiança e da integridade, essa semente pode ser a chave para um desenvolvimento mais sustentável.
Fonte: Expansão
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