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Por Redacção Angola No Ar

Acidente mortal no Cuanza-Sul deixa 22 mortos e 12 feridos

Vinte e duas pessoas morreram carbonizadas na madrugada de segunda-feira num choque violento entre um autocarro e uma motorizada na Estrada Nacional 100, em Cuanza-Sul. Os corpos foram levados para a morgue de Benguela para análise de ADN, enquanto doze passageiros feridos foram hospitalizados em Luanda, quatro deles em estado crítico. A Polícia Nacional investiga as causas do acidente, que já soma mais uma tragédia nas estradas angolanas.

Veículos danificados por incêndio numa estrada angolana, com marcas de acidente e ferramentas de investigação forense ao fundo
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O embate ocorreu por volta das quatro horas da manhã, quando o autocarro — com 47 passageiros a bordo — colidiu frontalmente com a motorizada que transportava quatro pessoas e vários bidões de combustível. O impacto provocou uma explosão imediata, transformando ambos os veículos numa bola de fogo. A maioria das vítimas fatais perdeu a vida carbonizada, um cenário que tem se tornado recorrente em acidentes rodoviários no país, onde a segurança nos transportes colectivos continua a ser um problema grave.

Os corpos das vítimas foram transferidos para a morgue de Benguela, onde a recolha de amostras de ADN é fundamental para confirmar as identidades dos passageiros do autocarro. Segundo os relatos, dezoito dos corpos apresentavam danos irreconhecíveis devido ao fogo, enquanto os restantes quatro, que estavam na motorizada, sofreram menos danos. A prioridade agora é identificar cada uma das vítimas para que as famílias possam ser notificadas e iniciar os trâmites necessários.

Os feridos foram encaminhados para o Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, em Luanda, onde quatro deles permanecem internados em estado grave. Os restantes oito passageiros feridos apresentam lesões menos graves, mas ainda assim requerem acompanhamento médico. A situação dos pacientes é monitorizada de perto, embora os médicos tenham destacado a complexidade dos casos de queimaduras, que exigem cuidados intensivos e tempo de recuperação prolongado.

A Polícia Nacional ainda não divulgou as causas exactas do acidente, mas a investigação está em curso. Entre as hipóteses em análise estão o excesso de velocidade, a falta de manutenção dos veículos e possíveis falhas humanas por parte dos condutores. No entanto, até ao momento, nenhuma conclusão foi apresentada oficialmente. O que se sabe é que a Estrada Nacional 100, onde o acidente ocorreu, é conhecida por ser uma das mais perigosas do país, com um histórico alarmante de sinistros envolvendo transportes colectivos e veículos de carga.

Esta estrada, que liga várias províncias e é vital para o escoamento de mercadorias e passageiros, tem sido palco de inúmeros acidentes ao longo dos anos. A falta de sinalização adequada, a má conservação do pavimento e a ausência de fiscalização efectiva são apontadas como factores que contribuem para a insegurança rodoviária. Em muitos casos, os veículos circulam em más condições, com pneus gastos, travões defeituosos e sistemas eléctricos comprometidos, aumentando exponencialmente o risco de acidentes.

A frequência com que estes incidentes ocorrem tem levado a sociedade civil e especialistas em segurança rodoviária a exigir medidas urgentes por parte das autoridades. Em outros países africanos, já foram implementadas acções como a obrigatoriedade de inspecções técnicas regulares, a limitação da velocidade em zonas críticas e a instalação de radares para coibir o excesso de velocidade. Em Angola, contudo, a aplicação efectiva dessas medidas ainda enfrenta desafios, desde a falta de recursos até à burocracia que atrasa a implementação de políticas públicas.

Os acidentes rodoviários são uma das principais causas de mortalidade no país, superando mesmo doenças como a malária em algumas províncias. Segundo dados do Ministério da Saúde, milhares de angolanos morrem anualmente em estradas, muitos deles jovens em idade produtiva. A perda de vidas não só afecta as famílias directamente envolvidas, como também tem um impacto económico significativo, com custos associados ao tratamento de feridos, perda de mão-de-obra e despesas funerárias.

Para as famílias das vítimas, o acidente representa uma ruptura irreversível. Além da dor da perda, muitos enfrentam dificuldades económicas, uma vez que os principais provedores do lar desapareceram num instante. Em comunidades onde o transporte colectivo é a única opção para deslocações de longa distância, a confiança nos serviços de transporte público fica abalada, levando muitos a optar por viagens mais longas e dispendiosas, mas potencialmente mais seguras.

As autoridades já anunciaram que vão reforçar a fiscalização nas estradas, especialmente em pontos críticos como a Estrada Nacional 100. No entanto, especialistas alertam que medidas isoladas não serão suficientes para resolver um problema estrutural. É necessário um plano integrado que inclua a reabilitação das vias, a formação contínua de condutores, a fiscalização rigorosa das empresas de transporte e a educação da população sobre os riscos da condução perigosa.

Enquanto a investigação do acidente avança, a sociedade angolana volta a debater a segurança rodoviária. A repetição de tragédias como esta levanta questões sobre a prioridade que o Estado dá à vida dos cidadãos. Afinal, quantas vidas serão necessárias perder para que medidas concretas sejam finalmente implementadas?

A Polícia Nacional prometeu apresentar um relatório preliminar nas próximas semanas, mas até lá, as famílias das vítimas aguardam por respostas e justiça. Enquanto isso, a Estrada Nacional 100 continua a ser um corredor de risco, onde a vida de centenas de pessoas depende não só da sorte, mas também da vontade política de mudar um cenário que se repete há demasiado tempo.

Fonte: OPaís

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