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Por Redacção Angola No Ar

Eleições em São Tomé em risco por falta de fundos

As eleições legislativas, autárquicas e regionais marcadas para 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe podem não se realizar na data prevista. A Comissão Eleitoral Nacional (CEN) alertou que não recebeu os recursos financeiros necessários para organizar o processo, após o Governo não ter libertado os fundos prometidos.

Sala vazia da Comissão Eleitoral de São Tomé e Príncipe com urnas fechadas e papéis espalhados, mostrando a falta de preparação para as eleições por falta de financiamento
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A falta de dinheiro para organizar as eleições em São Tomé e Príncipe não é um problema isolado no continente africano. Em vários países da região, a realização de eleições tem sido adiada ou prejudicada por atrasos na libertação de verbas por parte dos governos. A situação em São Tomé reflecte uma realidade que já se viu antes: quando os recursos não chegam a tempo, o calendário eleitoral sofre abalos que afectam não só a logística, mas também a confiança dos cidadãos no processo democrático.

A Comissão Eleitoral Nacional (CEN) de São Tomé e Príncipe já tinha avisado que precisava de cerca de 27 milhões de dobras para garantir o funcionamento do acto eleitoral. Sem esse dinheiro, a organização das eleições legislativas, autárquicas e regionais fica comprometida. O presidente da CEN, Jeudiger Nascimento, deixou claro que a falta de financiamento coloca em causa a realização do escrutínio na data prevista. A verba em falta é considerada essencial para cobrir despesas como a impressão de boletins de voto, a mobilização dos eleitores e a logística dos postos de votação.

A situação gera preocupação entre os partidos políticos e a sociedade civil. Em São Tomé, como em muitos outros países africanos, as eleições são momentos-chave para a estabilidade política e social. Um adiamento pode desorganizar não só o calendário eleitoral, mas também a vida quotidiana dos cidadãos, que muitas vezes dependem de serviços públicos que só funcionam em períodos de normalidade institucional. A indefinição sobre os fundos pode ainda afectar a transparência do processo, já que a falta de recursos pode levar a improvisações que comprometam a credibilidade do acto eleitoral.

A falta de dinheiro para eleições não é um fenómeno recente. Em anos anteriores, vários países africanos já enfrentaram situações semelhantes, com governos a atrasar a libertação de verbas ou a não disponibilizar os recursos necessários. Nesses casos, a solução passou muitas vezes por adiamentos ou pela redução de custos, o que nem sempre garantiu a qualidade do processo. Em alguns casos, a sociedade civil teve de se mobilizar para pressionar os governos a cumprirem as suas obrigações, enquanto em outros, as eleições acabaram por se realizar com recursos limitados, o que levantou dúvidas sobre a sua legitimidade.

Em São Tomé, a Comissão Eleitoral já tinha alertado para a necessidade de recursos atempados, mas até ao momento não recebeu a resposta necessária. A falta de dinheiro pode afectar desde a logística até à mobilização dos eleitores, colocando em risco a transparência do processo. A situação mantém-se em aberto, enquanto a CEN aguarda pela disponibilização dos fundos ou por uma decisão que garanta a realização das eleições. A indefinição já começa a criar um clima de incerteza entre os partidos políticos e os cidadãos, que temem que o adiamento possa desorganizar ainda mais o calendário político do país.

A falta de financiamento para eleições não afecta apenas São Tomé. Em vários países africanos, a organização de eleições depende em grande medida de recursos externos ou de parcerias com organizações internacionais. Quando esses apoios não chegam a tempo, os governos locais são obrigados a improvisar, o que pode comprometer a qualidade do processo. Em alguns casos, a situação leva a adiamentos que, por sua vez, podem gerar tensões políticas e sociais.

Ainda não há uma posição oficial do Governo de São Tomé e Príncipe sobre o assunto. A falta de comunicação clara sobre o tema aumenta a incerteza e a especulação. Enquanto isso, a Comissão Eleitoral continua a aguardar pela disponibilização dos fundos ou por uma decisão que garanta a realização das eleições. A situação reflecte um problema mais amplo de gestão pública em vários países africanos, onde a falta de planeamento financeiro pode ter consequências directas na vida democrática dos cidadãos.

A realização de eleições é um processo complexo que envolve múltiplas etapas, desde a preparação dos cadernos eleitorais até à organização dos postos de votação. Quando os recursos não chegam a tempo, todas essas etapas são afectadas. Em São Tomé, a falta de dinheiro pode levar a atrasos na impressão de boletins de voto, na mobilização dos eleitores e na logística dos postos de votação. A situação é especialmente preocupante num contexto em que a confiança dos cidadãos no processo eleitoral já é frágil.

Ainda não se sabe quando o Governo de São Tomé e Príncipe irá tomar uma decisão sobre os fundos. A indefinição mantém-se, enquanto a Comissão Eleitoral aguarda por uma resposta. A situação reflecte um problema estrutural que afecta vários países africanos: a falta de planeamento financeiro pode comprometer a realização de eleições, mesmo quando estas são essenciais para a estabilidade política e social.

Fonte: Correio da Kianda

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