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Por Redacção Angola No Ar

Angolanos preferem menos voz na ONU, revela estudo continental

Um estudo recente do Afrobarometer mostra que Angola é o único país africano onde a maioria da população não apoia um papel mais activo do país nas Nações Unidas. A pesquisa, que ouviu cidadãos de 38 nações, revela ainda que a China mantém uma imagem positiva entre os africanos, enquanto os Estados Unidos perdem terreno.

Simbolos de diplomacia global sobre um mapa de África em tons neutros
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A decisão dos angolanos de não quererem mais voz nas decisões globais pode surpreender quem acompanha o crescente protagonismo africano nos fóruns internacionais. Nos últimos anos, vários países do continente têm assumido posições mais assertivas em temas como clima, segurança e comércio. Angola, no entanto, parece caminhar na direcção oposta. Segundo os dados do Afrobarometer, 52% dos inquiridos angolanos rejeitam o aumento da participação do país na ONU. Esta posição contrasta com a de outras nações africanas, onde a maioria defende um papel mais activo nas decisões globais.

A China surge como a nação com maior influência percebida positivamente pelos africanos. O estudo indica que 63% dos entrevistados consideram a influência chinesa benéfica. Em contrapartida, os Estados Unidos registam uma queda na sua imagem, com apenas 45% dos inquiridos a verem a sua influência como positiva. Estes números reflectem uma tendência que se tem vindo a desenhar nos últimos anos: enquanto a China expande a sua presença económica e diplomática em África, os Estados Unidos enfrentam desafios na manutenção da sua imagem no continente.

Os resultados do Afrobarometer, uma organização conhecida pelos seus inquéritos de larga escala em África, foram recolhidos entre 2022 e 2024. A pesquisa abrangeu países como Moçambique, Nigéria e África do Sul, onde a maioria dos cidadãos defende um papel mais activo das suas nações nas Nações Unidas. Em Angola, a preferência pela contenção pode estar ligada a factores internos. A crise económica que o país enfrenta há vários anos pode influenciar a percepção dos cidadãos sobre a necessidade de assumir mais responsabilidades globais. Além disso, há quem argumente que Angola já tem um peso significativo em fóruns internacionais, nomeadamente no âmbito da CPLP e da SADC.

Os dados não detalham as razões específicas por detrás desta escolha dos angolanos, mas indicam uma tendência clara. Enquanto noutros países cresce o desejo de maior protagonismo internacional, em Angola prevalece a preferência pela contenção. Esta posição pode reflectir uma avaliação de que os recursos nacionais devem ser priorizados para resolver problemas internos antes de assumir mais responsabilidades globais. De facto, 41% dos inquiridos angolanos consideram que o país deve focar-se em resolver questões internas antes de aumentar a sua participação em fóruns internacionais.

O Afrobarometer, que realiza estudos semelhantes desde meados dos anos 90, tem vindo a documentar as mudanças na opinião pública africana. Nos últimos anos, os inquéritos têm mostrado um crescente interesse dos cidadãos em assumir um papel mais activo na política global. Este desejo reflecte-se em temas como o combate às alterações climáticas, a segurança alimentar e a promoção da paz. Angola, no entanto, parece ser uma excepção a esta tendência. A sua posição pode estar relacionada com a percepção de que o país já tem uma voz significativa em organizações regionais, como a SADC, e que os recursos nacionais devem ser direccionados para áreas como a saúde, a educação e a infra-estruturas.

A divulgação dos resultados gerou debate sobre o papel de Angola no cenário internacional. Alguns analistas sugerem que a posição dos angolanos pode reflectir uma falta de confiança nas instituições internacionais ou uma percepção de que o país não tem capacidade para assumir mais responsabilidades globais. Outros argumentam que esta escolha pode ser uma estratégia para evitar compromissos que possam prejudicar os interesses nacionais no curto prazo.

A organização não avançou com previsões sobre o impacto desta opinião na política externa angolana. No entanto, é provável que os resultados influenciem as decisões dos decisores políticos. Se a maioria da população prefere uma abordagem mais contida, é natural que os líderes políticos tenham em conta esta preferência ao definirem as estratégias internacionais do país. Esta dinâmica pode levar a um maior foco nas relações regionais e continentais, em detrimento de uma participação mais activa em fóruns globais.

Os resultados do Afrobarometer também incluem perguntas sobre confiança em instituições internacionais e satisfação com a governação local. Em Angola, a maioria dos inquiridos considera que o país deve resolver os seus problemas internos antes de assumir mais responsabilidades globais. Esta posição pode estar relacionada com a insatisfação com a governação local, que muitos cidadãos consideram ineficaz na resolução de questões como a corrupção, o desemprego e a pobreza.

A pesquisa do Afrobarometer é um retrato da opinião pública africana em um momento de grandes mudanças. Enquanto alguns países do continente procuram assumir um papel mais activo na política global, Angola parece optar por uma abordagem mais cautelosa. Esta escolha pode reflectir tanto factores internos como uma avaliação estratégica dos interesses nacionais. O debate sobre o papel de Angola no cenário internacional está longe de terminar, mas os resultados do estudo oferecem uma visão clara das preferências dos cidadãos angolanos.

Fonte: Google News (Angola)

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