AMOTRANG quer formação obrigatória para mototaxistas
A Associação dos Motoqueiros e Transportadores de Angola (AMOTRANG) defendeu esta semana a obrigatoriedade de formação contínua para os mototaxistas do país. A proposta surge num momento em que os acidentes envolvendo motos crescem nas estradas angolanas, especialmente em Luanda. A organização alertou para a necessidade de reduzir os riscos no transporte informal, que já responde por uma fatia significativa dos incidentes rodoviários nacionais.

A AMOTRANG apresentou a proposta durante um encontro com motoristas realizado na sede da associação, na capital angolana. Segundo o presidente da organização, Bento Rafael, muitos dos acidentes com mototaxistas resultam da falta de treino adequado e do desconhecimento das regras básicas de trânsito. Para a associação, a formação obrigatória poderia ser a solução para diminuir os riscos nas vias públicas e proteger não só os profissionais, mas também os passageiros e outros utentes das estradas.
A organização destacou que os mototaxistas representam uma parte considerável dos incidentes registados anualmente nas estradas angolanas. A ausência de formação regular deixa muitos condutores sem noções essenciais de condução defensiva, manutenção básica das motos e normas de circulação. Sem esses conhecimentos, a probabilidade de erros graves aumenta, colocando em risco vidas humanas e gerando prejuízos económicos para as famílias envolvidas.
A proposta da AMOTRANG inclui um plano de cursos periódicos, com conteúdos adaptados às necessidades do sector. Entre os temas sugeridos estão técnicas de condução segura, identificação de falhas mecânicas comuns nas motos e atualização constante sobre as leis de trânsito. A organização acredita que, com este tipo de formação, os mototaxistas poderão circular com mais confiança e reduzir os incidentes nas estradas.
Até ao momento, a AMOTRANG já iniciou conversações com as autoridades responsáveis pela fiscalização e regulação do transporte em Angola. No entanto, ainda não há um calendário definido para a implementação da medida. A associação espera que o Governo angolano reconheça a urgência da proposta e apoie a sua concretização, que poderia representar um avanço significativo na segurança rodoviária do país.
Especialistas em segurança no trânsito em África destacam que iniciativas semelhantes já foram adoptadas em outros países do continente, com resultados positivos. Em várias nações, a obrigatoriedade de formação para condutores informais levou a uma redução considerável nos acidentes e a uma maior profissionalização do sector. Angola, que enfrenta desafios semelhantes nos transportes urbanos, poderia seguir este exemplo para melhorar a qualidade do serviço prestado pelos mototaxistas.
A falta de fiscalização e a informalidade no sector dos transportes em Angola agravam os riscos nas estradas. Muitos mototaxistas operam sem licenças adequadas ou seguros, o que dificulta a aplicação de medidas de segurança. A formação obrigatória poderia também ajudar a regularizar a actividade, incentivando os profissionais a obterem documentação em dia e a cumprirem as normas estabelecidas.
A AMOTRANG sublinha que a medida não só beneficiaria os condutores, mas também os passageiros, que muitas vezes são vítimas indirectas de acidentes causados por imprudência ou falta de preparação. A associação defende que a segurança rodoviária deve ser uma prioridade nacional, especialmente num contexto em que o número de motos nas cidades angolanas continua a crescer.
Ainda não há uma data concreta para o início da formação obrigatória, mas a AMOTRANG mantém contactos com o Ministério dos Transportes e outras entidades governamentais. A organização espera que, num futuro próximo, o Governo angolano possa criar um programa piloto para testar a eficácia da medida antes de a estender a todo o país.
Enquanto isso, os mototaxistas continuam a enfrentar desafios diários nas estradas angolanas. A falta de infraestruturas adequadas, como ciclovias ou sinalização clara, agrava ainda mais os riscos. A formação proposta pela AMOTRANG poderia ser um passo importante para mitigar estes problemas e promover uma cultura de segurança entre os profissionais do sector.
A iniciativa da AMOTRANG chega num momento em que a segurança no trânsito em Angola está sob maior escrutínio. A sociedade civil e as autoridades têm vindo a discutir formas de reduzir os acidentes, especialmente aqueles que envolvem veículos de duas rodas. A formação obrigatória para mototaxistas poderá ser uma das soluções mais efectivas para enfrentar este desafio.
Ainda não se sabe quando a medida poderá entrar em vigor, mas a AMOTRANG mantém a esperança de que as autoridades reconheçam a sua importância. A associação acredita que, com o apoio do Governo, será possível implementar um programa de formação que beneficie toda a sociedade angolana.
Enquanto a decisão não é tomada, os mototaxistas continuam a trabalhar nas ruas de Angola, enfrentando diariamente os riscos de um sistema que ainda não oferece todas as condições de segurança necessárias. A formação proposta pela AMOTRANG poderá ser um marco na transformação deste cenário, desde que seja implementada com seriedade e acompanhada de fiscalização efectiva.
Fonte: Correio da Kianda
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