Crise de água no Waku Kungo leva Governo a agir com urgência
O Governo angolano declarou prioridade máxima às obras de reabilitação e expansão do sistema de abastecimento de água no município do Waku Kungo, no Cuanza Sul. A decisão, formalizada num despacho presidencial, surge após anos de escassez crónica que obrigou a população a recorrer a soluções improvisadas. A medida visa garantir acesso regular à água potável para milhares de famílias afectadas pela crise.

A falta de água potável no Waku Kungo não é um problema recente. Há anos que as famílias da região enfrentam longos períodos sem água corrente, obrigando-as a depender de poços comunitários ou de soluções individuais, muitas vezes inseguras. A situação agravou-se nos últimos tempos, com a população a relatar cortes cada vez mais frequentes e prolongados. As autoridades locais já tinham alertado para a necessidade de actuação rápida, mas a resposta até agora não foi suficiente para resolver o problema de forma definitiva.
O despacho presidencial que reforça as obras em curso surge como uma tentativa de inverter este cenário. O documento oficial não especifica valores, mas refere a alocação de recursos para reabilitar infraestruturas antigas e expandir a rede de distribuição. Entre as acções previstas estão a substituição de tubagens degradadas e a construção de novos reservatórios, medidas que, segundo o Governo, estão alinhadas com as directrizes nacionais para a gestão de recursos hídricos. No entanto, a execução dependerá da disponibilidade de meios e de uma fiscalização rigorosa para evitar atrasos ou desvios de verbas.
O Waku Kungo é um dos municípios mais populosos do Cuanza Sul, o que torna a crise ainda mais preocupante. A escassez de água afecta não só o consumo doméstico, como também actividades económicas essenciais, como a agricultura e o comércio local. Muitos agricultores dependem de irrigação para as suas culturas, e a falta de água coloca em risco a segurança alimentar da região. Além disso, a ausência de água potável aumenta o risco de doenças, especialmente entre crianças e idosos, que são mais vulneráveis a infecções transmitidas pela água contaminada.
A população local aguarda resultados concretos, depois de anos de promessas não cumpridas. Muitos recordam casos semelhantes em outras províncias angolanas, onde obras de reabilitação foram anunciadas com grande expectativa, mas cujos resultados ficaram aquém das necessidades. A falta de transparência nos processos de contratação e fiscalização tem sido um obstáculo recorrente, levando a que projectos importantes não avancem ou sejam executados de forma inadequada.
Em situações de crise hídrica como esta, a resposta do Governo deve ser rápida e efectiva. Outros países africanos já tomaram medidas semelhantes no passado, com resultados variáveis. Em alguns casos, a construção de novas infraestruturas resolveu o problema a longo prazo, enquanto noutros, a falta de manutenção e fiscalização levou ao regresso da escassez. Em Angola, a gestão dos recursos hídricos enfrenta desafios estruturais, como a degradação das redes de distribuição e a falta de investimento contínuo em tecnologias de tratamento e armazenamento.
A reabilitação do sistema de abastecimento no Waku Kungo será feita em fases, com prioridade para as zonas mais afectadas. O Governo garante que o plano está alinhado com as directrizes nacionais, mas a execução dependerá de vários factores, incluindo a disponibilidade de recursos financeiros e humanos. A fiscalização rigorosa será essencial para assegurar que as obras são concluídas dentro dos prazos e com a qualidade necessária.
Para as famílias do Waku Kungo, a chegada de água corrente não é apenas uma questão de conforto, mas de saúde e dignidade. A água potável é um direito básico, e a sua falta tem consequências graves para a população, especialmente em zonas rurais onde o acesso a serviços básicos é limitado. A esperança é que esta acção do Governo não seja mais uma promessa vazia, mas o início de uma solução duradoura para um problema que se arrasta há demasiado tempo.
A crise no Waku Kungo reflecte um desafio maior que Angola enfrenta há décadas: garantir o acesso universal à água potável. Embora o país tenha feito progressos em algumas áreas, a desigualdade no acesso a este recurso continua a ser um problema sério, especialmente nas regiões mais afastadas dos centros urbanos. A reabilitação do sistema no Waku Kungo poderá servir como um exemplo para outras províncias, mas só o tempo dirá se as medidas anunciadas serão suficientes para resolver a crise de forma definitiva.
Fonte: Correio da Kianda
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