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As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. Lamentações 3:22-23

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Por Redacção Angola No Ar

África do Sul cobra custos de repatriação a países de origem

O Executivo sul-africano anunciou que vai exigir o pagamento de parte dos gastos com a repatriação de migrantes irregulares aos seus países de origem. A decisão surge após o Governo de Pretória gastar milhões em 2024 com operações de transporte, alojamento e regresso forçado de estrangeiros. Milhares de angolanos que vivem ou passam pela África do Sul podem ser afectados por esta medida.

Edifício de imigração na África do Sul com cadeiras vazias e secretárias, ao fundo o horizonte de Joanesburgo
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Na semana passada, o Ministério do Interior da África do Sul revelou que os custos com a repatriação de migrantes irregulares ultrapassaram os valores gastos em anos anteriores. Segundo comunicado oficial, o montante aplicado em 2024 reflecte um aumento significativo nas acções de fiscalização migratória, sobrecarregando os recursos públicos do país. A justificação apresentada pelas autoridades sul-africanas baseia-se na presença de estrangeiros em situação irregular, muitos dos quais entraram no país sem documentação válida.

A proposta ainda não foi formalizada em acordos bilaterais, mas já gerou reacções entre os países africanos afectados. Em Luanda, fontes governamentais contactadas pelo Angola No Ar não comentaram o assunto até ao momento. A medida poderá afectar milhares de angolanos que residem ou transitam pela África do Sul, país que regista uma das maiores comunidades de migrantes angolanos no continente.

O Governo sul-africano considera que os países de origem devem partilhar a responsabilidade financeira pelas despesas geradas pela presença e repatriação dos seus cidadãos. A decisão surge num contexto de crescente pressão sobre os sistemas de controlo migratório no país, onde as autoridades intensificaram acções de fiscalização nos últimos doze meses. Segundo o comunicado oficial, o volume de repatriações aumentou de forma significativa, obrigando o Executivo a repensar a partilha de custos com as nações de origem.

Em África, a questão da migração irregular tem sido um tema recorrente nos últimos anos. Outros países do continente já adoptaram medidas semelhantes para lidar com o fluxo de estrangeiros em situação irregular, embora nem sempre com a mesma abordagem. A proposta sul-africana segue uma tendência global de responsabilização dos Estados de origem pelos seus nacionais que não cumprem as leis migratórias no exterior.

A África do Sul tem sido um destino comum para migrantes angolanos, tanto para trabalho como para trânsito. A comunidade angolana no país é uma das maiores no continente, o que torna a medida especialmente relevante para Luanda. Se a proposta avançar, poderá criar um precedente para futuras negociações entre os dois governos, afectando directamente os cidadãos angolanos que vivem ou viajam pela África do Sul.

Ainda não há detalhes sobre como será feita a cobrança ou quais os países que serão abrangidos pela medida. No entanto, o anúncio já levanta questões sobre a capacidade dos governos africanos de lidar com a migração irregular de forma coordenada. A falta de acordos bilaterais claros poderá atrasar a implementação da proposta e gerar conflitos diplomáticos entre as nações envolvidas.

Especialistas em migração destacam que a decisão sul-africana reflecte uma abordagem cada vez mais comum entre países que recebem grandes fluxos de migrantes. Em muitos casos, os governos locais argumentam que os custos da presença de estrangeiros em situação irregular devem ser partilhados com os países de origem, especialmente quando esses migrantes não têm meios para se sustentar ou regressar.

A medida também levanta discussões sobre os direitos humanos dos migrantes irregulares. Organizações internacionais já alertaram para os riscos de deportações em massa, que podem colocar em causa a segurança e dignidade dos afectados. No entanto, as autoridades sul-africanas defendem que a fiscalização é necessária para garantir a ordem pública e a aplicação das leis migratórias.

Para os angolanos que vivem na África do Sul, a proposta poderá significar mudanças significativas nos seus planos de residência ou viagem. Muitos dependem de empregos informais ou de actividades económicas que não exigem documentação regularizada, o que os torna vulneráveis a acções de fiscalização. A incerteza sobre o futuro das regras migratórias poderá levar alguns a reconsiderar a sua permanência no país.

O Governo angolano ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, mas fontes governamentais em Luanda indicam que estão a analisar o impacto da medida. A discussão poderá estender-se nos próximos meses, especialmente se outros países africanos seguirem o exemplo da África do Sul. Até lá, milhares de angolanos que vivem ou transitam pelo país vizinho terão de acompanhar de perto as decisões das autoridades sul-africanas e as possíveis negociações entre os dois governos.

A proposta sul-africana poderá ainda influenciar futuras políticas migratórias em África. Se bem-sucedida, poderá encorajar outros países a adoptar medidas semelhantes, criando um efeito dominó na região. No entanto, a falta de consenso sobre como lidar com a migração irregular poderá gerar tensões entre as nações africanas, especialmente quando os interesses económicos e sociais entram em conflito.

Fonte: Correio da Kianda

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