Serviço de emissão de BI em casa custa 250 mil Kz em Luanda
A partir desta terça-feira, os moradores de Luanda podem pedir o bilhete de identidade sem sair de casa. O Ministério da Justiça lançou um serviço que leva o documento até ao domicílio do cidadão, com custos fixos de 250 mil kwanzas para a emissão completa e 10 mil kwanzas apenas para a entrega. A iniciativa quer reduzir filas e facilitar o acesso aos documentos civis.

A novidade chegou com um preço elevado para os padrões angolanos. Para obter o novo bilhete de identidade em casa, o cidadão paga 250 mil kwanzas — um valor que supera em muito o salário mínimo nacional. Quem já tem o documento pré-emitido, mas prefere receber em casa, desembolsa apenas 10 mil kwanzas. A diferença de valores reflete os custos de deslocação das equipas técnicas e a logística envolvida na produção do documento no local.
Por enquanto, o serviço só funciona na capital. O Ministério da Justiça anunciou que a expansão para outras províncias dependerá dos resultados obtidos em Luanda. A medida surge num momento em que o Governo tenta modernizar a administração pública, reduzindo a burocracia e aproximando os serviços dos cidadãos.
A plataforma digital www.bientregas.ao é o primeiro passo para quem quer aderir ao novo sistema. Lá, os interessados preenchem os dados e agendam a visita das equipas responsáveis. Para quem prefere usar o telemóvel, um número de WhatsApp (927 00 50 56) também recebe pedidos. A escolha entre as duas vias depende da familiaridade com a internet e da disponibilidade de tempo de cada pessoa.
Este não é o primeiro esforço do Governo para digitalizar processos que antes exigiam deslocações demoradas. Em anos recentes, Angola tem apostado em soluções semelhantes para outros documentos, como passaportes e certidões. A diferença agora é a deslocação ao domicílio, uma inovação que promete poupar horas de espera em postos de atendimento lotados.
A iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla de descentralização dos serviços públicos. O objectivo é evitar que os cidadãos tenham de percorrer longas distâncias para resolver questões básicas. Em países com realidades semelhantes, casos parecidos já aconteceram antes, com resultados positivos na redução de filas e na satisfação dos utentes.
No entanto, o custo elevado pode afastar parte da população. Em Luanda, onde os preços dos serviços são geralmente mais altos, 250 mil kwanzas representam um investimento significativo. Muitos angolanos ainda dependem de transportes públicos ou de deslocações a pé para resolver documentação, o que torna o novo serviço uma opção viável apenas para quem tem recursos.
Os especialistas em administração pública destacam que a digitalização é um caminho inevitável, mas alertam para a necessidade de equilibrar inovação com acessibilidade. Em outros países africanos, experiências semelhantes começaram com custos baixos para incentivar a adesão, ajustando os valores conforme a procura.
Para os moradores de Luanda, a novidade chega num momento em que a cidade enfrenta desafios de mobilidade e infraestruturas sobrecarregadas. A possibilidade de resolver documentação sem sair de casa é vista como um alívio para quem depende de transportes públicos ou de deslocações demoradas.
Ainda assim, a adesão ao serviço dependerá da confiança na nova plataforma. Muitos cidadãos ainda preferem a segurança dos postos de atendimento presenciais, onde podem esclarecer dúvidas directamente com os funcionários. A transição para o digital exige não só tecnologia, mas também uma mudança de mentalidade por parte da população.
O Governo já anunciou que vai monitorizar os resultados nos primeiros meses. Se a procura for alta e os custos de logística forem controlados, a expansão para outras províncias poderá ser acelerada. Até lá, Luanda será o laboratório desta experiência, que poderá servir de modelo para o resto do país.
Enquanto isso, os cidadãos têm uma escolha a fazer: pagar mais para poupar tempo e evitar filas, ou manter os métodos tradicionais, mesmo que isso signifique mais horas perdidas. A decisão reflecte não só as condições económicas de cada um, mas também a confiança nos novos sistemas.
A longo prazo, o sucesso desta iniciativa poderá influenciar outras áreas da administração pública. Se o serviço de emissão de BI em casa se mostrar eficiente, é provável que outros documentos sigam o mesmo caminho. O objectivo final é claro: tornar a vida dos angolanos mais fácil, um documento de cada vez.
Fonte: OPaís
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