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As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. Lamentações 3:22-23

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Por Redacção Angola No Ar

Gana pede discussão na UA sobre onda de xenofobia na África do Sul

O Presidente do Gana, John Mahama, exigiu esta semana que a União Africana (UA) abra espaço para debater o recrudescimento da xenofobia na África do Sul. A proposta surge num momento em que a violência contra imigrantes sul-africanos se intensifica há semanas, obrigando milhares a abandonar o país.

Bandeiras da União Africana alinhadas à entrada de um centro de conferências diplomáticas.
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A escalada de agressões contra estrangeiros na África do Sul já forçou mais de cem mil pessoas a deixar o território nos últimos dois meses. Os ataques, liderados por grupos locais, alegam que os imigrantes ocupam empregos e esgotam recursos das comunidades. As autoridades ganesas consideram que a discussão formal no âmbito da UA pode oferecer uma via construtiva para resolver o problema de forma duradoura.

John Mahama abordou pessoalmente o tema com o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, durante um encontro em Acra. O chefe de Estado ganês criticou a resposta do Governo sul-africano, acusando-o de não agir com a urgência necessária. Segundo ele, os responsáveis pelos actos xenófobos são conhecidos, mas continuam impunes.

Enquanto as negociações diplomáticas avançam, dois cidadãos ganeses apresentaram uma petição ao Tribunal Penal Internacional para investigar a violência recorrente no país. As autoridades sul-africanas reagiram com cepticismo, classificando o pedido como oportunista.

A África do Sul tem sido palco de ondas de xenofobia nos últimos anos, com padrões que se repetem em ciclos. Em cada episódio, a violência contra imigrantes deixa um rasto de destruição e desloca populações inteiras. Os motivos alegados pelos agressores — competição por empregos e acesso a serviços públicos — são recorrentes, mas as causas profundas vão além da retórica local.

Especialistas em relações internacionais destacam que a xenofobia na África do Sul reflecte tensões económicas e sociais não resolvidas. A desigualdade persistente e a falta de oportunidades para muitos cidadãos sul-africanos alimentam o ressentimento contra quem chega de outros países do continente. Este cenário não é exclusivo da África do Sul: outros países africanos já enfrentaram dinâmicas semelhantes no passado, com respostas que variam entre o diálogo e a repressão.

A resposta das autoridades sul-africanas tem sido alvo de críticas frequentes. Em ocasiões anteriores, a polícia foi acusada de não intervir a tempo ou de minimizar a gravidade dos ataques. A impunidade dos responsáveis é outro ponto de contestação, com organizações de direitos humanos a exigirem acções concretas para travar a violência.

A União Africana, enquanto organização continental, tem um papel central na mediação de conflitos e na promoção da coesão entre os seus membros. A proposta de debate formal sobre a xenofobia na África do Sul pode abrir caminho para uma estratégia colectiva de combate ao fenómeno. Historicamente, a UA já mediou crises semelhantes em outros países, mas a eficácia das suas intervenções depende da vontade política dos Estados-membros.

Para os imigrantes afectados, a situação é desesperadora. Muitos abandonaram bens e empregos para fugir da violência, chegando a países vizinhos em condições precárias. As comunidades de migrantes na África do Sul, que incluem angolanos, nigerianos, zimbabueanos e outros, enfrentam um clima de medo constante.

A petição apresentada ao Tribunal Penal Internacional representa um passo inédito na tentativa de responsabilizar os agressores. Embora o tribunal já tenha lidado com casos de crimes contra a humanidade em África, a sua intervenção nestes episódios de xenofobia permanece controversa. Alguns argumentam que a justiça internacional pode ser uma ferramenta útil, enquanto outros temem que a medida seja vista como uma intromissão nos assuntos internos do país.

A próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo da UA, agendada para Fevereiro, será um momento-chave para discutir o tema. A expectativa é que a pressão internacional e as iniciativas diplomáticas possam levar a acções concretas. Até lá, a situação dos imigrantes na África do Sul continua a ser uma crise humanitária em aberto.

O debate sobre xenofobia na UA não se limita a um acto simbólico. Representa uma oportunidade para os líderes africanos demonstrarem unidade e compromisso com os valores de solidariedade continental. A forma como o tema for abordado poderá influenciar não só a situação na África do Sul, mas também a percepção de África no cenário global.

Enquanto isso, as comunidades de migrantes aguardam por respostas. A esperança é que a discussão na UA não se limite a palavras, mas resulte em medidas efectivas para proteger vidas e garantir direitos básicos. A história recente mostra que a xenofobia na África do Sul não desaparece sem uma abordagem coordenada e sustentada.

Fonte: France 24 Africa

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