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Elevo os meus olhos para os montes, de onde me vem o socorro. O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Salmos 121:1-2

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Por Redacção Angola No Ar

Bembe sofre com abandono: estradas ruins e falta de serviços

Os moradores do município do Bembe, no Uíge, vivem há anos sem acesso a serviços básicos. Estradas degradadas e a ausência de farmácias e bancos tornam a vida quotidiana um desafio constante. A situação levanta dúvidas sobre o cumprimento das promessas de desenvolvimento para todas as regiões de Angola.

Vista aérea de um município angolano no interior, com estradas de terra e casas tradicionais, contrastando com infraestruturas modernas ao fundo
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A viagem até ao Bembe não é apenas uma deslocação geográfica. Para quem chega ao município, localizado no interior da província do Uíge, o que se vê é um retrato de um Estado que parece ter esquecido parte do seu território. As estradas que ligam o Bembe aos centros urbanos mais próximos transformam-se em trilhos intransitáveis durante a época das chuvas. Na estação seca, a poeira levanta-se em nuvens que dificultam a visibilidade e tornam as viagens ainda mais lentas. Sem pavimentação, os moradores enfrentam percursos longos e arriscados sempre que precisam de chegar a um hospital, uma escola ou um mercado. A falta de infraestruturas básicas não é um problema isolado, mas um reflexo de uma realidade que se repete em várias regiões do país.

A ausência de farmácias no município obriga os doentes a percorrer dezenas de quilómetros em busca de medicamentos. Muitos não têm condições para pagar o transporte ou até mesmo para comprar os remédios quando finalmente chegam a uma cidade com serviços de saúde. A situação agrava-se em casos de emergência, quando cada minuto conta. A falta de acesso a cuidados médicos básicos não é apenas uma questão de comodidade, mas de saúde pública. Sem farmácias, os moradores dependem de remédios caseiros ou de deslocações prolongadas, o que atrasa tratamentos e pode piorar condições que, noutros locais, seriam facilmente controladas.

Os serviços bancários também estão ausentes no Bembe. Sem agências ou caixas automáticos, os moradores enfrentam dificuldades para movimentar dinheiro, pagar contas ou até mesmo receber salários. A dependência de dinheiro físico torna as transacções mais lentas e inseguras. Muitos são obrigados a viajar para cidades vizinhas para realizar operações financeiras simples, um processo que consome tempo e recursos. A falta de acesso a serviços bancários não afeta apenas a economia local, mas também limita as oportunidades de desenvolvimento, afastando potenciais investidores e empreendedores.

A sede do governo local funciona num edifício pré-fabricado, uma imagem que simboliza o descaso com que o município é tratado. As infraestruturas públicas mais próximas de qualidade ficam a horas de distância, como se os mais de 50 mil habitantes do Bembe não fizessem parte da mesma nação que promete progresso e igualdade. A sensação de abandono é tão forte que muitos questionam se o esquecimento é intencional ou apenas o resultado de uma administração que não consegue chegar a todas as regiões.

O problema não é exclusivo do Bembe. Em várias províncias de Angola, a distância entre o discurso oficial e a realidade vivida pelos cidadãos continua a ser um desafio. Promessas de desenvolvimento igualitário são feitas com frequência, mas a implementação muitas vezes fica aquém do esperado. A falta de manutenção de estradas, a escassez de serviços essenciais e a ausência de infraestruturas básicas são problemas que afectam milhões de angolanos, não apenas no Uíge. A questão não é apenas de recursos, mas também de prioridades e de uma gestão que nem sempre consegue alcançar as zonas mais afastadas.

A ausência de serviços básicos no Bembe não é um fenómeno recente. Há anos que os moradores denunciam a falta de atenção das autoridades, mas as respostas tardam a chegar. A situação reflecte um padrão que se repete noutras regiões do país, onde a população sente que o Estado está mais presente nas cidades principais do que nas áreas rurais e nos municípios mais afastados. A falta de investimento nestas zonas não só prejudica a qualidade de vida dos seus habitantes, como também limita o potencial económico de Angola como um todo.

A vida no Bembe é um exemplo do que acontece quando o desenvolvimento não chega de forma igualitária. Sem estradas decentes, sem saúde acessível e sem serviços financeiros, o município sobrevive à sua própria sorte. Os moradores adaptam-se como podem, mas a realidade é dura: viver numa região esquecida pelo Estado. A pergunta que muitos fazem é simples: até quando? Até quando os moradores do Bembe terão de percorrer quilómetros para ter acesso a cuidados médicos? Até quando terão de enfrentar estradas intransitáveis para chegar a um banco ou a um mercado? Até quando o desenvolvimento continuará a ser um privilégio das cidades principais?

A situação no Bembe levanta questões sobre o futuro das regiões mais afastadas de Angola. Sem infraestruturas básicas, sem serviços essenciais e sem uma presença efectiva do Estado, o desenvolvimento igualitário continua a ser uma promessa por cumprir. A solução não passa apenas por mais investimento, mas também por uma mudança de mentalidade: reconhecer que o progresso de Angola não pode ser medido apenas pelo crescimento das grandes cidades, mas também pela qualidade de vida de quem vive nas zonas mais remotas do país. Até lá, os moradores do Bembe continuarão a lutar contra as dificuldades do dia a dia, enquanto esperam por um futuro que, para muitos, ainda parece distante.

Fonte: Folha 8

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