Soyo: desnutrição infantil cresce por desmame precoce
No município do Soyo, província do Zaire, mais de 600 crianças foram diagnosticadas com desnutrição severa nos últimos seis meses. As autoridades sanitárias locais apontam o desmame precoce como principal causa do problema, que já resultou em três óbitos infantis. A situação levou os serviços de saúde a reforçar campanhas de sensibilização junto das comunidades.

O desmame precoce antes dos seis meses de idade está a ser considerado o principal factor por trás do aumento preocupante de casos de desnutrição grave em crianças do Soyo. Segundo os serviços de saúde locais, entre janeiro e junho foram registados 612 diagnósticos, três dos quais terminaram em morte. A prática, comum em várias regiões do país, impede que os bebés recebam os nutrientes essenciais do leite materno, deixando-os mais vulneráveis a doenças e à má nutrição.
Muitas mães, por falta de informação ou condições económicas, optam por substituir o aleitamento natural por fórmulas artificiais. No entanto, nem sempre essas alternativas são adequadas ou acessíveis às famílias, o que agrava ainda mais a situação. Os técnicos de saúde destacam que a falta de recursos financeiros e a distância entre as comunidades e os postos médicos dificultam o acesso atempado aos cuidados necessários, tornando o problema ainda mais complexo.
Para combater esta realidade, a direcção provincial de Saúde do Zaire tem vindo a promover acções de formação em várias localidades. As equipas visitam bairros e comunidades rurais para explicar os riscos associados ao desmame precoce e incentivar práticas de aleitamento prolongado. Além das acções de sensibilização, a iniciativa inclui também a distribuição de suplementos alimentares para crianças em situação de risco.
A desnutrição infantil no Soyo não é um caso isolado. Em províncias como o Huambo e a Lunda Norte, os serviços de saúde também reportam números elevados de casos, embora menos graves. Esta situação reflecte um padrão que se repete em várias regiões do país, onde a falta de recursos e as dificuldades logísticas dificultam a implementação de políticas públicas eficazes.
As autoridades admitem que a prevenção e o tratamento da desnutrição exigem um esforço coordenado entre diferentes sectores. A falta de recursos e a distância entre as comunidades e os postos médicos são apenas alguns dos desafios que precisam de ser superados. Neste contexto, o Governo provincial já anunciou a criação de um plano de emergência para o segundo semestre, com foco na distribuição de alimentos fortificados e na capacitação de agentes de saúde comunitários.
A meta é reduzir em 30% os casos de desnutrição até ao final do ano. No entanto, especialistas alertam que, sem um investimento contínuo em educação nutricional e acesso a cuidados de saúde, os resultados podem ser limitados. A desnutrição infantil não afecta apenas a saúde das crianças, mas também o seu desenvolvimento físico e cognitivo, com consequências que se prolongam pela vida adulta.
Em África, casos semelhantes já levaram outros países a implementar programas de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida. Essas experiências mostram que, com políticas públicas consistentes e envolvimento comunitário, é possível reduzir significativamente os índices de desnutrição. No entanto, cada região enfrenta desafios únicos, que exigem soluções adaptadas à realidade local.
A situação no Soyo serve como um alerta para a necessidade de políticas públicas mais robustas e investimentos em saúde preventiva. Enquanto o plano de emergência anunciado pelas autoridades provinciais não for implementado na íntegra, as comunidades continuarão a depender de acções pontuais e de recursos limitados para combater um problema que afecta directamente o futuro das crianças.
A desnutrição infantil é um desafio que transcende fronteiras e exige uma abordagem integrada. Enquanto o país não conseguir garantir acesso universal a cuidados de saúde e educação nutricional, casos como o do Soyo continuarão a surgir, deixando marcas profundas nas gerações vindouras.
Fonte: Correio da Kianda
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