Ambientalista aponta soluções para poluição em Angola
O ambientalista Rafael Lucas defendeu hoje que combater a poluição em Angola exige uma acção coordenada entre o Governo, empresas e comunidades. Em entrevista à Rádio Correio da Kianda, o especialista alertou para a urgência de repensar os danos causados pela degradação ambiental no país e no mundo.

A poluição não conhece fronteiras e os seus efeitos estendem-se muito além do local onde é produzida. Em Angola, os impactos da degradação ambiental já se fazem sentir em várias frentes, desde a saúde das populações até à sobrevivência de ecossistemas inteiros. Rafael Lucas, que estuda os efeitos da poluição no país, sublinha que a solução não pode depender apenas de uma única entidade. "A solução não pode vir apenas de um lado", afirmou o especialista, destacando que o Estado, as empresas e a sociedade civil precisam de trabalhar em conjunto para reduzir os danos causados pelo excesso de resíduos e pela má gestão ambiental.
O problema assume múltiplas formas em Angola. Desde a acumulação de resíduos industriais em zonas urbanas até ao lixo doméstico que se espalha pelas ruas, a falta de sistemas eficazes de tratamento e reciclagem agrava a situação. Nas cidades, onde a densidade populacional é maior, os danos tornam-se mais visíveis e urgentes. "As comunidades também têm um papel fundamental", referiu Lucas, apontando para a necessidade de educação ambiental e de uma participação activa dos cidadãos na separação e gestão dos resíduos. A mudança de hábitos, segundo ele, começa com a consciencialização sobre o impacto das acções individuais no ambiente colectivo.
O ambientalista recorda que a degradação ambiental não é um problema exclusivo de Angola. Trata-se de um desafio global que afecta países em todos os continentes. "Os países desenvolvidos já enfrentam consequências graves, como alterações climáticas e escassez de recursos", alertou. Para inverter esta tendência, Lucas defende que a união de esforços é a única via possível. Sem uma resposta colectiva, os danos acumulam-se e as consequências tornam-se irreversíveis a médio prazo.
Embora não tenha avançado com propostas concretas, o especialista deixou claro que a acção deve ser imediata. "Não podemos esperar que os problemas se resolvam sozinhos", afirmou, apelando a políticas públicas mais robustas e à responsabilização das empresas pelos danos causados. A falta de fiscalização e de incentivos para práticas sustentáveis mantém o país num ciclo de degradação que afecta directamente a qualidade de vida das populações.
A poluição em Angola reflecte um padrão que se repete em várias regiões do mundo. Em países com sistemas de gestão de resíduos mais avançados, a reciclagem e o tratamento adequado dos resíduos reduziram significativamente os impactos ambientais. Em África, alguns governos já implementaram medidas para combater a poluição, como a proibição de plásticos descartáveis em certas zonas ou a criação de programas de recolha selectiva. Estes exemplos mostram que, com vontade política e investimento adequado, é possível reverter o cenário actual.
Para as comunidades angolanas, os efeitos da poluição são diários. Nas zonas costeiras, por exemplo, a acumulação de lixo no mar afecta a pesca e a saúde dos pescadores. Nas áreas urbanas, a inalação de partículas poluentes contribui para o aumento de doenças respiratórias, especialmente entre crianças e idosos. A degradação dos solos, por sua vez, reduz a produtividade agrícola e ameaça a segurança alimentar em regiões já vulneráveis.
A responsabilidade não recai apenas sobre o Governo. As empresas, especialmente aquelas com maior impacto ambiental, precisam de adoptar práticas mais sustentáveis e de investir em tecnologias limpas. A sociedade civil, por seu lado, deve exigir transparência e acção por parte das autoridades, enquanto promove a mudança de comportamentos ao nível local. A educação ambiental nas escolas e nas comunidades é um passo essencial para criar uma cultura de respeito pelo ambiente.
O futuro da poluição em Angola depende, em grande medida, das decisões tomadas hoje. Se a tendência actual se mantiver, os custos ambientais e económicos serão cada vez mais altos. "A acção deve ser imediata", insistiu Lucas, sublinhando que cada dia de inacção agrava os danos. A adopção de políticas públicas mais ambiciosas, aliada a uma maior participação da sociedade, pode ser o ponto de viragem para um país mais limpo e sustentável.
O combate à poluição exige, acima de tudo, uma mudança de mentalidade. Não se trata apenas de gerir resíduos, mas de repensar o modelo de desenvolvimento e o modo como interagimos com o ambiente. Em Angola, como em muitos outros países, a transição para uma economia circular — onde os materiais são reutilizados e reciclados — ainda está a dar os primeiros passos. O desafio é grande, mas a necessidade de agir é ainda maior.
Fonte: Correio da Kianda
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