Trabalhador morre em queda de prédio em Icolo e Bengo
Um jovem de 26 anos perdeu a vida esta terça-feira na Centralidade do Sequele, no município do Icolo e Bengo, após cair de um prédio de oito andares. O acidente aconteceu enquanto executava tarefas de manutenção num dos empreendimentos em construção da zona. As causas do acidente ainda não foram esclarecidas pelas autoridades locais.

O acidente ocorreu por volta das nove horas da manhã, quando Ernesto Dembo — identificado pelas autoridades como o trabalhador — realizava serviços de jardinagem e limpeza num dos edifícios da Centralidade do Sequele. O prédio, ainda em fase de construção, já atingia oito andares, reflectindo o ritmo acelerado das obras na região. Segundo informações preliminares, a vítima não tinha familiares residentes em Luanda, o que dificultou o contacto com a família para notificações e apoio imediato.
As causas exactas da queda permanecem desconhecidas. A polícia do Icolo e Bengo confirmou a ocorrência e abriu inquérito para apurar responsabilidades, mas até ao momento não há detalhes sobre possíveis falhas estruturais, equipamentos inadequados ou erros humanos. A empresa responsável pela obra ainda não se pronunciou publicamente sobre o acidente, nem sobre as condições de segurança no estaleiro.
A Centralidade do Sequele é uma das zonas de expansão urbana mais dinâmicas de Angola nos últimos anos. Localizada a poucos quilómetros da capital, Luanda, a área tem atraído investimentos em habitação e infra-estruturas, mas também enfrenta desafios relacionados com a fiscalização das obras e a protecção dos trabalhadores. Fontes locais referem que a fiscalização nestes empreendimentos nem sempre é constante, o que pode contribuir para situações de risco.
Acidentes como este não são casos isolados em Angola. Em anos recentes, a rápida urbanização e a falta de fiscalização adequada têm deixado trabalhadores expostos a condições perigosas. Em 2023, o Ministério da Construção registou uma dezena de acidentes semelhantes em Luanda e arredores, resultando em várias mortes. Estes números reflectem um problema mais amplo no sector da construção civil angolano, onde a pressa por concluir projectos muitas vezes se sobrepõe às normas de segurança.
A queda de trabalhadores em estaleiros é um fenómeno recorrente em países com crescimento urbano acelerado. Em muitos casos, a falta de formação adequada, equipamentos de protecção individual insuficientes e a ausência de supervisão constante são factores que aumentam os riscos. Especialistas ouvidos em ocasiões anteriores já alertaram para a necessidade de reforçar as inspecções nos estaleiros e de garantir que as empresas cumpram as leis laborais e de segurança.
A polícia do Icolo e Bengo pediu a moradores e trabalhadores que denunciem irregularidades em obras, como falta de equipamentos de segurança ou condições inadequadas. A medida surge num contexto em que a população é chamada a participar na fiscalização, dado que as autoridades nem sempre conseguem cobrir todas as frentes. No entanto, activistas e sindicatos questionam a eficácia destas campanhas, argumentando que a denúncia por si só não resolve a raiz do problema.
A empresa responsável pelo empreendimento onde ocorreu a queda ainda não se manifestou publicamente. Em situações semelhantes, as entidades envolvidas costumam emitir comunicados de pesar ou prometer investigações internas, mas nem sempre os resultados são tornados públicos. A falta de transparência nestes casos deixa dúvidas sobre a seriedade com que as empresas tratam a segurança dos seus trabalhadores.
Para os moradores da Centralidade do Sequele, a notícia do acidente reforça a preocupação com a segurança nas obras vizinhas. Muitos residentes já haviam expressado receios sobre o ritmo das construções e a falta de sinalização adequada em zonas de trânsito intenso. A proximidade entre os estaleiros e as áreas residenciais torna ainda mais urgente a adopção de medidas preventivas.
Especialistas em segurança no trabalho destacam que a prevenção de acidentes passa por três pilares: formação contínua dos trabalhadores, fiscalização rigorosa e investimento em equipamentos adequados. Em Angola, onde o sector da construção é um dos que mais emprega, a implementação destas medidas poderia reduzir significativamente o número de ocorrências graves. No entanto, a realidade mostra que ainda há um longo caminho a percorrer.
Enquanto as investigações não avançam, a família da vítima aguarda por respostas. A polícia já contactou as autoridades competentes para proceder à entrega do corpo, mas o processo pode demorar devido à necessidade de conclusão do inquérito. Para a comunidade local, o acidente serve como um alerta sobre os riscos associados ao crescimento urbano desordenado e à falta de fiscalização efectiva.
A situação na Centralidade do Sequele levanta ainda questões sobre o futuro da urbanização em Angola. Com projectos a nascerem a um ritmo acelerado, é fundamental que as autoridades e as empresas responsáveis priorizem a segurança dos trabalhadores e dos cidadãos. Até lá, casos como este continuarão a ocorrer, deixando famílias enlutadas e comunidades preocupadas com os perigos escondidos por trás do progresso visível.
Fonte: Correio da Kianda
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