Deslizamento destrói mosteiro na Etiópia e mata 14 pessoas
Um deslizamento de terras soterró um mosteiro ortodoxo na região de Amhara, norte da Etiópia, na manhã da última terça-feira. As fortes chuvas que caem há dias na zona agravaram a instabilidade do solo, resultando em catorze mortes e cinco feridos. Autoridades religiosas locais confirmaram o balanço provisório, alertando para a possibilidade de mais vítimas.

O acidente ocorreu na localidade de Mosteiro, onde o terreno cedeu subitamente após dias de precipitação intensa. O chefe da diocese local, Megabe Hadis Neka Tibeb Ababu, relatou à AFP que os trabalhos de resgate enfrentam dificuldades devido à chuva persistente, que mantém o solo instável e impede o acesso a algumas zonas afectadas. O mosteiro, além de ser um local de peregrinação religiosa, integra o património cultural da região, o que torna a destruição ainda mais significativa para a comunidade.
As equipas de emergência trabalham contra o tempo para retirar vítimas de entre os escombros, mas a chuva contínua adianta os esforços. Segundo testemunhas no local, parte das estruturas do mosteiro desabou completamente, deixando apenas ruínas no seu lugar. A situação agrava-se porque a região já sofre com deslizamentos frequentes durante a estação chuvosa, um fenómeno que se repete todos os anos.
A Etiópia enfrenta há décadas problemas graves relacionados com deslizamentos de terras, especialmente entre junho e setembro, quando as chuvas sazonais são mais intensas. A combinação de solos fragilizados pela desflorestação e chuvas torrenciais torna a zona extremamente vulnerável. Em anos recentes, centenas de pessoas perderam a vida em acidentes semelhantes, com registos de tragédias em várias províncias do país. Especialistas em gestão de riscos ambientais destacam que a falta de políticas de reflorestamento e ordenamento territorial contribui directamente para o aumento da frequência destes desastres.
As autoridades etíopes já emitiram alertas para novos deslizamentos na região, onde a instabilidade do terreno permanece alta. O Governo local prometeu reforçar as medidas de prevenção, incluindo a monitorização constante de áreas de risco e a implementação de sistemas de alerta precoce. No entanto, organizações não governamentais e cientistas alertam que os danos ambientais acumulados ao longo dos anos tornam qualquer solução a longo prazo um desafio complexo.
Esta tragédia surge num momento em que a Etiópia já enfrenta múltiplas crises simultâneas. Além dos deslizamentos, o país lida com conflitos internos em várias regiões e uma grave crise alimentar que afecta milhões de pessoas. A sobreposição de desastres naturais a estes problemas estruturais agrava ainda mais a situação humanitária, obrigando as autoridades a dividir recursos entre respostas de emergência e planos de mitigação.
Casos semelhantes já foram registados noutros países africanos, onde a desflorestação e a urbanização descontrolada aumentam a vulnerabilidade a deslizamentos. Em países como o Quénia, Uganda e República Democrática do Congo, as autoridades têm adoptado medidas como a plantação de árvores em encostas e a realocação de populações de zonas de risco. No entanto, a implementação destas soluções requer tempo e investimento, algo que nem sempre está disponível em nações com recursos limitados.
A reconstrução do mosteiro afectado será outro desafio. Além do valor histórico e religioso do edifício, a sua recuperação dependerá de financiamento externo e da capacidade das comunidades locais em mobilizar recursos. Enquanto isso, as famílias das vítimas lutam para lidar com a perda e a incerteza sobre o futuro da região.
Nos próximos dias, espera-se que as autoridades etíopes revejam os planos de prevenção de desastres, especialmente nas zonas mais afectadas pelas chuvas sazonais. A comunidade internacional já manifestou solidariedade, mas a ajuda efectiva dependerá da coordenação entre governos, organizações não governamentais e agências de cooperação. Enquanto a chuva não parar, o risco de novos acidentes mantém-se elevado, obrigando as equipas de emergência a trabalhar em condições extremamente difíceis.
Fonte: Correio da Kianda
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