Embaixadora da UE encerra missão em Angola com elogios à cooperação
A representante europeia em Angola, Rosária Bento Paz, concluiu a sua missão no país com uma avaliação positiva da relação bilateral. Durante os três anos à frente da delegação da União Europeia em Luanda, a diplomata destacou o papel do Presidente angolano na estabilidade regional e no fortalecimento dos laços entre a UE e África.

A embaixadora portuguesa Rosária Bento Paz deixou Angola esta semana após três anos à frente da missão europeia no país. No seu balanço final, a representante da União Europeia classificou como positiva a experiência de trabalho em Angola, sublinhando o progresso alcançado na cooperação entre os dois blocos. Em declarações à imprensa local, a diplomata realçou a sétima Cimeira União Europeia-União Africana como um momento decisivo para o diálogo político entre continentes, destacando a importância de encontros como este para aproximar posições e definir prioridades comuns.
Durante a sua passagem por Luanda, Rosária Bento Paz salientou o empenho do chefe de Estado angolano, João Lourenço, na promoção da paz e da segurança no continente. Segundo a diplomata, o Presidente angolano tem sido um parceiro fundamental para a estabilização da região, contribuindo para um ambiente mais previsível nas relações internacionais africanas. Esta avaliação reflecte a crescente relevância de Angola como actor diplomático em África, um papel que tem vindo a ser reforçado nos últimos anos.
A missão da embaixadora termina num contexto em que o país assume uma posição cada vez mais estratégica entre a Europa e o continente africano. Rosária Bento Paz destacou a importância da relação comercial e política entre os dois blocos, especialmente em sectores como energia e segurança, áreas onde a cooperação tem vindo a ganhar novo fôlego. A diplomata referiu que, nos últimos anos, tem-se verificado um interesse crescente por parte de empresas europeias em investir em Angola, impulsionado por reformas económicas e pela estabilidade política que o país tem procurado consolidar.
A relação entre a União Europeia e Angola tem passado por transformações significativas desde o final da guerra civil, em 2002. Nos anos seguintes, o país procurou reintegrar-se na comunidade internacional, reconstruindo laços políticos e económicos com parceiros de todo o mundo. Angola tornou-se, assim, um ponto de ligação entre a África Austral e a Europa, beneficiando da sua posição geográfica e dos seus recursos naturais. A presença de uma missão europeia permanente em Luanda reflecte essa importância crescente, permitindo um diálogo mais directo e frequente entre as duas partes.
A cooperação energética tem sido um dos pilares desta relação. Angola, como um dos maiores produtores de petróleo em África, tem vindo a diversificar os seus parceiros comerciais, reduzindo a dependência de mercados tradicionais. A Europa, por sua vez, tem procurado garantir o acesso a fontes de energia estáveis, especialmente num cenário global marcado por incertezas geopolíticas. A segurança também tem sido uma área de colaboração, com a UE a apoiar iniciativas angolanas no combate ao tráfico de drogas e à criminalidade transfronteiriça.
A passagem de Rosária Bento Paz por Angola ocorre num momento em que o país enfrenta desafios económicos significativos, mas também oportunidades de crescimento. A queda dos preços do petróleo nos últimos anos obrigou o governo a repensar a sua estratégia de desenvolvimento, apostando em sectores como a agricultura, a indústria e as energias renováveis. A diversificação da economia é vista como essencial para reduzir a vulnerabilidade do país face às flutuações do mercado global, e a cooperação com a Europa pode desempenhar um papel importante nesse processo.
A embaixadora portuguesa deixa o país com a missão concluída e um balanço positivo da sua passagem por Angola. Segundo fontes da Rádio Nacional de Angola, a diplomata destacou a hospitalidade e a abertura dos angolanos como factores que facilitaram o seu trabalho. A cooperação entre a União Europeia e Angola continua a ser um exemplo de como dois blocos com interesses distintos podem encontrar pontos de convergência, mesmo em tempos de incerteza global.
Nos próximos meses, espera-se que a relação entre os dois continentes continue a evoluir, com possíveis novos acordos comerciais e projectos de desenvolvimento. A partida de Rosária Bento Paz não significa o fim da presença europeia em Angola, mas sim a transição para uma nova fase, onde a continuidade e a inovação serão essenciais. A missão que se segue terá de lidar com os mesmos desafios, mas também com as oportunidades que surgem da crescente interdependência entre a Europa e África.
Para Angola, a cooperação com a União Europeia representa uma oportunidade para acelerar a sua modernização e integrar-se melhor na economia global. Para a UE, o país africano é um parceiro cada vez mais relevante, tanto do ponto de vista económico como político. A avaliação positiva de Rosária Bento Paz é, assim, um sinal de que o caminho percorrido até aqui tem valido a pena, mas também um incentivo para que ambos os lados continuem a investir na relação bilateral.
Fonte: Google News (Angola)
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