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Por Redacção Angola No Ar

Cabinda reforça luta contra mpox com 109 casos registados em 2024

A província de Cabinda contabiliza já 109 casos confirmados de mpox desde o início do ano. As autoridades sanitárias mantêm o alerta máximo para evitar que a doença se espalhe pela região. A vigilância apertada e as campanhas de prevenção ganham força em cada comunidade.

Equipas médicas em Cabinda preparam-se para combater o surto de mpox na província angolana
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A mpox, doença também conhecida como varíola dos macacos, voltou a preocupar as autoridades angolanas depois de ter surgido em Cabinda com uma frequência acima do esperado. Desde janeiro, a província regista 109 casos confirmados, um número que, embora não seja considerado alarmante em termos nacionais, exige atenção constante por parte das equipas de saúde. A região, que faz fronteira com a República do Congo, é um ponto estratégico para a entrada de doenças infecciosas, o que justifica a vigilância reforçada que se observa agora.

As autoridades sanitárias da província activaram protocolos de resposta rápida para conter eventuais surtos. Equipas médicas percorrem bairros e comunidades, identificando contactos de casos positivos e monitorizando a evolução da doença. Paralelamente, as campanhas de sensibilização ganham espaço nas rádios locais, nas igrejas e nas reuniões comunitárias, onde se explica como prevenir a transmissão e quais os sintomas a que a população deve estar atenta. A mensagem é clara: evitar contacto com animais doentes e manter hábitos de higiene regulares, como lavar as mãos com frequência e cobrir a boca ao tossir ou espirrar.

A mpox é uma doença viral que se transmite principalmente por contacto directo com pessoas ou animais infectados. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dores musculares intensas e erupções cutâneas que podem aparecer em qualquer parte do corpo. Embora a doença seja geralmente menos grave do que a varíola tradicional, os surtos podem causar pânico em comunidades pouco informadas, especialmente quando não há uma resposta rápida das autoridades. Em Angola, os casos actuais não são vistos como uma emergência de saúde pública, mas a situação exige vigilância constante para evitar que a doença se espalhe para outras províncias.

Cabinda, pela sua localização geográfica, é uma das regiões mais expostas a doenças infecciosas provenientes de países vizinhos. A província partilha fronteiras com a República do Congo e a República Democrática do Congo, dois países que já enfrentaram surtos de mpox em anos anteriores. A mobilidade transfronteiriça, seja por razões comerciais ou familiares, aumenta o risco de entrada de novas doenças no território angolano. Por isso, as equipas de saúde locais trabalham em colaboração com organizações internacionais para garantir que os protocolos de prevenção e resposta sejam eficazes.

O Ministério da Saúde angolano ainda não emitiu um comunicado oficial sobre o surto em Cabinda, mas fontes locais indicam que as acções estão a ser coordenadas a nível provincial e nacional. A estratégia passa por reforçar a capacidade de diagnóstico nos hospitais e postos de saúde, garantir o fornecimento de medicamentos e equipamentos de protecção individual, e formar profissionais de saúde para identificar e tratar casos suspeitos. Além disso, as autoridades estão a trabalhar com líderes comunitários para disseminar informações correctas e combater a desinformação, que pode levar a comportamentos de risco ou ao pânico desnecessário.

A mpox não é uma doença nova em África. Casos semelhantes já foram registados em outros países do continente, onde as autoridades implementaram medidas como quarentenas localizadas, rastreio de contactos e campanhas de vacinação em situações de surto. Em Angola, a abordagem tem sido mais preventiva do que reactiva, com foco na educação da população e no reforço dos sistemas de saúde locais. A experiência de surtos anteriores, como o da febre amarela ou do cólera, mostrou que a prevenção é a melhor ferramenta para evitar crises maiores.

Para as comunidades de Cabinda, a doença representa mais um desafio num cenário já marcado por dificuldades de acesso a serviços de saúde de qualidade. Muitas famílias vivem em condições precárias, com água potável limitada e saneamento básico insuficiente, factores que facilitam a propagação de doenças infecciosas. As autoridades reconhecem que a luta contra a mpox passa também por melhorar as condições de vida da população, mas admitem que, a curto prazo, o foco terá de ser a contenção do surto actual.

Os próximos passos incluem a intensificação das acções de vigilância em zonas de fronteira e a realização de testes aleatórios em mercados e terminais de transporte. As equipas de saúde também planeiam reforçar a colaboração com os países vizinhos para partilhar informações e coordenar respostas em caso de novos casos. Enquanto isso, a população é chamada a colaborar, reportando sintomas suspeitos e seguindo as orientações das autoridades. A mpox pode não ser uma ameaça imediata para toda a população angolana, mas em Cabinda, cada caso conta. A região não pode baixar a guarda.

Fonte: Google News (Angola)

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