Juventude angolana exige mais formação para enfrentar futuro
O Conselho Nacional da Juventude (CNJ) alertou esta semana que os jovens angolanos precisam de mais oportunidades para se prepararem para o mercado de trabalho. A organização defende que a formação profissional, o acesso às tecnologias digitais e o empreendedorismo são essenciais para reduzir o desemprego entre os mais novos.

A juventude angolana enfrenta um dos maiores desafios dos últimos anos: a falta de preparação para um mercado de trabalho cada vez mais exigente. Segundo o vice-presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Maurício Jaca, os jovens precisam de ferramentas concretas para não ficarem para trás. "A juventude angolana tem de estar pronta para os desafios que se avizinham", afirmou o dirigente em declarações ao Correio da Kianda, destacando que a formação técnica e o acesso a novas tecnologias são fundamentais para esse processo.
O CNJ não é a única organização a chamar a atenção para esta realidade. Em Angola, o tema do desemprego jovem tem vindo a ganhar destaque nos últimos anos, à medida que o número de formados nas universidades aumenta sem que o mercado consiga absorver essa mão-de-obra. A falta de oportunidades leva muitos jovens a procurarem alternativas, como o empreendedorismo ou a emigração, numa busca por um futuro mais estável.
Para o CNJ, a habitação digna é outro ponto crítico. Sem um local adequado para viver, muitos jovens vêem as suas ambições limitadas logo à partida. "Sem estas condições, não conseguiremos reduzir o desemprego jovem nem promover o desenvolvimento económico", explicou Maurício Jaca. A organização tem vindo a pressionar o Governo para que sejam criadas políticas públicas mais eficazes nesta área, defendendo que o investimento na juventude é um investimento no futuro do país.
O Dia Internacional da Juventude, assinalado esta semana, serviu como um momento de reflexão sobre estas questões. Jaca aproveitou a data para alertar: "É preciso agir agora, não quando os problemas já estiverem instalados". A mensagem sublinha a urgência de medidas concretas, antes que a situação se agrave ainda mais.
Em África, casos semelhantes já levaram outros governos a implementar programas de formação profissional e de apoio ao empreendedorismo. Embora cada país enfrente desafios distintos, a necessidade de preparar os jovens para o mercado de trabalho é um tema transversal. Em Angola, a discussão ganha ainda mais relevância devido ao crescimento demográfico e à crescente pressão sobre os recursos públicos.
O CNJ tem vindo a dialogar com as autoridades para encontrar soluções, mas até agora não avançou com propostas concretas. A organização garante que continuará a pressionar, mas reconhece que a mudança depende também de vontade política e de investimento. Enquanto isso, muitos jovens continuam a enfrentar dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, seja por falta de experiência, seja por não terem acesso a formação adequada.
A falta de oportunidades não afeta apenas os jovens recém-formados. Muitos que já trabalham em empregos informais ou precários veem as suas condições piorarem com o tempo, sem perspetivas de progressão. A situação é especialmente grave nas zonas urbanas, onde a competição por empregos é maior e os custos de vida são mais altos.
O acesso às tecnologias digitais é outro ponto que o CNJ considera essencial. Num mundo cada vez mais digital, quem não domina as ferramentas básicas corre o risco de ficar excluído. Programas de capacitação em competências digitais poderiam ajudar muitos jovens a encontrar novas oportunidades, seja no mercado local, seja no exterior.
O empreendedorismo surge como uma alternativa para muitos, mas também enfrenta obstáculos. A falta de acesso a financiamento e a burocracia tornam difícil a criação de novos negócios. Mesmo assim, há quem consiga superar essas barreiras e construir projetos bem-sucedidos, servindo de exemplo para outros.
O CNJ defende que, sem um investimento sério na juventude, Angola não conseguirá atingir metas de desenvolvimento sustentável. A organização argumenta que os jovens são o motor do crescimento económico e que, sem eles, o país perderá uma parte fundamental do seu potencial.
Nos próximos meses, o CNJ espera continuar a dialogar com o Governo para encontrar soluções. Enquanto isso, a sociedade angolana debate-se com a questão: como preparar os jovens para um futuro que parece cada vez mais incerto? A resposta pode definir não só o destino de uma geração, mas também o futuro de todo o país.
Fonte: Correio da Kianda
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