ANC afirma que anti-imigração na África do Sul é política
O Secretário-Geral do Congresso Nacional Africano (ANC), Fikile Mbalula, declarou que a atual onda de discursos e acções contra a imigração na África do Sul é motivada por interesses políticos e agendas eleitorais. As declarações foram feitas durante intervenções públicas recentes do dirigente do partido no poder.

Fikile Mbalula, Secretário-Geral do Congresso Nacional Africano, afirmou que a actual retórica anti-imigração que se tem ouvido na África do Sul não reflete a realidade social do país, mas sim estratégias de grupos políticos que procuram conquistar votos.
Ele sublinhou que a questão da imigração deve ser tratada com responsabilidade, uma vez que trata‑se de um tema sensível para a sociedade sul‑africana.
Mbalula alertou que discursos de ódio podem prejudicar a coesão social e também afetar a economia, que depende de mão‑de‑obra estrangeira em vários setores.
A África do Sul tem enfrentado, ao longo do tempo, tensões recorrentes ligadas à chegada de cidadãos de outros países africanos, sobretudo em zonas urbanas e periurbanas.
O Congresso Nacional Africano, que governa o país desde o fim do apartheid, tem procurado conciliar a necessidade de segurança interna com a tradição de acolhimento e solidariedade continental.
Durante as suas intervenções públicas recentes, o dirigente não apresentou medidas concretas para lidar com o fenómeno, mas fez um apelo ao debate construtivo entre todas as partes envolvidas.
A posição do ANC contrasta com a de formações políticas mais radicais, que defendem o fechamento das fronteiras e a expulsão de imigrantes como solução para os problemas percebidos.
Ao longo dos anos, episódios de violência contra estrangeiros têm surgido de forma esporádica, gerando debates nacionais sobre integração, segurança e respeito aos direitos humanos.
Setores como a mineração, a agricultura e o trabalho doméstico empregam um número significativo de trabalhadores vindos de países vizinhos, contribuindo para a atividade econômica nacional.
A história do apartheid e a transição para a democracia deixaram marcas na forma como a sociedade encara a chegada de novos residentes, misturando sentimentos de solidariedade africana com preocupações sobre concorrência por empregos e serviços.
O ANC tem historicamente promovido a cooperação pan‑africana, o que influencia a sua abordagem à questão migratória, mesmo diante de pressões internas por posturas mais restritivas.
Analistas observam que, em períodos eleitorais, a retórica em torno da imigração tende a ser intensificada, já que partidos procuram mobilizar eleitores sensíveis a temas de trabalho e serviços públicos.
Organizações da sociedade civil e grupos religiosos têm lançado campanhas que visam promover a tolerância e combater narrativas xenófobas nas comunidades.
O governo já realizou, em ocasiões anteriores, programas de sensibilização destinados a reduzir o preconceito, embora a abrangência e o impacto dessas iniciativas variem de acordo com o contexto local.
Para o futuro, especialistas sugerem que um diálogo contínuo entre líderes políticos, representantes comunitários e setores produtivos possa ajudar a construir políticas mais equilibradas e sustentáveis.
Organizações regionais, tais como a União Africana e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, defendem a livre circulação de pessoas como forma de fortalecer a integração e o desenvolvimento econômico do continente.
A cobertura mediática e as plataformas digitais têm desempenhado um papel importante na divulgação tanto de mensagens de acolhimento quanto de discursos que geram tensão, influenciando a forma como a população percebe a questão da imigração.
Para avançar, especialistas sugerem que acordos bilaterais sobre mão‑de‑obra, programas de formação conjunta e espaços de diálogo comunitário possam contribuir para reduzir mal‑entendidos e promover soluções práticas.
Fonte: Correio da Kianda
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