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Por Redacção Angola No Ar

Governo aplica 158 mil milhões para modernizar universidade na Huíla

O Executivo angolano anunciou um investimento de 158 mil milhões de kwanzas na Universidade Mandume Ya Ndemufayo, na província da Huíla. A verba, publicada no Diário da República, destina-se a obras de expansão e aquisição de equipamentos. A decisão reforça a aposta do Estado em infraestruturas académicas fora da capital.

Cena de uma universidade em obras na província da Huíla, com guindastes e edifícios em construção sob luz natural
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O anúncio feito pelo Governo angolano representa um passo significativo na melhoria das condições de ensino superior no interior do país. A Universidade Mandume Ya Ndemufayo, uma das principais instituições do sul de Angola, receberá verbas para obras e equipamentos, num valor que ronda os 149 milhões de euros. A decisão foi oficializada através de um despacho presidencial publicado no Diário da República, confirmando o compromisso do Estado com a descentralização do ensino.

A instituição, nomeada em homenagem ao herói nacional Mandume Ya Ndemufayo, tem vindo a ser alvo de projetos de modernização nos últimos anos. Atualmente, oferece cursos em áreas como ciências, engenharias e ciências sociais, formando profissionais que muitas vezes permanecem na região após a graduação. A expansão das suas infraestruturas é vista como uma resposta à crescente procura por formação universitária em províncias fora de Luanda.

O investimento insere-se numa estratégia mais ampla do Governo para melhorar a qualidade do ensino público em todo o território nacional. Nos últimos anos, têm sido frequentes os anúncios de financiamento para universidades e institutos politécnicos em várias províncias, numa tentativa de reduzir a pressão sobre as instituições da capital. A medida reflecte também a preocupação em formar quadros locais, capazes de impulsionar o desenvolvimento regional.

A gestão dos fundos será da responsabilidade do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, que ficará encarregado de supervisionar a execução das obras e a aquisição de equipamentos. Este ministério tem sido um dos principais impulsionadores de políticas públicas voltadas para a educação e inovação, com um foco crescente na descentralização.

A Universidade Mandume Ya Ndemufayo não é a única beneficiária destes investimentos. Em anos recentes, outras instituições de ensino superior em províncias como Benguela, Cabinda e Malanje também receberam verbas para modernização. A ideia é criar um ecossistema académico mais equilibrado, evitando que estudantes do interior tenham de se deslocar para Luanda em busca de formação.

A descentralização do ensino superior é um tema que tem ganho força em Angola, especialmente após a pandemia. Com a expansão do acesso à internet e a crescente oferta de cursos online, as universidades do interior passaram a ser vistas como alternativas viáveis para muitos estudantes. No entanto, a falta de infraestruturas adequadas continua a ser um dos principais desafios.

Especialistas em educação destacam que investimentos como este são essenciais para reduzir as desigualdades regionais no acesso ao ensino superior. Em países com dimensões semelhantes, como o Brasil ou a África do Sul, políticas de descentralização académica já mostraram resultados positivos na retenção de talentos nas províncias.

Para a Huíla, este financiamento chega num momento em que a província tem vindo a registar um crescimento económico, impulsionado por sectores como a agricultura e a mineração. A presença de uma universidade moderna pode atrair mais jovens para a região, contribuindo para o desenvolvimento local.

A expectativa é que as obras comecem ainda este ano, com prazos que variam consoante a complexidade das intervenções. O Governo já garantiu que os processos serão transparentes, com fiscalização independente para assegurar que os recursos sejam aplicados conforme planeado.

A iniciativa também pode servir de exemplo para outras províncias que ainda não receberam investimentos semelhantes. A longo prazo, a ideia é que Angola consiga formar mais profissionais qualificados fora de Luanda, reduzindo a dependência da capital e promovendo um desenvolvimento mais equilibrado.

Nos próximos meses, o Ministério do Ensino Superior deve apresentar um cronograma detalhado das obras e aquisições. Enquanto isso, a comunidade académica da Huíla aguarda com expectativa o início das transformações que prometem melhorar a qualidade da formação oferecida pela universidade.

O investimento surge num contexto em que o Governo tem reforçado o orçamento para o sector da educação, reconhecendo que a formação de quadros qualificados é fundamental para o crescimento económico do país. A aposta em infraestruturas académicas no interior é, assim, mais um passo nesse sentido.

Fonte: Correio da Kianda

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