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O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei? Salmos 27:1

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Por Redacção Angola No Ar

Chuvas alagam Caxito e deixam moradores sem casa no Bengo

As chuvas intensas que caíram no Bengo nos últimos dias transformaram ruas de Caxito em rios, obrigando dezenas de famílias a abandonar as suas casas. A situação agravou-se depois de uma vala de irrigação transbordar, inundando mais de vinte residências. As autoridades já começaram a deslocar os afectados para abrigos provisórios, enquanto tentam resolver o problema na origem.

Vista de uma vala de irrigação transbordada em Caxito, no Bengo, com casas parcialmente alagadas ao fundo e água barrenta a escorrer pelo canal danificado.
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Na província do Bengo, as chuvas que caem há mais de dois dias deixaram marcas profundas na vida de pelo menos cem pessoas em Caxito. O município do Dande, onde fica a cidade, foi o mais atingido, com inundações que obrigaram as famílias a sair das suas casas de forma repentina. A água invadiu as residências depois de uma vala de irrigação, há muito sem manutenção, não conseguir escoar a quantidade de chuva que caiu. Segundo relatos de moradores, o canal não recebe limpeza há meses, o que agravou o problema quando as chuvas começaram a cair com intensidade.

A falta de cuidado com as infraestruturas de drenagem é um problema que se repete em várias regiões do país, especialmente durante a época das chuvas. Quando os canais não são desassoreados com regularidade, a água não tem para onde ir e acaba por invadir áreas residenciais, destruindo bens e obrigando as pessoas a procurar refúgio. No caso de Caxito, a situação tornou-se crítica porque a vala em questão serve uma área agrícola, mas as casas ficaram no caminho do excesso de água.

As autoridades locais confirmaram que já estão a trabalhar para resolver o problema. A prioridade imediata é garantir abrigo e alimentação aos desalojados, que foram encaminhados para um centro comunitário improvisado. Enquanto isso, as equipas municipais tentam remover o lodo e desobstruir a vala para que a água possa escoar novamente. No entanto, a tarefa não é simples, pois o lodo acumulado ao longo de meses dificulta o trabalho.

Este episódio não é um caso isolado. Em várias províncias angolanas, as chuvas anuais costumam trazer problemas semelhantes quando as infraestruturas de drenagem não acompanham o crescimento das cidades. Em Luanda, por exemplo, as inundações durante a época das chuvas são um problema recorrente, com ruas a transformarem-se em verdadeiros rios e bairros inteiros a ficarem submersos. A diferença é que, em Caxito, o impacto foi mais directo nas casas das pessoas, obrigando-as a deixar tudo para trás.

A província do Bengo tem registado chuvas acima da média nesta época do ano, o que aumenta o risco de inundações. Especialistas em gestão de recursos hídricos já alertaram várias vezes para a necessidade de investir em sistemas de drenagem mais eficientes, especialmente em zonas urbanas e periurbanas. A falta de manutenção nestas infraestruturas não só coloca em risco a vida das pessoas como também pode afectar a agricultura local, que depende de sistemas de irrigação bem conservados.

Para as famílias desalojadas, o regresso às suas casas ainda está longe de acontecer. Além de precisarem de apoio imediato para alimentação e abrigo, terão de esperar que as obras de desobstrução da vala sejam concluídas e que a água recue completamente. Enquanto isso, a vida quotidiana fica interrompida, com a incerteza a pesar sobre o futuro das suas residências.

O problema das inundações em Angola não se resolve apenas com acções de emergência. É necessário um plano a longo prazo que inclua a limpeza regular dos canais, a construção de novas infraestruturas de drenagem e a educação da população sobre os riscos de construir em zonas de risco. Em países com climas semelhantes, já se adoptaram medidas preventivas, como a criação de sistemas de alerta precoce e a implementação de programas de manutenção contínua das valas e esgotos.

As autoridades do Bengo garantem que estão a mobilizar recursos para resolver a situação, mas a verdade é que o problema é maior do que uma simples limpeza. Enquanto não houver um investimento sério em infraestruturas, episódios como este vão continuar a repetir-se, ano após ano, com consequências cada vez mais graves para as populações.

Para os moradores de Caxito, a esperança é que esta situação sirva de alerta para que as autoridades percebam a urgência de agir antes que o próximo período de chuvas chegue. Afinal, quando a água invade as casas, não há tempo para planeamento — só resta correr para salvar o que ainda se pode salvar.

Fonte: Correio da Kianda

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