FAPED pede mais apoios para associações de deficientes
A Federação Angolana das Associações de Pessoas com Deficiência (FAPED) pediu hoje ao Governo angolano que aumente os fundos destinados às organizações que defendem os direitos das pessoas com deficiência. A reivindicação foi feita durante uma palestra sobre inclusão e igualdade de oportunidades, realizada em Luanda.

A FAPED, que representa dezenas de associações espalhadas por todo o país, defende que o reforço financeiro é essencial para que estas organizações possam desenvolver os seus projectos com maior eficácia. Segundo o secretário-geral da federação, Adão Ramos, sem apoio adequado torna-se difícil garantir acções que promovam a igualdade de oportunidades e o acesso a serviços essenciais para a população com deficiência. Durante a palestra, Ramos destacou que a falta de recursos limita a capacidade das associações de realizar actividades de advocacia, sensibilização e apoio directo às famílias afectadas.
As associações filiadas na FAPED desenvolvem projectos em várias frentes, desde a formação de profissionais até ao apoio psicológico e social às famílias. Muitas delas também trabalham na sensibilização da sociedade para a importância da inclusão, organizando workshops e campanhas em escolas, empresas e comunidades. No entanto, a maioria destas iniciativas depende de financiamento limitado, o que restringe o seu alcance e impacto.
O apelo da FAPED surge num momento em que o Executivo angolano tem vindo a anunciar investimentos em áreas como educação e saúde. As organizações da sociedade civil, contudo, pedem que estas iniciativas incluam de forma mais estruturada a população com deficiência. A inclusão efectiva desta parcela da população exige não só infraestruturas adequadas, como também programas específicos que garantam o acesso a serviços básicos, desde a saúde até à educação.
Em Angola, estima-se que cerca de 5% da população viva com algum tipo de deficiência, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Esta realidade coloca desafios significativos ao país, especialmente em regiões onde os serviços de saúde e reabilitação são escassos. As associações de deficientes desempenham um papel crucial nestes contextos, muitas vezes preenchendo lacunas deixadas pelo Estado. No entanto, a sua capacidade de actuação depende directamente dos recursos disponíveis.
A falta de financiamento não afecta apenas as actividades directas das associações, mas também a sua capacidade de advocacy junto das autoridades. Sem recursos, torna-se mais difícil pressionar o Governo para que implemente políticas públicas que garantam os direitos das pessoas com deficiência. Em países onde este modelo de financiamento foi adoptado, os resultados mostram que o apoio estatal pode transformar a vida de milhares de pessoas, permitindo-lhes maior autonomia e participação na sociedade.
Outros países africanos já tomaram medidas semelhantes no passado, criando fundos específicos para apoiar organizações da sociedade civil que trabalham nesta área. Em alguns casos, estes fundos são geridos em parceria com o Estado, garantindo que os recursos chegam directamente às organizações que mais precisam. A FAPED defende que Angola poderia adoptar um modelo semelhante, assegurando que os fundos chegassem às associações de forma transparente e eficiente.
A inclusão das pessoas com deficiência não é apenas uma questão de direitos humanos, mas também uma oportunidade para o desenvolvimento do país. Quando estas pessoas têm acesso a serviços essenciais e oportunidades de emprego, toda a sociedade beneficia. Estudos mostram que a exclusão desta população representa uma perda significativa para a economia, não só pela falta de contribuição directa, mas também pelos custos associados à sua dependência de apoios sociais.
No entanto, a mudança não depende apenas do Estado. As próprias organizações da sociedade civil precisam de demonstrar transparência e eficácia na gestão dos recursos que já recebem. Casos parecidos já aconteceram antes, onde a falta de transparência levou à redução de financiamento por parte de doadores e parceiros internacionais. Por isso, a FAPED tem vindo a trabalhar na profissionalização das suas associações filiadas, garantindo que os recursos sejam aplicados de forma responsável e com impacto real.
O próximo passo passa por apresentar uma proposta concreta ao Governo, detalhando as necessidades das associações e os resultados que poderiam ser alcançados com um financiamento adequado. A federação espera que, com o apoio da sociedade civil e dos parceiros internacionais, seja possível criar um fundo dedicado exclusivamente ao apoio às pessoas com deficiência. Até lá, as associações continuam a trabalhar com os recursos limitados que têm, na esperança de que a sua voz seja ouvida e as suas reivindicações atendidas.
Fonte: Correio da Kianda
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