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Por Redacção Angola No Ar

Zâmbia: Hichilema mantém poder com 61% e oposição acusa fraudes

O Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, renovou o mandato para mais cinco anos ao obter 61,4% dos votos nas eleições de 13 de Agosto. A Comissão Eleitoral local confirmou o resultado, mas a oposição rejeita a vitória e denuncia irregularidades no processo. A tensão instalou-se no país, que vive um momento de transição política após anos de instabilidade regional.

Urna de voto vazia com caixas de sufrágio ao fundo, cores da bandeira da Zâmbia visíveis, representando as eleições presidenciais de 2024
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Hakainde Hichilema regressa ao Palácio da Independência em Lusaca com um novo mandato de cinco anos. A vitória, anunciada pela Comissão Eleitoral zambiana, foi alcançada com uma margem confortável de 23 pontos percentuais sobre o principal rival, Brian Mundubile, que obteve 38% dos votos. A participação superou os 70%, um sinal de mobilização cívica que contrasta com o ambiente de desconfiança que paira sobre o processo eleitoral. Os resultados finais foram validados após a contagem de todas as urnas, mas a oposição já anunciou que não reconhece o desfecho e prepara-se para contestar judicialmente a decisão.

A polémica instalou-se antes mesmo do encerramento das mesas de voto. A oposição alegou atrasos na abertura de secções eleitorais em várias províncias, bem como falta de transparência em algumas zonas rurais. A Comissão Eleitoral negou as acusações, garantindo que todas as normas foram cumpridas e que os votos por contabilizar não alterariam o resultado. Contudo, a desconfiança persiste, alimentada por experiências passadas em que eleições na região deixaram marcas de divisão.

Este segundo mandato de Hichilema surge num contexto de reformas económicas e tentativas de combater a corrupção, iniciadas em 2021. O presidente herdou um país com desafios estruturais, incluindo uma dívida pública elevada e uma população jovem em busca de oportunidades. Durante a campanha, prometeu manter o rumo das políticas implementadas, com foco na estabilidade macroeconómica e na diversificação da economia, dependente em grande medida do cobre. A sua reeleição é vista por muitos como um sinal de continuidade num momento em que vários vizinhos enfrentam crises políticas ou instabilidade.

Os observadores internacionais, como a União Africana, já tinham destacado a organização do processo eleitoral, embora tenham feito recomendações para melhorias em futuros escrutínios. A Zâmbia, tradicionalmente um dos países mais estáveis da África Austral, mantém-se como um ponto de equilíbrio numa região onde a democracia é frequentemente testada por conflitos ou golpes de Estado. A vitória de Hichilema pode ser interpretada como um voto pela manutenção da ordem, mesmo que a sombra das irregularidades eleitorais continue a pairar.

A oposição, liderada pelo derrotado Brian Mundubile, já anunciou que recorrerá aos tribunais para contestar o resultado. A estratégia passa por apresentar provas das supostas irregularidades, embora a Comissão Eleitoral já tenha rejeitado todas as alegações. Este cenário lembra outros casos em que eleições contestadas levaram a longas disputas judiciais, com consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional. Em países vizinhos, resultados eleitorais questionados já resultaram em protestos violentos ou em governos de unidade nacional forçada.

Para os cidadãos zambianos, a incerteza atual é apenas mais um capítulo num percurso marcado por transformações. Desde a independência, em 1964, o país experimentou diferentes modelos de governação, desde regimes autoritários até à democracia multipartidária. Hichilema representa a terceira geração de líderes, após um período de transição que trouxe esperança de mudança, mas também decepções. A sua capacidade de governar com legitimidade será posta à prova nos próximos meses, especialmente se a contestação judicial se prolongar.

A economia zambiana, embora enfrente dificuldades, tem mostrado sinais de recuperação graças a acordos com credores internacionais e a reformas estruturais. O cobre, principal produto de exportação, tem registado flutuações de preço que afectam as receitas do Estado. Hichilema herdou uma dívida externa que ultrapassa os 15 mil milhões de dólares, um fardo que limita a margem de manobra do governo. A sua reeleição pode ser vista como um voto de confiança na sua capacidade de gerir estas pressões, mas também como um sinal de que os eleitores preferem a estabilidade à incerteza.

A sociedade zambiana está dividida entre o apoio ao presidente e a desconfiança em relação ao processo eleitoral. Nas cidades, a classe média e os jovens manifestam maior entusiasmo pelas reformas económicas, enquanto nas zonas rurais, onde o acesso à informação é mais limitado, as acusações de irregularidades ganham mais eco. A polarização política não é nova na Zâmbia, mas desta vez o risco de escalada é maior, dada a margem apertada entre os dois principais candidatos.

Os próximos passos serão determinantes. A Comissão Eleitoral já declarou os resultados definitivos, mas a oposição promete levar o caso aos tribunais. Se os recursos forem rejeitados, Hichilema poderá governar com maior tranquilidade, embora a sombra das acusações de fraude continue a afectar a sua imagem. Caso contrário, o país poderá enfrentar uma crise institucional, com consequências imprevisíveis para a sua estabilidade. Em África, eleições contestadas já levaram a transições pacíficas, mas também a conflitos prolongados. A Zâmbia terá de encontrar o seu próprio caminho neste cenário complexo.

Fonte: Correio da Kianda

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