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Lança sobre o Senhor o teu fardo, e ele te sustentará; nunca permitirá que o justo seja abalado. Salmos 55:22

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Por Redacção Angola No Ar

Ambientalista pede união contra poluição em Angola

O ambientalista Rafael Lucas defende que o combate à poluição em Angola só será eficaz com acção coordenada entre Governo, empresas e comunidades. Em entrevista à Rádio Correio da Kianda, o especialista destacou os riscos que a degradação ambiental representa para a saúde, a economia e o futuro do país.

Imagem conceptual de um mercado angolano com contentores de reciclagem, simbolizando a luta contra a poluição ambiental no país
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A poluição em Angola não é apenas um problema local. Afecta directamente a saúde das populações, prejudica a actividade económica e contribui para a crise climática global. Rafael Lucas, especialista em impactos ambientais, sublinha que os danos vão muito além dos resíduos visíveis nas ruas ou nas margens dos rios. A poluição sonora nas cidades, por exemplo, aumenta o stress e reduz a qualidade de vida dos cidadãos. Nas zonas industriais, a falta de fiscalização permite que resíduos perigosos contaminem solos e águas, colocando em risco comunidades inteiras.

Para o ambientalista, a solução exige mais do que boas intenções. "O Estado não pode agir sozinho, nem as empresas ou as comunidades. Todos precisam de trabalhar juntos", afirmou. Esta abordagem integrada já foi adoptada em outros países, onde governos, sector privado e sociedade civil desenvolveram planos conjuntos para reduzir emissões e melhorar a gestão de resíduos. Em Angola, contudo, os desafios são maiores devido à extensão territorial e à diversidade de fontes poluentes.

A poluição não conhece fronteiras, lembra Lucas. Os gases emitidos em fábricas ou veículos em Angola podem viajar longas distâncias e afectar países vizinhos. O mesmo acontece com os plásticos que chegam ao mar e prejudicam ecossistemas partilhados. "Os problemas ambientais em Angola também afectam os países vizinhos e o planeta como um todo", alertou. Esta interligação exige que as soluções sejam pensadas a nível regional, com políticas harmonizadas que evitem transferência de problemas de um território para outro.

A gestão inadequada de resíduos é um dos pontos críticos. Em muitas cidades angolanas, o lixo acumula-se em lixeiras a céu aberto, atraindo doenças e contaminando lençóis freáticos. A falta de sistemas de reciclagem agrava a situação, obrigando o país a depender cada vez mais de aterros que já não têm capacidade para absorver a quantidade de detritos produzidos. Empresas que operam em Angola enfrentam pressões crescentes para adoptar práticas mais sustentáveis, mas a transição nem sempre é fácil ou rápida.

A educação ambiental surge como uma ferramenta essencial. Lucas defende que as crianças devem aprender desde cedo a importância de proteger o ambiente. "As crianças são o futuro e precisam de aprender desde cedo a importância de proteger o ambiente", disse. Nas escolas, programas de sensibilização podem ensinar hábitos simples, como separar lixo ou reduzir o uso de plásticos descartáveis. Estas acções, quando replicadas em casa, multiplicam o seu impacto.

As empresas também têm um papel fundamental. A adopção de práticas sustentáveis não só reduz a sua pegada ambiental como melhora a imagem junto dos consumidores. Muitas já substituíram embalagens plásticas por materiais recicláveis ou investiram em tecnologias mais limpas. No entanto, o custo inicial destas mudanças pode ser um obstáculo, especialmente para pequenas e médias empresas. O Governo poderia facilitar este processo com incentivos fiscais ou linhas de crédito específicas.

A fiscalização é outro ponto fraco. Zonas industriais sem monitorização adequada tornam-se focos de poluição incontrolável. A falta de recursos humanos e materiais limita a capacidade das autoridades de fiscalizar todas as áreas problemáticas. Em casos extremos, a poluição industrial já levou ao abandono de comunidades inteiras, obrigadas a procurar novos locais para viver devido à contaminação dos solos e da água.

A crise climática agrava ainda mais os desafios. Secas prolongadas, inundações e temperaturas extremas afectam directamente a agricultura, reduzindo a produção de alimentos e aumentando a pobreza. A poluição contribui para estes fenómenos, criando um ciclo vicioso que prejudica a economia e a vida das pessoas. Países com realidades semelhantes já começaram a implementar medidas de adaptação, como a plantação de árvores para combater a desertificação ou a construção de sistemas de drenagem para evitar inundações.

A sociedade civil também tem um papel activo. Associações ambientalistas organizam limpezas de praias, campanhas de sensibilização e pressionam as autoridades por políticas mais ambiciosas. No entanto, o seu alcance é limitado sem o apoio do Governo e do sector privado. A união destes três pilares — Estado, empresas e comunidades — é a única forma de garantir mudanças duradouras.

Lucas não esconde a urgência da situação. "Não podemos esperar mais. Cada um de nós tem um papel a desempenhar para garantir um futuro mais limpo e saudável para as próximas gerações", concluiu. A mensagem é clara: a acção individual é importante, mas só a colaboração colectiva poderá reverter os danos já causados e prevenir novos prejuízos. O tempo para agir é agora, antes que as consequências se tornem irreversíveis.

Fonte: Correio da Kianda

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