Governo acelera obras de água em Waku Kungo por crise de abastecimento
O Governo angolano determinou a aceleração das obras de reabilitação e expansão do sistema de distribuição de água no município de Waku Kungo, no Cuanza Sul. A decisão foi oficializada através de um despacho presidencial publicado no Diário da República a 10 de Agosto de 2026, numa resposta directa às dificuldades enfrentadas pela população local.

A falta de água potável em Waku Kungo já dura há vários meses, prejudicando não só as famílias como também as actividades económicas da região. As infraestruturas existentes não conseguem acompanhar a procura, resultando em cortes frequentes e longas filas nos pontos de recolha. A medida anunciada pelo Executivo surge como uma tentativa de resolver um problema que se agravou com o tempo, após anos de investimentos insuficientes no sector.
O despacho presidencial reforça a urgência das obras, que incluem a reabilitação de redes antigas e a ampliação da capacidade de distribuição. O objectivo é reduzir os cortes e garantir um fornecimento mais estável, embora a população ainda espere por melhorias rápidas. A crise afecta sobretudo as zonas mais afastadas do centro urbano, onde a infraestrutura é mais precária.
O Cuanza Sul, província onde se localiza Waku Kungo, tem sido alvo de investimentos recentes em infraestruturas de água, mas a seca prolongada e a degradação dos sistemas existentes agravam a situação. O Governo já anunciou que irá monitorizar a execução das obras para evitar novos atrasos ou problemas. No entanto, especialistas alertam que, sem manutenção contínua, os sistemas podem voltar a degradar-se rapidamente.
Casos semelhantes já aconteceram em outras províncias angolanas, onde investimentos pontuais não resolveram a crise estrutural. Em províncias como o Huambo ou a Huíla, a falta de água potável levou a protestos e a um aumento da dependência de soluções alternativas, como poços comunitários. A situação em Waku Kungo reflecte um padrão que se repete em várias regiões do país, onde a gestão dos recursos hídricos nem sempre acompanha o crescimento populacional.
A crise em Waku Kungo não é apenas um problema local. Em África, muitos países enfrentam desafios semelhantes, com sistemas de água que não conseguem responder às necessidades das populações. Em Moçambique, por exemplo, a falta de manutenção das redes levou a perdas significativas de água potável antes mesmo de chegar aos consumidores. Em Angola, a situação é agravada pela sazonalidade das chuvas e pela falta de investimento em tecnologias de armazenamento e tratamento.
As obras em curso em Waku Kungo incluem também a substituição de tubagens danificadas e a construção de novos reservatórios. No entanto, a população local teme que, sem fiscalização rigorosa, os materiais usados possam não ser de qualidade ou que as obras sejam concluídas apressadamente. A experiência de outras regiões mostra que, mesmo com investimentos, a falta de acompanhamento pode comprometer os resultados.
O Governo já garantiu que as obras serão concluídas dentro dos prazos estabelecidos, mas a população continua cética. Em Waku Kungo, muitos moradores recordam-se de promessas semelhantes feitas no passado, que nunca se concretizaram. A desconfiança é alimentada pela falta de transparência em projectos anteriores, onde os prazos foram constantemente adiados.
Para além das obras estruturais, o Executivo anunciou que irá reforçar a fiscalização dos serviços de água na província. A ideia é evitar que novos problemas surjam após a conclusão das intervenções. No entanto, especialistas sublinham que a solução definitiva passa por um plano de longo prazo, que inclua não só a reabilitação das redes como também a formação de técnicos locais e a educação da população sobre o uso responsável da água.
A crise em Waku Kungo é um exemplo de como a falta de planeamento pode agravar problemas que, noutras circunstâncias, seriam mais fáceis de resolver. Enquanto as obras avançam, a população aguarda com esperança, mas também com receio de que a história se repita. O Governo garante que desta vez será diferente, mas só o tempo dirá se as medidas serão suficientes para garantir um abastecimento estável e duradouro.
Fonte: Correio da Kianda
encontraste algum erro nesta notícia?
