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Por Redacção Angola No Ar

Lesoto atrai turistas com única estação de esqui da África

A pequena nação do Lesoto, encravada na África do Sul, tornou-se um destino único no continente durante os meses frios. Nas montanhas Maluti, a estância Afriski oferece a única experiência de esqui da África subsariana, atraindo milhares de visitantes todos os invernos. Com pistas a 3.200 metros de altitude e temperaturas que chegam aos oito graus negativos, o local funciona como um polo turístico raro no hemisfério sul.

Montanhas cobertas de neve com pistas de esqui no Lesoto sob luz natural.
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Nas montanhas Maluti, a 3.200 metros acima do nível do mar, uma paisagem branca e gelada contrasta com o clima tropical que domina grande parte da África. Aqui, entre Junho e Agosto, o Lesoto recebe milhares de turistas que procuram a única estação de esqui operacional em toda a África subsariana. O complexo Afriski, que existe há 25 anos, ocupa cerca de 17 hectares e fica a 80 quilómetros da cidade de Butha-Buthe, oferecendo uma experiência única num continente onde o frio intenso não é comum.

O inverno no hemisfério sul é curto, mas intenso. Nas zonas altas do Lesoto, as temperaturas podem descer até oito graus negativos, criando condições ideais para a prática de desportos de neve. No entanto, a precipitação natural nem sempre é suficiente para manter as pistas em condições. Para garantir que os visitantes têm sempre onde esquiar, a estância recorre a máquinas de neve artificial, um investimento que permite estender a temporada mesmo quando a natureza não colabora.

A maioria dos visitantes chega da vizinha África do Sul, um país onde o esqui não é uma opção acessível. Cerca de 70% dos clientes do Afriski vêm de lá, enquanto os restantes chegam de outras regiões africanas ou até de destinos internacionais. A estância emprega 227 trabalhadores, quase todos cidadãos nacionais do Lesoto, que são apoiados por instrutores sul-africanos especializados em desportos de inverno. Esta combinação de mão de obra local e know-how estrangeiro ajuda a manter o complexo operacional durante toda a temporada.

O turismo é um sector-chave para a economia do Lesoto. Segundo dados recentes, este ramo representa cerca de 7% do Produto Interno Bruto do país, que é estimado em 2,6 mil milhões de dólares norte-americanos. Em dias de maior afluência, o Afriski chega a receber mais de 1.400 visitantes, um número que pode duplicar ou triplicar em finais de semana ou durante feriados. Para um país com apenas 2,3 milhões de habitantes, onde toda a superfície está acima dos mil metros de altitude, o turismo de inverno é uma oportunidade rara de diversificar a economia.

O Lesoto é um dos países mais altos do continente africano. A sua geografia montanhosa não só influencia o clima, tornando-o mais frio do que a maioria das regiões africanas, como também oferece paisagens deslumbrantes que atraem aventureiros e amantes da natureza. Durante o verão, as montanhas transformam-se num cenário verdejante, ideal para caminhadas e passeios de bicicleta. Já no inverno, a neve cobre as encostas, criando um cenário que lembra os Alpes europeus ou as montanhas rochosas da América do Norte.

Apesar de ser um destino de nicho, o Afriski tem vindo a ganhar visibilidade nos últimos anos. Publicações internacionais e redes sociais ajudaram a espalhar a palavra sobre esta experiência única, atraindo não só turistas sul-africanos, mas também visitantes de países como Botswana, Namíbia e até da Europa. A estância já foi mencionada em várias listas de destinos imperdíveis para os meses frios, o que tem contribuído para um aumento gradual no número de visitantes.

O impacto económico do turismo de inverno vai além da receita directa gerada pela venda de bilhetes e aluguer de equipamentos. Hotéis, restaurantes e lojas nas cidades próximas beneficiam com o afluxo de turistas, criando empregos temporários e oportunidades para pequenos negócios. Em Butha-Buthe, por exemplo, muitos moradores encontram trabalho sazonal durante a temporada de esqui, seja como guias, motoristas ou vendedores de produtos locais.

No entanto, o sector enfrenta desafios. A dependência de visitantes estrangeiros torna a economia local vulnerável a factores externos, como crises económicas ou mudanças nas políticas de viagem. Além disso, as alterações climáticas podem afectar a quantidade de neve natural, obrigando a estância a investir cada vez mais em tecnologia para manter as pistas operacionais. Outros países africanos já tomaram medidas semelhantes no passado, mas o Lesoto tem apostado em soluções sustentáveis, como a utilização de energia renovável para alimentar as máquinas de neve.

Para os visitantes, a experiência no Afriski vai além do esqui. A estância oferece actividades como snowboarding, trenós e passeios em motas de neve, além de aulas para iniciantes. Muitos turistas aproveitam a viagem para explorar outras atracções do Lesoto, como os picos das montanhas Maluti ou as aldeias tradicionais, onde podem conhecer a cultura local e experimentar a gastronomia do país.

O sucesso do Afriski mostra como um destino de nicho pode ter um impacto significativo numa economia pequena. Enquanto outros países africanos dependem do turismo de praia ou de safaris, o Lesoto oferece uma alternativa única: o turismo de inverno. Com investimentos contínuos em infraestruturas e marketing, a estância tem potencial para se tornar num dos principais destinos de aventura do continente, atraindo cada vez mais visitantes nos próximos anos.

Fonte: Africa.com

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