Saúde em Luanda: formação de médicos no Pedalé melhora atendimento
O secretário de Estado da Saúde, Leonardo Inocêncio, destacou que a qualificação dos profissionais do hospital Pedalé, em Luanda, é fundamental para elevar a qualidade do atendimento aos pacientes. Durante uma visita ao complexo, o governante sublinhou que a capacitação contínua dos médicos e enfermeiros deve ser uma prioridade do Governo, não apenas em termos teóricos, mas com resultados práticos no serviço público.

O Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha, conhecido como Pedalé, é um dos principais hospitais de Luanda e recebe diariamente centenas de utentes. Para o secretário de Estado da Saúde, Leonardo Inocêncio, a formação dos profissionais que ali trabalham não pode ficar apenas na teoria. O governante defendeu que a qualificação deve traduzir-se em melhorias concretas no atendimento, especialmente num contexto onde os serviços públicos enfrentam desafios como filas de espera e infraestruturas sobrecarregadas.
Durante a visita ao hospital, Inocêncio observou de perto os desafios enfrentados pela instituição. O governante reconheceu que a capacitação dos recursos humanos é um tema recorrente nas discussões sobre a reforma do setor da saúde em Angola. A falta de pessoal qualificado e a sobrecarga das estruturas são problemas que se arrastam há anos, mas que agora ganham novo foco com iniciativas de formação contínua.
O secretário de Estado não avançou com prazos ou metas específicas para as mudanças, mas garantiu que o Executivo está empenhado em apoiar iniciativas que promovam a excelência na saúde pública. Segundo ele, a formação não deve focar-se apenas em técnicas médicas avançadas, mas também em habilidades essenciais como comunicação e gestão de tempo. Estas competências são consideradas fundamentais para um serviço público mais ágil e humanizado, capaz de reduzir o tempo de espera dos pacientes e melhorar a sua experiência nos hospitais.
A capacitação dos profissionais de saúde é um tema que tem vindo a ganhar importância em Angola, à medida que o país tenta modernizar o seu sistema de saúde. Outros hospitais do país enfrentam desafios semelhantes, com serviços sobrecarregados e recursos humanos muitas vezes insuficientes para responder à procura. A formação contínua surge como uma das soluções mais apontadas por especialistas, que defendem que investir em pessoal qualificado é tão importante quanto construir novas infraestruturas.
Em países africanos com sistemas de saúde semelhantes, casos de sucesso já demonstraram que a qualificação dos profissionais pode ter um impacto significativo na qualidade do atendimento. Em Moçambique, por exemplo, programas de formação para enfermeiros e médicos em zonas rurais levaram a uma redução das filas de espera e a uma melhoria na satisfação dos utentes. Embora Angola enfrente realidades distintas, a experiência de outros países pode servir como inspiração para políticas públicas mais eficazes.
No entanto, a implementação de programas de formação contínua não é isenta de desafios. A falta de recursos financeiros e a necessidade de coordenar esforços entre diferentes instituições são obstáculos que o Governo angolano terá de superar. Além disso, a formação deve ser adaptada às necessidades reais dos profissionais, que muitas vezes trabalham em condições adversas e com poucos meios.
Para os utentes do Pedalé, a iniciativa anunciada pelo secretário de Estado representa uma esperança de mudança. Muitos pacientes que frequentam o hospital há anos já sentiram na pele as limitações do sistema, desde longas esperas por consultas até à falta de profissionais especializados. A formação dos médicos e enfermeiros é vista como um passo necessário para inverter esta situação, mesmo que os resultados não sejam imediatos.
A saúde pública em Angola continua a ser um dos setores mais pressionados do país. A pandemia de COVID-19 veio agravar ainda mais os problemas existentes, expondo as fragilidades do sistema. Nesse contexto, iniciativas como a formação de profissionais no Pedalé ganham um novo significado, não só como uma forma de melhorar o atendimento, mas também como um sinal de que o Governo está atento às necessidades da população.
Ainda assim, especialistas alertam que a formação por si só não resolve todos os problemas. É necessário um plano integrado que inclua não só a qualificação dos profissionais, mas também o reforço das infraestruturas, a aquisição de equipamentos e a contratação de mais pessoal. Sem estas medidas complementares, os esforços de formação podem não ter o impacto desejado.
O hospital Pedalé, pela sua dimensão e importância, é um caso de estudo para o resto do país. Se a formação dos seus profissionais resultar em melhorias tangíveis, poderá servir de modelo para outras instituições. Por enquanto, o que se sabe é que o Executivo está empenhado em apoiar iniciativas que promovam a excelência na saúde pública, mas o tempo dirá se os resultados serão à altura das expectativas.
Enquanto isso, os utentes do Pedalé continuam a depositar as suas esperanças nos profissionais que ali trabalham, muitos deles já formados em condições difíceis. A formação contínua pode ser um caminho para elevar a qualidade do serviço, mas depende também da vontade política e dos recursos disponíveis para a colocar em prática.
Fonte: Correio da Kianda
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