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Elevo os meus olhos para os montes, de onde me vem o socorro. O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Salmos 121:1-2

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Por Redacção Angola No Ar

Angola pede foco na educação para reconstruir o Sudão

O representante angolano nas Nações Unidas, Francisco da Cruz, defendeu ontem em Nova Iorque que a educação deve ser a prioridade máxima na ajuda internacional ao Sudão. Para Luanda, investir nas escolas e nos jovens é a única forma de garantir um futuro estável num país devastado por anos de conflito.

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque com bandeira angolana ao fundo, simbolizando o apelo de Angola pela educação no Sudão
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A proposta angolana surge num momento em que o Sudão enfrenta uma das piores crises humanitárias da sua história recente. Milhões de pessoas foram deslocadas pelas guerras que assolam o país, enquanto centenas de escolas foram destruídas ou ocupadas por forças armadas. Neste cenário, a educação surge como uma ferramenta essencial não só para formar novas gerações, mas também para reconstruir a coesão social e evitar que o ciclo de violência se repita no futuro.

Durante a sua intervenção no Conselho de Segurança da ONU, Francisco da Cruz sublinhou que a educação não é apenas um direito básico, mas uma estratégia de longo prazo para a paz. "Sem investir nas crianças e jovens, não há futuro estável", afirmou o diplomata angolano, destacando que a crise no Sudão exige respostas integradas que vão além da ajuda humanitária imediata. A proposta angolana propõe que a reabertura de escolas e a formação de professores sejam incluídas em todos os planos de assistência internacional, garantindo que as crianças não fiquem sem aprender mesmo em zonas de conflito.

O apelo surge num contexto em que o sistema educativo sudanês está praticamente paralisado. Muitas infraestruturas foram danificadas ou transformadas em abrigos temporários para deslocados, enquanto professores abandonaram as salas de aula por falta de condições ou por terem sido forçados a fugir. A situação é ainda mais grave nas áreas rurais, onde a presença do Estado é fraca e a população depende quase exclusivamente de organizações não-governamentais para sobreviver.

Para Angola, esta não é apenas uma questão de solidariedade internacional, mas também de experiência própria. O país conhece bem os custos de uma geração perdida após décadas de guerra civil. Durante os anos de conflito, milhares de crianças angolanas ficaram sem acesso à escola, o que atrasou o desenvolvimento do país por anos. Agora, Luanda defende que a comunidade internacional deve aprender com esses erros e agir antes que a situação no Sudão se deteriore ainda mais.

A crise no Sudão não afeta apenas o país. Os seus vizinhos, como o Chade e o Sudão do Sul, já acolhem milhões de refugiados sudaneses, o que sobrecarrega os sistemas de saúde e educação locais. Por isso, a solução passa por uma resposta coordenada entre governos e organizações internacionais, com um foco claro na reconstrução do sistema educativo. A proposta angolana sugere que os recursos sejam direccionados não só para a reabertura de escolas, mas também para a formação de professores e a criação de programas de ensino adaptados às realidades locais.

O Ministério das Relações Exteriores angolano já anunciou que vai continuar a defender esta posição em fóruns internacionais, pressionando por acções concretas que coloquem as crianças sudanesas de volta às salas de aula. A ideia é que a educação seja vista como uma parte integrante de qualquer plano de reconstrução, ao lado da segurança alimentar e da assistência médica.

Especialistas em crises humanitárias destacam que a educação é muitas vezes a primeira vítima em conflitos armados, mas também pode ser a primeira a recuperar quando a paz regressa. Em países como a Síria ou o Iémen, onde a guerra já dura há mais de uma década, os sistemas educativos estão completamente destruídos, deixando uma geração inteira sem perspectivas. Angola argumenta que investir agora na educação do Sudão pode evitar que o país enfrente um problema semelhante no futuro.

A proposta angolana não é isolada. Outros países africanos já tomaram medidas semelhantes no passado, integrando a educação nos seus planos de ajuda humanitária. Em Moçambique, por exemplo, após o fim da guerra civil em 1992, o governo e parceiros internacionais trabalharam juntos para reabrir escolas e formar professores, o que ajudou a estabilizar a região. Angola espera que a comunidade internacional siga este exemplo e priorize a educação no Sudão.

O próximo passo será a apresentação de um plano detalhado nas Nações Unidas, onde Angola vai defender que os recursos para a educação sejam incluídos nos fundos de emergência já existentes. A ideia é que, mesmo em zonas de conflito, seja possível garantir algum nível de ensino, seja através de escolas móveis, aulas em tendas ou programas de ensino à distância.

Para as crianças sudanesas, a educação representa mais do que aprender a ler e escrever. Significa esperança, normalidade e a possibilidade de um futuro diferente do que viveram até agora. Angola acredita que, com o apoio certo, o Sudão pode transformar a crise numa oportunidade para construir um sistema educativo mais forte e resiliente, capaz de resistir a futuros desafios.

Fonte: Correio da Kianda

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