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Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. 1 Pedro 5:7

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Por Redacção Angola No Ar

Trabalhador morre em queda de prédio em Icolo e Bengo

Um jovem de 26 anos perdeu a vida esta terça-feira na Centralidade do Sequele, no município do Icolo e Bengo, após cair de um prédio de oito andares. O acidente aconteceu enquanto executava tarefas de manutenção num dos empreendimentos em construção da zona. As causas do acidente ainda não foram esclarecidas pelas autoridades locais.

Cena de obra em prédio de oito andares na Centralidade do Sequele, com guindastes amarelos e trabalhadores em capacete
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O acidente ocorreu por volta das nove horas da manhã, quando Ernesto Dembo — identificado pelas autoridades como o trabalhador — realizava serviços de jardinagem e limpeza num dos edifícios da Centralidade do Sequele. O prédio, ainda em fase de construção, já atingia oito andares, reflectindo o ritmo acelerado das obras na região. Segundo informações preliminares, a vítima não tinha familiares residentes em Luanda, o que dificultou o contacto com a família para notificações e apoio imediato.

As causas exactas da queda permanecem desconhecidas. A polícia do Icolo e Bengo confirmou a ocorrência e abriu inquérito para apurar responsabilidades, mas até ao momento não há detalhes sobre possíveis falhas estruturais, equipamentos inadequados ou erros humanos. A empresa responsável pela obra ainda não se pronunciou publicamente sobre o acidente, nem sobre as condições de segurança no estaleiro.

A Centralidade do Sequele é uma das zonas de expansão urbana mais dinâmicas de Angola nos últimos anos. Localizada a poucos quilómetros da capital, Luanda, a área tem atraído investimentos em habitação e infra-estruturas, mas também enfrenta desafios relacionados com a fiscalização das obras e a protecção dos trabalhadores. Fontes locais referem que a fiscalização nestes empreendimentos nem sempre é constante, o que pode contribuir para situações de risco.

Acidentes como este não são casos isolados em Angola. Em anos recentes, a rápida urbanização e a falta de fiscalização adequada têm deixado trabalhadores expostos a condições perigosas. Em 2023, o Ministério da Construção registou uma dezena de acidentes semelhantes em Luanda e arredores, resultando em várias mortes. Estes números reflectem um problema mais amplo no sector da construção civil angolano, onde a pressa por concluir projectos muitas vezes se sobrepõe às normas de segurança.

A queda de trabalhadores em estaleiros é um fenómeno recorrente em países com crescimento urbano acelerado. Em muitos casos, a falta de formação adequada, equipamentos de protecção individual insuficientes e a ausência de supervisão constante são factores que aumentam os riscos. Especialistas ouvidos em ocasiões anteriores já alertaram para a necessidade de reforçar as inspecções nos estaleiros e de garantir que as empresas cumpram as leis laborais e de segurança.

A polícia do Icolo e Bengo pediu a moradores e trabalhadores que denunciem irregularidades em obras, como falta de equipamentos de segurança ou condições inadequadas. A medida surge num contexto em que a população é chamada a participar na fiscalização, dado que as autoridades nem sempre conseguem cobrir todas as frentes. No entanto, activistas e sindicatos questionam a eficácia destas campanhas, argumentando que a denúncia por si só não resolve a raiz do problema.

A empresa responsável pelo empreendimento onde ocorreu a queda ainda não se manifestou publicamente. Em situações semelhantes, as entidades envolvidas costumam emitir comunicados de pesar ou prometer investigações internas, mas nem sempre os resultados são tornados públicos. A falta de transparência nestes casos deixa dúvidas sobre a seriedade com que as empresas tratam a segurança dos seus trabalhadores.

Para os moradores da Centralidade do Sequele, a notícia do acidente reforça a preocupação com a segurança nas obras vizinhas. Muitos residentes já haviam expressado receios sobre o ritmo das construções e a falta de sinalização adequada em zonas de trânsito intenso. A proximidade entre os estaleiros e as áreas residenciais torna ainda mais urgente a adopção de medidas preventivas.

Especialistas em segurança no trabalho destacam que a prevenção de acidentes passa por três pilares: formação contínua dos trabalhadores, fiscalização rigorosa e investimento em equipamentos adequados. Em Angola, onde o sector da construção é um dos que mais emprega, a implementação destas medidas poderia reduzir significativamente o número de ocorrências graves. No entanto, a realidade mostra que ainda há um longo caminho a percorrer.

Enquanto as investigações não avançam, a família da vítima aguarda por respostas. A polícia já contactou as autoridades competentes para proceder à entrega do corpo, mas o processo pode demorar devido à necessidade de conclusão do inquérito. Para a comunidade local, o acidente serve como um alerta sobre os riscos associados ao crescimento urbano desordenado e à falta de fiscalização efectiva.

A situação na Centralidade do Sequele levanta ainda questões sobre o futuro da urbanização em Angola. Com projectos a nascerem a um ritmo acelerado, é fundamental que as autoridades e as empresas responsáveis priorizem a segurança dos trabalhadores e dos cidadãos. Até lá, casos como este continuarão a ocorrer, deixando famílias enlutadas e comunidades preocupadas com os perigos escondidos por trás do progresso visível.

Fonte: Correio da Kianda

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