Diplomata americano rebate Egipto e Eritreia sobre o Mar Vermelho
O antigo assistente do Secretário de Estado norte-americano Tibor Nagy rejeitou a posição do Egipto e da Eritreia sobre o controlo exclusivo do Mar Vermelho. O diplomata comparou as exigências de soberania marítima à gestão das águas do rio Nilo.

O antigo diplomata norte-americano Tibor Nagy contestou publicamente a posição do Egipto e da Eritreia, que defendem que a segurança e a governação do Mar Vermelho dizem respeito exclusivamente aos países costeiros da região. Nagy, que exerceu o cargo de assistente do Secretário de Estado dos Estados Unidos para os Assuntos Africanos, classificou a postura dos dois governos como contraditória.
Para fundamentar a sua crítica, o diplomata recorreu a uma comparação directa com a disputa geopolítica pela gestão das águas na bacia do rio Nilo. Segundo o antigo responsável pelas relações diplomáticas com o continente africano, se a lógica aplicada ao Mar Vermelho fosse válida, apenas as nações que fornecem água ao Nilo deveriam ter poder de decisão sobre a sua utilização.
A disputa sobre recursos e rotas marítimas
O comentário do diplomata surge no contexto das contínuas negociações e tensões sobre o acesso soberano a rotas marítimas no Corno de África e o aproveitamento equitativo dos recursos hídricos transfronteiriços. A crítica de Nagy aponta para a atitude de países a jusante do Nilo, como o Egipto, que tentam influenciar projectos hídricos em territórios a montante, enquanto procuram afastar nações sem costa de conversas estratégicas no Mar Vermelho.
A soberania e a segurança nas vias marítimas do Mar Vermelho ganharam centralidade nos últimos anos devido ao comércio internacional e às alianças regionais. As declarações do perito norte-americano alinham-se com as pretensões de Estados sem litoral na região, que procuram assegurar pontos de acesso ao mar para fortalecer as suas economias e estabilizar as rotas de exportação.
Fonte: AllAfrica
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